UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA


 Internacional

11/04/2007 - 14h01
Autotransplante ajuda a tratar diabete, mostra estudo da USP

Por Maggie Fox

WASHINGTON (Reuters) - Células-tronco retiradas de pacientes de diabete foram capazes de "reiniciar" os sistemas imunológicos deles, permitindo que 14 entre os 15 observados passassem meses e até anos sem precisar de insulina, mostrou um estudo de pesquisadores norte-americanos e da Universidade de São Paulo publicado na edição de terça-feira do Journal of the American Medical Association (Jama).

Os pesquisadores não afirmam ter curado os pacientes, mas dizem que o experimento mostra ser possível ao menos interromper a resposta imune equivocada que destrói as células produtoras de insulina na diabete tipo 1.

"Isso vai gerar polêmica, interesse e entusiasmo," disse numa entrevista por telefone Richard Burt, da Universidade do Noroeste de Chicago.

A diabete tipo 1, também chamada de diabete juvenil, é muitas vezes observada em crianças, e tem causas diferentes da diabete tipo 2, associada à obesidade e ao sedentarismo. A diabete tipo 1 é uma doença auto-imune, causada pela destruição inadvertida das chamadas células ilhotas, do pâncreas, que produzem a insulina. Os pacientes quase sempre têm de tomar insulina diariamente para controlar os níveis de açúcar no sangue.

A equipe de Burt trabalhou com 15 adultos recém-diagnosticados com a diabete do tipo 1. Ele e o dr Julio Voltarelli, da USP, destruíram, com remédios, a medula óssea dos pacientes, zerando seus sistemas imunológicos, segundo descreveram no Jama.

"Não usamos aqueles regimes intensivos que se usa no câncer. É muito menos violento para o corpo -- bem mais tolerável", disse Burt.

Eles filtraram células-tronco adultas do sangue dos pacientes. Essas células, chamadas células-tronco hematopoiéticas, dão origem aos glóbulos brancos do sistema imunológico.

Burt disse que a equipe não fez nada de especial para encontrar tipos específicos de células-tronco. Apenas injetou em cada paciente uma mistura de suas próprias células-tronco, depois de o sistema imunológico ter sido zerado. O método é denominado transplante autólogo não-mieloablativo de células-tronco hematopoiéticas.

O experimento fracassou no primeiro paciente. "Usamos esteróides", disse Burt. Nos 14 seguintes, os esteróides não foram usados.

"Noventa e três por cento dos pacientes obtiveram períodos diferentes de independência da insulina e a toxicidade do tratamento foi baixa, sem mortalidade", escreveram os autores.

Os cientistas acreditam que o tratamento tenha "reiniciado" o sistema imunológico, pelo menos temporariamente, mas não têm provas concretas disso, apenas a indicação dos resultados clínicos.

Um dos pacientes ficou sem insulina por quase três anos, quatro por dois anos e outros por vários meses.

A pesquisa foi financiada pela USP, pelo Ministério da Saúde, pela Fapesp e pelo CNPq, entre outros.

ÍNDICE DE ÚLTIMAS NOTÍCIAS  IMPRIMIR  ENVIE POR E-MAIL

Folha Online
Reforma visual da Folha facilita a leitura; conheça as mudanças
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Chuvas deixam quatro mortos e afetam mais de 4 mil no Paraná
UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA