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 Internacional

13/06/2006 - 13h07
Testemunha recorda últimos dias na vida de Adolf Hitler

Por Tom Armitage

BERLIM (Reuters) - Nada restou do bunker subterrâneo onde Hitler cometeu suicídio. Mas para o ex-oficial da SS Rochus Misch, as memórias continuam vivas mais de 60 anos após o término da 2a. Guerra Mundial.

"Havia uma saleta de trabalho, uma sala de estar, quarto, WC, chuveiro... e nada mais", disse Misch, única testemunha ainda viva dos últimos 15 dias da vida de Adolf Hitler, descrevendo o espaço subterrâneo onde o líder nazista se refugiou.

Olhando para o estacionamento que hoje recobre o bunker, Misch recordou o tempo em que trabalhou ao lado do Fuehrer, nos dias que antecederam o fatídico 30 de abril de 1945.

O berlinense Misch, que hoje tem 88 anos, serviu Hitler durante toda a 2a Guerra Mundial, como guarda-costas e telefonista. Mas quando o 3o. Reich chegou ao fim, Hitler se refugiou no abrigo subterrâneo debaixo de sua chancelaria e demitiu a maior parte de seus funcionários mais próximos, conservando apenas aqueles cujos serviços eram considerados essenciais -- um dos quais era Misch.

"Já esperávamos por aquilo. Hitler nos mandou embora em 22 de abril. Eu estava aqui em Berlim... e continuamos firmes até o 30 de abril", disse ele.

O relato que Misch faz dos últimos dias de vida de Hitler já foi aperfeiçoado, depois de ser repetido durante anos. As respostas que ele dá às perguntas feitas às vezes se desviam por tangentes, mas seus sentimentos transparecem com clareza, especialmente em relação às descrições posteriores feitas dos acontecimentos daquela primavera alemã.

"Hitler não ficou vegetando no bunker desde fevereiro daquele ano, como a imprensa costuma escrever", disse ele. "Ele sempre saía e ia para seu apartamento, e eu ia a meu quarto. Ele descia para o bunker quando havia um aviso de ataque aéreo, então eu descia com ele".

A noiva de Hitler, Eva Braun, com quem o Fuehrer se casou dois dias antes da morte dos dois, também se mudou para o bunker, diz Misch.

"Nas últimas semanas Eva veio, e eles passaram os últimos 12 dias ali embaixo".

TESTEMUNHA ATÉ O FIM

Vestido com um casaco, cardigã e jeans preto, Misch enfrentou uma barreira de jornalistas no lugar do bunker, onde uma sociedade histórica inaugurou a primeira placa indicando a localização do abrigo subterrâneo de Hitler.

"Herr Misch é a última pessoa ainda viva que passou os últimos 15 dias no bunker e acompanhou o fim (de Hitler)", disse o historiador Ditmar Arnold, diretor da organização Submundos de Berlim, responsável pela placa.

Na década de 1980, o governo alemão oriental encheu o bunker de cascalho e construiu um estacionamento sobre ele. Não restou nenhum vestígio do bunker, nem da monumental Chancelaria do Novo Reich, construída por Albert Speer, que ficava nas proximidades.

Misch saudou a placa inaugurada, esperando que ela lhe poupe do assédio de centenas de jornalistas, historiadores e arquivistas interessados em ouvir suas memórias do homem responsável pelo Holocausto.

"Houve duas testemunhas", contou. "Nós fomos os observadores que vimos e ouvimos tudo o que aconteceu ali embaixo".

Misch e o mecânico Johannes Hentschell foram duas das últimas pessoas que permaneceram no bunker quando as tropas soviéticas invadiram Berlim. Mais tarde, ele foi capturado pelos russos e encarcerado. Em 1954, foi libertado e retornou à Alemanha.

Sua história se tornou muito conhecida na esteira do filme "A Queda", de 2004, que relata os últimos dias da vida de Hitler.

Mas Misch ainda é uma figura polêmica na Alemanha, graças a sua lealdade obstinada à memória do homem responsável pela morte e perseguição de milhões de pessoas.

Misch, que tanto testemunhou, ainda é assombrado por imagens do passado: como as mortes dos seis filhos do ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels.

"Os filhos de Goebbels foram preparados para morrer em meu quarto. Sei tudo sobre isso. Frau (Magda) Goebbels não poderia prepará-los onde eles dormiam, ainda havia gente ali... então ela desceu para o bunker -- ninguém ia ali -- e ela preparou as crianças para morrerem em paz. Isso aconteceu no meu quarto".

Misch foi criticado por pedir uma placa em comemoração às crianças -- Helga, Hilde, Helmut, Hedda, Holde e Heide -- e ainda parece sentido pela lembrança dos dias que antecederam à morte das crianças por envenenamento.

"Foi um drama tão grande, houve lágrimas, vocês não podem imaginar", disse.

Embora os detalhes do suicídio de Hitler sejam conhecidos, o relato de Misch ainda é terrível. Em 22 de abril de 1945, uma mensagem interceptada dos Aliados convenceu Hitler que o fim estava próximo. Ele então buscou conselho sobre como cometer suicídio, temendo cair nas mãos dos russos, que já estavam às portas de Berlim.

Seu pastor-alemão Blondi foi sacrificado a fim de testar se as cápsulas de cianureto que Hitler planejava usar eram genuínas.

"Em 22 de abril, ele declarou definitivamente um fim: 'A guerra está perdida. Todos vocês podem confiar que eu nunca sairei de Berlim"', lembrou Misch.

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