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 Internacional

04/12/2006 - 08h07
Chávez é reeleito presidente da Venezuela

Por Enrique Andrés Pretel e Alejandro Lifschitz
Reuters
Em Caracas

A ERA CHAVEZ NA VENEZUELA
EFE
 
1992: é preso por coordenar tentativa de golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez
1994: é solto após o perdão presidencial do sucessor de Pérez, Rafael Caldera
1998: com 56% dos votos, é eleito presidente
1999: por meio de referendo popular, consegue autorização para convocar Assembléia Constituinte. Novo referendo, no mesmo ano, aprova a nova Constituição
2000: mais um referendo popular lhe concede mais seis anos no poder
2002: sofre tentativa de golpe e chega a ser deposto por um dia, mas volta ao poder
2004: povo apóia, em plebiscito, sua permanência no governo até o fim de seu mandato
2006: é reeleito para mais seis anos de mandato e já fala em alterar Constituição para aprovar reeleições sucessivas
O presidente Hugo Chávez foi o grande vencedor do pleito venezuelano de domingo, reelegendo-se por mais seis anos com a promessa de aprofundar sua "revolução socialista" e de seguir combatendo o "imperialismo norte-americano".

Com 78,31 por cento das urnas apuradas, Chávez alcançava 61,35 por cento dos votos válidos, frente aos 38,39 por cento do principal candidato da oposição, Manuel Rosales, que reconheceu a derrota.

"Hoje começa uma nova época...,que terá como idéia central...o aprofundamento, a ampliação, a expansão da revolução bolivariana", disse o presidente, a partir de uma varanda do palácio presidencial, a uma multidão que o aclamava sob chuva, com gritos de "uh, ah, Chávez não se vá".

Chávez, que desde que chegou ao poder superou diversas crises políticas e uma tentativa de derrubá-lo, recebeu durante a campanha o respaldo de líderes importantes da região, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do argentino Néstor Kirchner, que telefonou para parabenizá-lo logo depois da divulgação da vitória.

Mas o triunfo do "Comandante" é uma má notícia para Washington, que o considera uma influência negativa para o continente.

"Demos hoje outra lição de dignidade ao império norte-americano, é outra derrota para o império de "mister Danger (senhor perigo)", afirmou Chávez, usando o apelido com o qual se refere ao presidente norte-americano, George W. Bush, depois de dedicar sua vitória ao povo de Cuba e ao seu amigo Fidel Castro.

Os contatos de Chávez com países como Irã e Síria também incomodam a Casa Branca, que no último ano teve que digerir as vitórias eleitorais do esquerdista Evo Morales na Bolívia, do sandinista Daniel Ortega na Nicarágua e do nacionalista Rafael Correa no Equador.

A ALEGRIA DOS SIMPATIZANTES
Reuters
Do palácio de Miraflores, Chavez acena após a confirmação de sua reeleição
Reuters
Venezuelanos comemoram o resultado
Divulgação/EFE
Chavez observa a multidão em frente
ao palácio Miraflores, em Caracas
Reuters
Soldados responsáveis pela segurança do palácio Miraflores festejam a reeleição
FOTOS DAS REAÇÕES AO RESULTADO
VÍDEO SOBRE A REELEIÇÃO
Chávez, que conta com o apoio dos setores mais pobres do país exportador de petróleo, adiantou na semana passada que uma de sua primeiras medidas no governo será impulsionar uma reforma constitucional, em que pretende mudar a estrutura do Estado e permitir assim a reeleição presidencial indefinida.

Para surpresa de muitos, Rosales, governador do Estado produtor de petróleo Zulia, não lançou acusações de fraude eleitoral, como aconteceu depois da vitória de Chávez no referendo de 2004 sobre seu mandato, e cujo resultado nunca foi reconhecido pelos opositores.

"Nós reconhecemos que hoje nos venceram, mas seguimos na luta", disse o ex-candidato, depois que a autoridade eleitoral anunciou os resultados preliminares. Ele prometeu encabeçar a oposição contra o mandatário esquerdista, a quem acusa de querer implementar um regime comunista no país.

A Organização dos Estados Americanos (OEA), que mandou dezenas de observadores para a Venezuela, disse que eleição foi pacífica. Opositores afirmaram que, apesar de algumas pequenas irregularidades, o processo foi "satisfatório".

"O dia transcorreu de forma impecável, de forma bonita", declarou o general Wilfredo Silva, encarregado da segurança nas eleições.

Os venezuelanos tiveram que ter paciência para enfrentar as longas filas para votar, que se transformaram em ambientes festivos. Muitas famílias e grupos de amigos se reuniram na frente de postos eleitorais, conversando e comendo biscoitos com café.

No início da noite, simpatizantes do governo festejavam a vitória com barulho nas ruas de Caracas, considerada uma das cidades mais perigosas da América Latina devido a altos índices de criminalidade.

FESTA "VERMELHA"

Chávez, que surpreendeu os venezuelanos ao chegar para votar guiando um "Fusca" vermelho, disse em seu discurso da vitória que a "nova era é a nova sociedade socialista; essa nova era é a nova economia socialista; essa nova era é a que anunciava Simón Bolívar em 1819, uma Venezuela onde reine a igualdade e a liberdade".

Com os cofres cheios graças às exportações de petróleo, o presidente de 52 anos ganhou o apoio de eleitores dos setores mais pobres da população através de planos sociais que críticos garantem ser ineficientes.

Os adversários insistem em denunciar que Chávez é um "ditador", que desde a posse em 1999 vem acumulando poder absoluto. Os chavistas dominam a Assembléia Nacional unicameral, a hierarquia do poder judicial, a autoridade eleitoral e os organismos de controle do Estado.

Rosales, de 53 anos, conseguiu aglutinar sua candidatura, frente a uma oposição fragmentada. Com discurso populista, prometeu repartir o petróleo entre os pobres e ressaltou a falta de segurança, o desemprego e a política oficial de venda de petróleo barato a Cuba e outros países.

Apesar da bonança econômica no país, incentivada pelos altos preços internacionais do petróleo, dois de cada três dos 27 milhões de venezuelanos vivem abaixo da linha da pobreza, segundo dados privados.

(Com reportagem de Ana Isabel Martínez, Fabián Andrés Cambero, Deisy Buitrago e Patricia Rondón)

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