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07/09/2005 - 10h08
Egito começa primeira eleição presidencial da sua história

Por Edmund Blair

CAIRO (Reuters) - Os egípcios votam na quarta-feira na primeira eleição presidencial da sua história, na qual o atual presidente Hosni Mubarak deve obter um quinto mandato como líder da nação mais populosa do mundo árabe.

As urnas abriram por volta de 8h (2h, horário de Brasília) em todo o país. Nas primeiras horas, poucos dos 72 milhões de habitantes compareceram para escolher entre Mubarak e seus nove adversários, a maioria líderes quase desconhecidos de pequenos partidos.

Mubarak, 77, obteve quatro mandatos desde 1981 por meio de um sistema de referendos sobre um candidato único, escolhido pelo Parlamento, que é dominado pelo Partido Nacional Democrático.

Ele mudou o sistema este ano, sob pressão dos Estados Unidos e de grupos egípcios. Mas a oposição local duvida que haja uma verdadeira alteração política.

Transcorridas duas horas e meia das 14 horas de votação, observadores disseram que houve alguns abusos e irregularidades.

Mohamed Fayoumi, voluntário do Shayfeencom, grupo que monitora as eleições, disse que o presidente de uma seção eleitoral obrigava os eleitores a preencherem as cédulas fora das cabines e que carros do governo estavam levando eleitores às urnas, ambas as práticas são proibidas.

Khaled Abdel Monem disse que os governistas "trazem [os eleitores] em carros, pegam sua identidade e lhes dão a cédula, dizendo que têm de votar em Mubarak e não podem ir atrás da cortina".

Gameela Ismail, porta-voz do candidato liberal Ayman Nour, disse que a tinta indelével que deveria impedir as pessoas de votarem duas vezes sai facilmente quando se esfrega desodorante. Ela disse à Reuters que fez o teste e que esse fato está se espalhando entre a população.

A Comissão da Eleição Presidencial, que tem controle absoluto sobre o processo, autorizou, de forma surpreendente, que grupos da sociedade civil monitorem as eleições, desde que obtenham permissão na sede da comissão. Isso será impossível, portanto, para grupos que estão distantes do Cairo.

Os Estados Unidos, que pressionam por reformas democráticas no Oriente Médio, tinham manifestado preocupação com a falta de monitores internacionais. Na terça-feira, a Justiça disse que a comissão eleitoral poderia barrar os observadores.

O comparecimento inicial é baixo. Em algumas eleições ou referendos anteriores, menos de 10 por cento dos eleitores egípcios votaram, segundo juizes e grupos civis.

No colégio Nubar, no centro do Cairo, cerca de 12 pessoas votaram nos primeiros 45 minutos. Como há 32 milhões de eleitores e quase 10 mil seções, cada seção deve ter em média mais de 3.000 eleitores.

Numa seção de Alexandria, segunda maior cidade do país, um eleitor aparecia em média a cada cinco minutos.

Mubarak deve ter uma vitória folgada, em parte graças à sua experiência e seu controle sobre o Estado. Ele é muito admirado por deixar o Egito longe de guerras.

O engenheiro agrícola Mohamed Saqr, 22, votou em Mubarak. "Ele é um herói. Está completando nossa jornada. É um homem justo, um bom homem."

Mas o apoio a Nour, um advogado jovem e ambicioso, é forte nos seus redutos do Cairo, os bairros pobres de Bab El Shaaria e Moski.

Faraj Khalaf Qaisi, 28, operário do sul do Egito, se disse eleitor de Nour. "Ele vai mudar tudo neste país. Olhe o problema do desemprego, olhe as pensões. Ele vai aumentá-las", afirmou.

Mas Ibrahim Kamal, 54, secretário do partido Ghad (Amanhã), de Nour, no centro do Cairo, disse que "há uma probabilidade muito baixa de Nour ganhar". "É só esse homem contra todo o Estado. A campanha durou só três semanas. Isso não basta."

Muitos egípcios não estão registrados para votar e consideram a eleição presidencial um mero show para o público externo.

Os dois principais adversários de Mubarak são liberais -- Nour e Noman Gomaa, do Partido Wafd, que dominou a política egípcia no começo do século 20.

As regras eleitorais impedem a participação da moderada Irmandade Islâmica, maior bloco de oposição do país, porque o governo nunca autorizou o grupo formar um partido político.

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