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 Internacional

17/12/2004 - 09h51
Butão se torna o primeiro país do mundo a proibir o fumo

GUWAHATI, Índia (Reuters) - O reino do Butão, encravado no Himalaia, proibiu na sexta-feira a venda de tabaco e o consumo de cigarros em público. É o primeiro país do mundo a tomar tal decisão.

Em julho, o Parlamento desse país fechado, predominantemente budista, aprovou uma lei que previa restrições ao fumo.

"A proibição total da venda e do consumo de tabaco foi imposta no país a partir de 17 de dezembro", disse Lily Wangchuz, porta-voz da embaixada do país em Nova Délhi. "É para o bem-estar do povo, para proteger o meio ambiente e preservar nossa cultura."

Quem não conseguir se livrar do vício poderá importar cigarros para consumo próprio, mas com uma taxa de cem por cento. Mesmo assim, só poderão fumar na privacidade de seus lares.

Lojas que desafiarem a proibição receberão multas de pelo menos 225 dólares, um valor elevado para os padrões locais. Reincidentes podem ter seus estabelecimentos fechados.

As autoridades do Butão estimam que apenas 1 por cento dos 700 mil habitantes fume. Os prejuízos financeiros com a proibição ainda não são conhecidos.

A monarquia butanesa gosta de controlar o país, espremido entre a China e a Índia, com mão-de-ferro. A televisão foi proibida até 1999, e há restrições aos turistas que querem conhecer suas montanhas e vales.

Um analista disse que a população não deve se voltar contra a proibição do fumo. "As pessoas não vão reagir porque seguem o que diz o monarca", disse Kinley Dorji, editor do Kuensel, único jornal do país.

Mas moradores de Samdrup Jhongkhar, localidade próxima à fronteira com a Índia, não estão tão convencidos. Eles disseram que os fumantes ficaram chateados com a proibição e previram que haverá contrabando de cigarros da Índia.

"Agora terei de pagar mais para fumar. Vai se tornar um luxo", disse Prem Dorji, morador da cidade. "As pessoas comuns serão as mais atingidas, porque não conseguirão abandonar o hábito facilmente e serão obrigadas a pagar preços exorbitantes."

(Por Biswajyoti Das)

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