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29/03/2004 - 16h58
Lula vincula crise à eleição e diz que país é vulnerável

Por Carmen Munari

SÃO CAETANO DO SUL (Reuters) - Sob o protesto de desempregados dos bingos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que a crise política é decorrência das eleições municipais de outubro. Ao mesmo tempo, defendeu os ganhos já obtidos na economia mas admitiu que o país continua vulnerável.

"Eu sei que tem crise no Corinthians. No São Caetano não tem e muito menos tem crise no governo", disse Lula. "O fato de termos divergências políticas não é crise."

A declaração foi feita em discurso durante visita à principal fábrica da General Motors no país, em São Caetano do Sul (SP), onde Lula participou de cerimônia de entrega de 305 veículos GM para a Polícia Rodoviária Federal.

Mas, se descartou a existência de uma crise no governo, Lula admitiu que as eleições municipais deste ano estariam relacionadas ao momento político difícil que seu governo enfrenta.

"Por que terminamos o ano passado com otimismo exagerado e, de repente, esta firmeza vai embora? Que crise aconteceu? Ou será que a crise já é a eleição de 2004?"

O presidente argumentou que as reclamações de prefeituras e Estados devido à falta de recursos se devem a acertos feitos com outros governos, como é o caso da renegociação das dívidas com a União.

"Eu só tenho a Constituição para cumprir, não tenho os poderes de Deus para fazer os milagres que alguns acham que devo fazer."

Pesquisas divulgadas na sexta-feira e nesta manhã mostraram a pior avaliação do governo Lula desde sua posse, basicamente devido ao escândalo político envolvendo o ex-assessor do Planalto Waldomiro Diniz e à situação econômica, que registrou contração em 2003 e mantém elevados níveis de desemprego.

ECONOMIA VULNERÁVEL

Ao falar de economia, nesta segunda-feira, o presidente procurou ressaltar pontos positivos obtidos em seu governo, como os recordes das exportações e da expansão da agricultura, mas admitiu que o país ainda tem fragilidades.

"Certamente a economia brasileira vai crescer, se não o tanto que nós gostaríamos que ela crescesse, ela vai crescer o que é possível crescer. Mas é importante que todo mundo saiba que o Brasil ainda tem uma economia vulnerável", disse Lula.

O presidente argumentou que "qualquer pessoa neste país que acompanha a economia sabe que a gente ainda tem uma economia altamente vulnerável".

Segundo Lula, essa vulnerabilidade é resultado da grande dívida pública, parte dela dolarizada, e pelas dificuldades em colocar em andamento projetos que melhorem a infra-estrutura do país, como hidrelétricas.

O presidente voltou a garantir que não haverá planos econômicos mirabolantes e defendeu a política econômica atual: "Eu prefiro manter um plano que é o único que pode fazer a economia brasileira dar certo, que é o plano da certeza, o plano da credibilidade."

O presidente se defendeu de críticas de que privilegia a indústria automobilística em ajuda governamental. Durante seis meses, o governo cortou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos veículos em 3 pontos percentuais e um novo acordo pode sair em breve.

Segundo Lula, se a União deixou de arrecadar impostos, houve manutenção de empregos e salários.

FESTA PARA POUCOS

Apesar de a fábrica da GM empregar 7 mil pessoas, menos de mil puderam ver o presidente. Todos os empregados que estavam sob a tenda do evento tiveram que ser "fichados", informando previamente o número do documento de identidade. Nas demais montadoras que Lula visitou na região do ABC paulista, ele discursou para a totalidade dos empregados, com públicos que chegaram a 5 mil pessoas.

"Não é a praia dele (Lula)", disse um funcionário da GM, referindo-se ao fato de a fábrica ser base da Força Sindical, rival da Central Única dos Trabalhadores (CUT), por sua vez ligada ao PT.

Esta proteção não impediu que o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, filiado à Força Sindical, organizasse, do lado de fora, uma manifestação com cerca de mil pessoas contra o fechamento dos bingos. A proibição foi determinada pelo presidente Lula em fevereiro.

Durante o discurso de Lula, podia-se ouvir à distância os gritos de "O povo unido jamais será vencido". Depois da saída de Lula, os manifestantes tentaram impedir o trânsito na avenida em frente à fábrica, mas foram dispersados pela polícia.

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