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Política

15/01/2007 - 09h38
PT deve estudar também nomes de fora da sigla para suceder Lula em 2010, diz Berzoini

Fernando Rodrigues
Folha de S.Paulo
Em Brasília

Favorito para reconquistar a presidência da Câmara, o PT neste início de 2007 apresenta um discurso mais aberto do que nunca a alianças. O presidente nacional da sigla, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), diz algo que seria impensável em anos anteriores a respeito da sucessão presidencial daqui a quatro anos: "Temos de dialogar com os demais partidos, que também têm nomes possíveis para 2010. Portanto o PT não pode ter um comportamento presunçoso de achar que terá necessariamente candidato em 2010".

Lúcio Távora / Folha Imagem
O presidente do PT, Ricardo Berzoini
CIRO GOMES ESTÁ COTADO
Berzoini acaba de retornar ao cargo depois de quase três meses de afastamento voluntário. Ele saiu da direção até fosse apresentada a conclusão da Polícia Federal para o caso que ficou conhecido como dossiegate _quando um grupo de petistas tentou comprar durante a última campanha eleitoral, por R$ 1,7 milhão, um material que seria usado contra tucanos.

Como não foi indiciado, Berzoini sentiu-se à vontade para reassumir o posto. Seu retorno fará o partido voltar às páginas policiais, disseram dirigentes petistas mais à esquerda. "Faz parte da disputa política", declarou Berzoini à Folha na última quinta-feira, no seu gabinete de presidente nacional petista, em Brasília -pouco antes de embarcar para um fim de semana de folga com a família, numa praia de Pernambuco.

Aos 46 anos -"faço 47 no dia que o PT completa 27 anos, em 10 de fevereiro"-, Berzoini diz não ser apenas retórica a possível oferta de vaga de candidato a presidente em 2010 para um dos dez partidos que integram com o PT a coalizão governista. Pela primeira vez desde o retorno do Brasil à democracia pós-ditadura militar (1964-1985), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não terá direito de disputar o Palácio do Planalto.

"O PT não se coloca como detentor exclusivo de lançar candidatos. É óbvio que, pela sua tradição, o PT tende a ter um candidato do PT. Mas nós não podemos colocar isso como um ponto de honra do partido. Dependendo da conjuntura política de 2010 pode ser interessante para o conjunto de forças políticas de esquerda, ou de centro com a esquerda, lançar um candidato para unificar e enfrentar o processo que, com certeza, será muito concorrido. O PT aposta no fortalecimento da coalizão".

Atarefado com a possível eleição do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara -eles se falam várias vezes ao dia pelo telefone-, Berzoini considera importante evitar "fissuras graves para a coalizão no pós-eleição", referindo-se ao PC do B e ao PSB, que apóiam a reeleição do comunista Aldo Rebelo.

Se perder, qual pode ser o destino de Rebelo? "Aldo já foi ministro e pode voltar a ser ministro. Tem toda a legitimidade para tal", responde Berzoini, engrossando a tese de acomodar o atual presidente da Câmara num cargo do alto escalão depois de 1º de fevereiro, quando ocorrem as escolhas das novas mesas diretoras do Congresso.

Indagado se a eleição de Chinaglia facilitará a vida do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT-SP), o presidente petista diz não enxergar relação entre as duas coisas. Mas se um projeto de lei for apresentado para perdoar Dirceu, a resposta de Berzoini é direta: "Eu votaria pela anistia para ser coerente com o que eu já disse. O mandato ele não pode ter de volta. Mas os direitos eleitorais, pode. Não há razão nenhuma, na minha opinião, para manter a situação de exclusão dele da vida política do país, pois foi punido injustamente".

A seguir, trechos da entrevista:

Folha - Dirigentes do seu partido questionaram sua volta para o cargo. Não teria sido melhor esperar?
Ricardo Berzoini
- Acho legítimo que algumas pessoas no partido tenham essa avaliação crítica em relação à corrente que tem a maioria no PT hoje do ponto de vista histórico. Acho que faz parte da disputa política.

Temos um congresso no início de julho deste ano. Lá vamos disputar teses e formulações. Com certeza lá vamos avaliar o desempenho político do PT nos últimos anos.

