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 Internacional

22/08/2006 - 14h56
Gênio russo da matemática esnoba medalha comparável a Nobel

Por Ben Harding

MADRI (Reuters) - A maior celebridade mundial da matemática desprezou na terça-feira o prêmio mais importante da área, aparentemente ressentido pelo tratamento que diz receber dos outros intelectuais.

O russo Grigory Perelman ficou em casa, em São Petersburgo, enquanto os grandes gênios da matemática se reuniam em Madri para o congresso da União Matemática Internacional, que ocorre a cada quatro anos.

Perelman, de 40 anos, que tem fama de recluso, deveria receber uma medalha Fields, conhecida como o "Prêmio Nobel" da matemática, por ter solucionado a conjectura de Poincaré --um dilema sobre as propriedades das esferas que vinha desafiando os matemáticos há mais de um século.

Os motivos da recusa de Perelman não tinham sido esclarecidos, embora a imprensa tenha afirmado que ele estava chateado por não ter sido reeleito membro do Instituto Matemático Steklov, de São Petersburgo, em dezembro.

John Ball, presidente da Comissão da Medalha Fields, disse em entrevista à imprensa que passou dois dias em São Petersburgo tentando convencer Perelman a aceitar o prêmio.

Ball disse que a recusa estava "centrada em sua sensação de isolamento da comunidade matemática". "Em conseqüência, ele não quer ser destaque dessa comunidade."

Perelman não deu declarações sobre o assunto.

A conjectura de Poincaré é tão difícil que o Instituto de Matemática Clay, dos Estados Unidos, classificou-a como um dos sete Problemas do Milênio em 2000, prometendo 1 milhão de dólares em recompensa para quem solucionasse algum deles.

"São como enormes paredes, sem nenhum lugar onde se possa segurar. Não faço idéia de como chegar ao topo", disse Terence Tao, que ganhou uma medalha Fields na terça-feira, junto com Perelman e dois outros matemáticos.

Perelman é a única pessoa a ter solucionado um dos Problemas do Milênio, e sua teoria está prestes a ser verificada por três equipes que estão encerrando um ano de testes, disse Ball à Reuters.

Ainda não se sabe se ele vai aceitar o prêmio de 1 milhão de dólares do Instituto Clay, mas Tao não tem dúvida de que os dois prêmios são merecidos.

"É uma conquista fantástica, o mais merecedor de todos nós na minha opinião", disse o australiano de 30 anos de idade.

(Reportagem adicional de Denis Pinchuk, em São Petersburgo)

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