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 Internacional

05/04/2004 - 23h22
EUA sabiam que Iraque não tinha armas de destruição em massa

LOS ANGELES (Reuters) - O inspetor de armas David Kay alertou a CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, em julho do ano passado que não existia nenhuma arma de destruição em massa no Iraque, mas o Congresso e o povo norte-americano só ficou sabendo disso meses depois, de acordo com uma reportagem especial que será divulgada na edição de maio da revista Vanity Fair.

A existência de armas de destruição em massa no Iraque foi a principal justificativa dada pelo presidente dos EUA, George W. Bush, para lançar uma guerra contra Saddam Hussein.

Kay disse a Vanity Fair que, em julho, menos de um mês depois de sua chegada no Iraque a serviço da CIA, enviou um email para o diretor da agência de inteligência, George Tenet, dizendo que "parece que eles não produzem armas".

Ele acrescentou que estava preparado para deixar o Iraque em dezembro, mas pediram para que ele ficasse mais tempo porque pegaria mal se ele saísse antes.

Os comentários do ex-caçador de armas aparecem em uma matéria de 22 mil palavras chamada de "O Caminho Para a Guerra", escrita e apurada nos últimos quatro meses, no que a revista afirma ser a maior matéria que já publicou. A edição chega nas bancas esta semana.

Kay disse que depois que ele concluiu que não havia armas de destruição em massa no Iraque, ele recebeu um telefonema do vice-diretor da CIA, John McLaughlin, que disse a ele: "Temos que ter muito cuidado com a forma que vamos divulgar isso".

A revista disse que essa foi a razão pela qual o Congresso e a população demoraram para saber a verdade.

Em outubro do ano passado, após falar ao Congresso, Kay disse: "Ainda não achamos, até esse momento, armas. Isso não significa que nós concluímos que não há armas. Isso significa que, até esse momento, e trata-se de um grande país com muita coisa para fazer, que nós ainda não achamos armas".

Na época Kay disse que sua equipe poderia ter uma informação melhor sobre as eventuais armas no Iraque. Mas a Vanity Fair afirma que ele estava pronto para deixar o país em dezembro, mas Tenet pediu a ele que ficasse no país.

Kay disse que Tenet lhe falou: "Se você sair agora vai parecer que não sabemos o que estamos fazendo e que perdemos o controle". Kay saiu do Iraque em 23 de janeiro.

Um porta-voz da CIA não tinha nenhum comentário a fazer imediatamente.

(Por Arthur Spiegelman)

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