Folha - A duração do seu mandato pode ser abreviada?
Berzoini
- A eleição direta para a escolha da nova direção está marcada para o segundo semestre de 2008. Como haverá eleições municipais, não é conveniente que coincida. O congresso tomará uma decisão a respeito.

Folha - Qual será a saída?
Berzoini
- Há duas possibilidades. Uma delas é antecipar a eleição em alguns meses. Há quem defenda a antecipação para este ano. E já ouvi quem defenda o adiamento, o que acho ruim. O congresso decidirá.

Nunca é demais lembrar que o processo de eleição do presidente do partido e da direção nacional é por votação direta de seus filiados. Em setembro de 2005, na votação de primeiro turno, compareceram 315 mil filiados, superando em muito o quórum mínimo estatutário _que, salvo engano, era de aproximadamente 160 mil votantes.

Folha - Apesar de todas as ressalvas, o sr. não cogita de abrir mão de parte de seu mandato como presidente do PT?
Berzoini
- Não está em discussão o tamanho do mandato, mas o calendário eleitoral do partido. O congresso decidirá.

Folha - O argumento contra a sua volta à presidência do PT é que o partido continuaria nas páginas de noticiário policial. Essa interpretação não está correta?
Berzoini
- Acho um exagero. O comportamento que eu assumi foi de total responsabilidade com o partido. Eu não precisaria ter me licenciado pois não há mecanismos estatutários que me obrigassem a me afastar. Fiz tudo espontaneamente, condicionando a um processo de apuração em curso. Fiquei afastado um pouco menos de três meses. Terminou apuração e eu pude voltar com tranqüilidade.

Folha - Ainda assim, o seu retorno fez com que o episódio do dossiê voltasse à tona....
Berzoini
- Mas a disputa política é assim mesmo. Não tenho a menor governabilidade sobre o que é noticiado ou não. Portanto não há razão para o partido se pautar por aquilo que a imprensa publicar.

Folha - Durante o episódio do dossiê, o presidente da República manifestou reservadamente o seu descontentamento com a condução do partido. O sr. reage como a essa crítica de Lula?
Berzoini
- Todas as informações que eu recebi vão exatamente no sentido contrário a essas informações veiculadas pela imprensa. Não há qualquer tipo de problema de relacionamento meu com o presidente. Pela franqueza do nosso relacionamento, eu me sentiria impedido de continuar se eu achasse que há alguma crise entre a minha pessoa e a dele.

Folha - A informação disponível é que o presidente ficou insatisfeito com as poucas informações recebidas do sr. quando eclodiu o caso do dossiê. O sr. está afirmando que esse fato é inverídico?
Berzoini
- Se eu tivesse qualquer dúvida com relação a isso eu não teria a tranqüilidade que eu tenho hoje.

Folha - A que o sr. atribui então as informações disponíveis dentro do âmbito do governo sobre a sua participação efetiva no caso do dossiê?
Berzoini
- Essa é a versão que saiu. Tudo o que eu pude apurar em relação a isso mostra que não era esse o caminho das investigações.

Folha - Ainda que o sr. não tenha sido indiciado no caso do dossiê, há uma percepção na sociedade, mais uma vez, de que alguém do PT esteve próximo a um problema e depois disse não ter relação com o episódio. Não é desagradável essa sensação?
Berzoini
- É bom que se diga que, apesar dessa percepção, o partido foi o que teve o melhor desempenho nas últimas eleições. O que se previu em 2005, que o PT sairia enfraquecido desse processo, não se verificou. Sobre essa percepção de parte da população, cada um sabe da verdade e lida com ela. Eu lido com o que eu sei e tenho a consciência tranqüila a respeito. Em segundo lugar, é preciso haver o trâmite de todos os processos nas instâncias legais para que se possa julgar algo em definitivo.

Folha - Ainda sobre o caso do dossiê, como pode ser possível que pessoas da estrutura partidária tenham acesso a um numerário tão grande, cerca de R$ 1,7 milhão, e ninguém da cúpula tenha conhecimento?
Berzoini
- Se eu não estivesse tranqüilo a respeito eu não teria tomado a atitude que tomei, inclusive me afastando temporariamente da presidência do partido. Não tenho nem como comentar essa pergunta porque exige um nível de conhecimento que eu não tenho. Fiz tudo o que poderia ser feito, colocando-me à disposição para colaborar e até oferecendo o sigilo bancário do partido em pleno processo eleitoral _coisa que talvez poucos partidos tivessem condição de fazer.

Folha - Tomando como fato sua afirmação, não parece ao sr. então que as estruturas partidárias no país, o PT incluso, são exageradamente porosas e incapazes de se precaver contra tais episódios?
Berzoini
- De maneira geral as estruturas são assim, não só os partidos. Se você pegar empresas, sindicatos, clubes, todos sempre correm o risco de crises que não são a vontade da instituição. Ocorrem por decisões localizadas.

Folha - Foi tomada alguma providência prática para evitar esse tipo de ocorrência no PT?
Berzoini
- Não há hoje nenhuma possibilidade, no que tange à presidência do partido, de um episódio desses envolver decisões formais de qualquer dirigente. Acesso a dinheiro deve ser totalmente contabilizado e explicitado nas contas do partido. Não há caixa dois. Não fizemos nenhum tipo de movimentação fora da contabilidade na campanha nem no partido. Isso significa que não existem hoje recursos não-contabilizados.

Folha - Até quando existiram?
Berzoini
- Não sei. Posso te dizer com tranqüilidade na minha atuação político-partidária no PT nunca convivi com debate sobre recursos não-contabilizados.

Folha - Mas o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares admitiu o uso de caixa dois...
Berzoini
- O que eu estou dizendo é que a minha atuação como dirigente nunca teve qualquer contato com esse elemento.

Folha - De 2002 para 2006, cresceu o valor consumido pelas campanhas presidenciais do PT. Por que isso ocorreu? Diminuiu o caixa dois?
Berzoini
- Eu posso dizer que na campanha de 2006, na qual eu participei, não é que o caixa dois foi menor. Não houve caixa dois. Se houve caixa dois em campanhas anteriores, só quem participou delas é que pode dizer.

Folha - O que é maior hoje: o lulismo e o petismo?
Berzoini
- O Lula sempre foi maior que o PT.

Folha - Será para sempre?
Berzoini
- Não há resposta. Na política brasileira e na política mundial, as referências pessoais são mais determinantes que os partidos políticos. Gostemos ou não disso. Quando Lula foi candidato pela primeira vez, em 1989, ele foi ao segundo turno com cerca de 17% dos votos. O PT não tinha a preferência nem de 7% a 8% do país.

Em 2002, o PT tinha cerca de 20%. Lula já estava com 40% a 45%. Às vésperas da eleição de 2006, o PT tinha 27% de preferência partidária entre os eleitores e o Lula estava batendo em 50%. Lula hoje é um presidente que tem o apoio de dez a 12 partidos para governar no segundo mandato. É um líder mundial. Imaginar que o PT pudesse ter esse mesmo tamanho é uma ilusão de qualquer pessoa. Mas é minha obrigação como dirigente fazer o PT, como instituição, crescer _inclusive se beneficiando de que seu mais ilustre filiado tenha essa aprovação toda.

Folha - Lula não pode mais ser candidato a presidente em 2010. Hugo Chávez, na Venezuela, alterou a Constituição para concorrer quantas vezes quiser. O sr. acha que esse tipo de alteração é positiva?
Berzoini
- A Constituição brasileira permite só uma reeleição. O presidente Lula já declarou ser contra até a essa reeleição. Não vejo qualquer hipótese de esse tema ser apresentado no Brasil.

Folha - O que acontecerá com o PT, em 2010, quando Lula não poderá ser o candidato?
Berzoini
- Não acho que essa seja uma agenda para 2007.

Folha - O sr. é favor de dar um cargo de senador vitalício sem direito a voto para ex-presidentes?
Berzoini
- Acho desnecessário. Um ex-presidente tem espaço político no país sem precisar de cargos. E pode disputar cargos se achar conveniente.

Folha - O lulismo sobreviverá depois de 2010?
Berzoini
- Não gosto da expressão 'lulismo'. Acredito que o presidente Lula, pela liderança que exerce, será sempre uma referência fundamental para o país. A democracia no pós-ditadura militar se organizou em torno dele, que foi candidato em todas as eleições presidenciais diretas. Em 2010 será a primeira eleição em que ele não será candidato a presidente. Imagino que ele não disputará nenhum outro cargo.

