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25/05/2005 - 21h54
Blairo Maggi nega ser 'estuprador da floresta'

Por Reese Ewing

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Governador de Mato Grosso e maior produtor de soja do mundo, Blairo Maggi negou na quarta-feira ser o responsável pelo aumento do desmatamento da floresta Amazônica em seu Estado.

"Não sou o estuprador da floresta", disse Maggi em entrevista concedida à Reuters por telefone a partir do Mato Grosso, o Estado que mais produz soja na bacia sul da Amazônia.

O governador respondia a acusações feitas por meios de comunicação internacionais e pelo grupo ambientalista Greenpeace.

"Percebo que as pessoas sentem-se tocadas pela Amazônia, mas essa retórica contribui pouco para a discussão sobre como enfrentar melhor o desmatamento ilegal e como distingui-lo da limpeza legal de áreas", disse Maggi.

Dados anunciados na semana passada mostraram que o desmatamento da Amazônia atingiu seu segundo nível recorde entre agosto de 2003 e agosto de 2004.

A floresta, que possui 30 por cento da fauna e da flora do mundo, perdeu uma área de 26.130 quilômetros quadrados, e cerca de 48 por cento desse desmatamento deu-se no Mato Grosso.

No entanto, os números divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente não fazem distinção entre o desmatamento ilegal e o legal.

Grupos como o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) dizem que, sem concentrar os esforços no desmatamento ilegal, a batalha para conter a destruição da floresta será perdida.

"No Mato Grosso, 400 mil hectares de floresta foram cortados legalmente no ano passado depois de principalmente fazendeiros e criadores de gado terem conseguido licenças do Estado para limpar a terra com o propósito de produzir", disse Maggi.

"Muitas pessoas não percebem isso --e não apenas os estrangeiros--, que parte do desmatamento no Brasil é legal".

DESMATAMENTO ILEGAL

Maggi disse que 495 mil hectares de floresta no Mato Grosso foram desmatados ilegalmente no ano passado e que fiscais do governo multaram 95 por cento dos culpados.

"Estamos cumprindo nossa obrigação de impor a lei", afirmou. "Se não contarmos a limpeza legal de terras, o desmatamento ilegal caiu em 2 por cento no ano passado em relação ao ano anterior, no meu Estado".

O Mato Grosso é composto em sua maior parte por áreas de Cerrado. Apenas uma faixa de terra no norte do Estado é classificada como de floresta Amazônica.

Por lei, os produtores podem derrubar a mata em 65 por cento de suas terras no Cerrado. Na Amazônia, apenas 20 por cento da terra pode ter suas árvores derrubadas para abrir áreas de cultivo e pasto.

Isso vale para as áreas que estão fora dos parques nacionais e estaduais e das reservas indígenas, que juntos abrangem quase 27 por cento do Estado e onde o desmatamento é proibido.

O jornal britânico The Independent disse no dia 20 de maio que o Grupo Amaggi, do governador, pretendia dobrar sua área de cultivo. O governador rebateu a informação.

"O grupo anunciou que não expandiria mais [suas áreas de plantio] e que se concentraria agora na logística e nos serviços de comércio. Somos grandes o suficiente", disse Maggi.

"Faz mais de dez anos que o grupo Amaggi limpa terras para o cultivo".

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