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26/05/2006 - 10h31
Romênia devolve "Castelo do Drácula" a ex-proprietários

Reuters

Romênia devolve 'Castelo do Drácula' a ex-proprietários

Romênia devolve 'Castelo do Drácula' a ex-proprietários

Por Sinisa Dragin e Justyna Pawlak

BRAN, Romênia (Reuters) - A Romênia devolveu nesta sexta-feira uma fortaleza medieval conhecida como o "Castelo de Drácula" a seus proprietários de antes da Segunda Guerra Mundial, a ex-família real dos Habsburgos, expulsos da região pelos comunistas quase 60 anos atrás.

Encravado na floresta aos pés dos Cárpatos, o Castelo Bran é um dos imóveis de maior valor do patrimônio real devolvido pelo governo romeno, segundo prevê a conturbada lei de restituição do país.

A entrega do castelo, que acontece depois de uma batalha judicial de cinco anos, alimenta as esperanças de muitos romenos que ainda desejam reaver suas casas, fábricas e terras perdidas para os fascistas durante a guerra e para os comunistas que passaram a dominar o país depois dos conflitos.

"Não consigo acreditar que isso está realmente acontecendo. Fiquei todo arrepiado. Esse era meu lar e eu não estive no castelo desde 1948", disse à Reuters Dominic von Habsburg, herdeiro do rei Ferdinand e da rainha Maria.

"Essa foi uma estrada bastante longa e demorada. Todos desejam voltar para casa algum dia", afirmou enquanto seguia para uma cerimônia de restituição no castelo em Bran. Dominic von Habsburg é um arquiteto de 69 anos que trabalha em Nova York.

Transformada em um museu, a maior atração turística da Romênia -- um país pobre banhado pelo mar Negro e que espera ingressar na União Européia (UE) no próximo ano -- foi construída no século 14 para proteger a cidade de Brasov dos ataques dos turcos otomanos.

Torres pontiagudas e uma localização remota renderam ao castelo seu apelido famoso -- o local é cenário perfeito para um filme de terror. Mas a construção nunca foi parte do romance "Drácula", de Bram Stoker, apesar de o famoso dirigente da Romênia do século 15, Vlad Tepes, ou Vlad, o Empalador, cuja vida inspirou o livro, poder ter passado rapidamente pela região.

"Este é um momento de justiça e um momento de cultura", afirmou o ministro da Cultura do país, Adrian Iorgulescu, a membros da família Habsburgo, repórteres e curiosos.

REGRESSO

Comerciantes que vendem vinho do Drácula, vodca do Vampiro e camisetas com o ameaçador semblante de Vlad às centenas para turistas que visitam Bran diariamente preocupam-se com a possibilidade de perder sua fonte de renda se os Habsburgos fecharem o museu.

"É bom que o governo devolva o castelo. Mas, agora, dependemos do proprietário para continuar morando aqui", afirmou Maria Pedestru, de 70 anos, que vende rendas tradicionais às portas do castelo.

No entanto, para os milhares de romenos que tentam vencer a burocracia e as intrincadas leis a fim de reaver as propriedades tomadas nos anos 40 e 50, a devolução do Castelo Bran é um bom sinal.

Ex-proprietários reclamam da lentidão dos processos de restituição, que começaram com uma caótica reforma agrária em 1991 responsável por desmantelar as antigas fazendas coletivas dos comunistas. Depois, vieram várias leis que tentam garantir a retomada de outros bens imóveis.

Pela legislação atual, aprovada pelo governo centrista que tomou posse 17 meses atrás, a maior parte dos ex-proprietários deve reaver seus bens originais. Outros devem conseguir ações em um fundo que entrará no mercado de ações de Bucareste e que será financiado pelos procedimentos de privatização.

Mas os proprietários reclamam que muitos bens nacionalizados foram vendidos por preços abaixo de mercado por alguns governos do período pós-comunista, obrigando-os a buscar indenizações no Fundo de Propriedades, cujo lançamento já deveria ter acontecido.

Desde que o prazo final para pedir restituições terminou, em 2003, menos de 10 por cento dos peticionários conseguiram reaver seus bens. Menos de 1 por cento deles recebeu promessas de que receberá ações do fundo.

"Para ser sincero, vimos mais coisas acontecerem no último ano que nos cinco anos anteriores", afirmou Lia Doru-Trandafir, uma advogada que representa os Habsburgos.

"Mas a Romênia possui duas opções: não dar nada ou ser séria a respeito disso. Não se pode substituir um crime histórico com outro crime".

(Reportagem adicional Radu Marinas)

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