Folha - Qual caminho o PT deve trilhar para chegar a 2010 em condições eleitoralmente competitivas, sem Lula candidato?
Berzoini
- Primeiro, ajudar a fortalecer a coalizão e criar condições para que o governo seja bem sucedido. O PT, dentre todos os partidos da coalizão, é o que será mais cobrado pelo sucesso desse modelo de gestão para o segundo mandato. Além disso, temos de preparar o partido para um processo de produção de líderes que tenham condições de serem competitivos em 2010.

Folha - Quais são os nomes?
Berzoini
- Não cito nomes. Mas temos de dialogar com os demais partidos, que também têm nomes possíveis para 2010. Portanto o PT não pode ter um comportamento presunçoso de achar que terá necessariamente candidato em 2010 nem abrir mão dessa possibilidade.

Folha - O sr. está dizendo que o PT pode apoiar algum candidato que se viabilize dentro da coalizão governista, um não-petista, para presidente em 2010?
Berzoini
- Claro, por que não? É possível, mas não é uma premissa. Vamos trabalhar para que o PT tenha condições de apresentar alternativas próprias. E podemos chegar com a coalizão até 2010.

Folha - O sr. acredita mesmo nisso que está dizendo? O PT teria desprendimento para abdicar de ter candidato próprio à sucessão de Lula?
Berzoini
- O PT não se coloca como detentor exclusivo de lançar candidatos. É óbvio que, pela sua tradição, o PT tende a ter um candidato do PT. Mas nós não podemos colocar isso como um ponto de honra do partido. Dependendo da conjuntura política de 2010 pode ser interessante para o conjunto de forças políticas de esquerda, ou de centro com a esquerda, lançar um candidato para unificar e enfrentar o processo que, com certeza, será muito concorrido. O PT aposta no fortalecimento da coalizão.

Folha - Até que ponto suas declarações são apenas retóricas para agradar a coalizão que está em formação no momento?
Berzoini
- São declarações verdadeiras. Eu sempre defendi que o PT tivesse uma política ampla de alianças. Em 2006, apoiamos os candidatos aos governos de vários Estados que não eram do PT. Cito o Ceará, Rio Grande do Norte e Amazonas, entre outros.

Folha - Na disputa pela presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia, do PT, parece ter mais apoio do que Aldo Rebelo, do PC do B. Como ambos são da mesma coalizão, não seria lógico que um desistisse a favor do outro?
Berzoini
- Seria desejável, mas política e lógica nem sempre andam juntas. Eu trabalho por isso. Mas se não for possível, por que não deixar a disputa ir até o fim?

Folha - É melhor ou pior que ambos fiquem até o final?
Berzoini
- Para a coalizão seria muito positivo que houvesse um candidato único. Do ponto de vista eleitoral, é imprevisível, pois não temos indicação sobre se haverá apenas essas duas candidaturas ou outras. Mesmo assim, eu creio que o trabalho principal do nosso candidato, Arlindo Chinaglia, é conseguir a maioria dos votos dentro do critério da proporcionalidade, como está na Constituição.

Folha - Numa coalizão, em tese, quando um partido não segue a orientação da maioria ele deve sair. O PC do B e o PSB devem sair da coalizão por não apoiarem Chinaglia?
Berzoini
- De maneira alguma. A relação do PT com o PC do B e com PSB é muito positiva. Se nesse caso não houve condições de unificar, temos de trabalhar para que a disputa seja em padrões elevados de debate e não tenhamos fissuras graves para a coalizão no pós-eleição. Vamos trabalhar com respeito mútuo.

Folha - Por que o presidente Lula expressou no final do ano passado que considerava mais adequada a reeleição de Aldo Rebelo?
Berzoini
- Ele expressou uma opinião com toda a legitimidade que tem. Mas talvez não tivesse ainda informações detalhadas sobre o quadro da disputa na Câmara. Para aquele momento, foi totalmente legítimo. Posteriormente, com novas informações, ele se reposicionou e disse que era importante que tivéssemos o máximo de unidade possível na base aliada _em torno do Aldo ou em torno do Arlindo.

Folha - O que deve acontecer com o candidato derrotado, se ambos se mantiverem até o final na disputa?
Berzoini
- Primeiro, não se deve tratar como 'derrotado' politicamente. Disputar e perder nem sempre é uma derrota. O presidente Lula perdeu três vezes para presidente da República e construiu assim o caminho para a vitória.

Folha - O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana, defendeu que o derrotado recebesse uma vaga no ministério. O que o sr. acha?
Berzoini
- Aldo já foi ministro e pode voltar a ser ministro. Tem toda a legitimidade para tal. Arlindo é um quadro de primeira grandeza do PT e tem todas as condições para ser ministro.

Folha - Não será indevido o derrotado receber um cargo no primeiro escalão? Não pareceria apenas uma acomodação política?
Berzoini
- Não. Isso pode ser por conta dos méritos da pessoa. Não seria surpresa para ninguém se o Arlindo Chinaglia tivesse sido chamado para ser ministro durante o primeiro mandato do presidente Lula. Mas ele teve outras tarefas. Assim como o Aldo, que foi ministro e pode voltar a ser. Ninguém pode ser vetado pela condição de eventualmente perder uma eleição para presidente da Câmara.

Folha - O que significa para o PT, se vencer, ficar com o terceiro cargo na República?
Berzoini
- Será uma grande honra. Mas o Arlindo não é candidato do PT, mas de uma coalizão de partidos. Não há caráter partidário nessa função.

Folha - E em termos de interlocução com o presidente Lula?
Berzoini
- Representa um espaço importante para o PT. É um dos postos de maior visibilidade nacional.

Folha - O ex-ministro José Dirceu deve tentar a sua anistia política dentro do Congresso. Essa tarefa fica facilitada com a eventual eleição de Arlindo Chinaglia?
Berzoini
- Primeiro, sobre o mérito. Minha avaliação é a mesma da época em que o Zé Dirceu foi cassado. Acho que foi injusto. Não havia provas nem elementos políticos que justificassem a punição. Mas não enxergo nenhum tipo de vínculo entre a eleição do Arlindo e a pretensão legítima de Zé Dirceu de discutir a sua situação política com a nação e com o Congresso.

Folha - Se o projeto de anistia para José Dirceu for apresentado, como o sr. votará?
Berzoini
- Eu votaria pela anistia para ser coerente com o que eu já disse. O mandato ele não pode ter de volta. Mas os direitos eleitorais, pode. Não há razão nenhuma, na minha opinião, para manter a situação de exclusão dele da vida política do país, pois foi punido injustamente. Eu sei que se formou um senso comum em torno dessa questão e a figura do Zé Dirceu foi satanizada nesse processo. Para ser justo com a minha consciência, com o que eu vi e vivi dentro do governo, com a postura correta do Zé Dirceu com os demais ministros, eu encaminharei o voto pela anistia _se esse assunto vier à pauta.

Folha - Quais alterações o sr. de fato acredita serão possíveis numa eventual reforma política?
Berzoini
- A fidelidade partidária e o financiamento público exclusivo de campanha.

Folha - Mas o financiamento público exclusivo, tal como está no projeto de lei (R$ 7 por eleitor), representará um valor menor do que todos os candidatos gastaram oficialmente na campanha de 2006.
Berzoini
- Mas é bom limitar os gastos.

Folha - Mas não parece óbvio que crescerá o caixa dois?
Berzoini
- Não, aí depende da fiscalização. Os tribunais eleitorais demonstraram em 2006 uma capacidade muito maior do que no passado. E podem ampliar essa capacidade.

Folha - O sr. defende a votação de uma lei para criar uma cláusula de desempenho para os partidos?
Berzoini
- Sempre fui a favor desse dispositivo. Qual vai ser a conveniência, ou qual vai ser o movimento tático que o PT fará em relação a essa matéria, ainda não tem definição sobre isso.

Folha - O sr. e o PT serão a favor da criação dos fundos de pensão para os funcionários públicos, já previstos na Constituição?
Berzoini
- O custo inicial desses fundos é grande. É importante consultar os partidos antes de enviar uma proposta ao Congresso. Se essa negociação não for bem conduzida pode parir um monstro. Defendo que os fundos sejam criados durante o segundo mandato do presidente Lula.

Folha - A participação do PT no governo está de acordo com o que partido considera razoável?
Berzoini
- Acho que é uma boa participação. É claro que todo partido quer sempre ter mais espaço no governo. Mas nós sabemos que a existência da coalizão impõe limites.

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