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17/05/2007 - 14h34
Marginal do Pinheiros é última moda entre construtoras

Por Alice Assunção

SÃO PAULO (Reuters) - A Marginal do Rio Pinheiros, na capital paulista, é o novo objeto de desejo dos investidores imobiliários. Em seu trecho mais nobre, entre as pontes das avenidas Cidade Jardim e Morumbi, há uma disputa por consumidores de altíssima renda, o mesmo público que a boutique VIP Daslu vem atraindo para a região há dois anos.

"A gente acredita que é o novo centro da cidade. Foi a avenida Paulista nos anos 1970 e 80, depois desceu para a avenida Faria Lima. A gente está sentindo que chega agora à Marginal", disse Walter Torre, presidente da WTorre Engenharia, uma das empresas diretamente envolvidas na disputa pelos corações, mentes e cartões de crédito de consumidores milionários.

A corrida do ouro na Marginal começa com um confronto direto entre dois projetos suntuosos.

Do lado direito do ringue --no sentido Interlagos-- deverá estar um shopping center de 280 milhões de reais, assinado pela incorporadora JHSF.

Do lado esquerdo do Rio Pinheiros, o cantinho da Daslu, virá um novo conjunto de lojas de alto padrão, de 200 milhões de reais, construído pela WTorre em parceria com a Iguatemi, responsável pelo primeiro shopping chique da cidade que leva o mesmo nome, ainda símbolo da Faria Lima. A Iguatemi é uma empresa do grupo Jereissati.

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), vê com bons olhos a abertura dos novos shoppings na cidade.

"Eu só acredito que o consumidor ganha quando há concorrência", disse. "Isto só vem acrescentar. Além de sermos uma cidade receptiva para eventos de negócios, agora teremos também uma indústria turística inegável, com opções que temos fora do país", afirmou Burti.

O Shopping Cidade Jardim da JHSF seguirá o modelo do Bal Harbour, de Miami, e será o primeiro de São Paulo a céu aberto, com as vitrines das 180 lojas de grife fazendo frente para jardins.

"O shopping é um empreendimento para uma região com vista privilegiada", disse Eduardo Silveira Camara, vice-presidente da JHSF.

MORAR E COMPRAR

A JHSF também está erguendo, no mesmo espaço, um condomínio residencial com nove torres chamado Parque Cidade Jardim. Os apartamentos, que variam de 236 a 1.700 metros quadrados, custarão entre 1,5 milhão de reais e 10 milhões de reais.

"Ele inova em tudo, é o maior empreendimento imobiliário desde 1985. Atenderá a um público com um poder aquisitivo que representa quase cinco por cento do PIB. É morar num jardim e ter vista para cidade", acrescentou o vice-presidente da incorporadora.

Segundo a assessoria da JHSF, serão investidos, no total, 1,5 bilhão de reais no complexo residencial e comercial. Os planos envolvem ainda a construção de três edifícios comerciais e um hotel.

"A Marginal do Pinheiros está se incorporando à escala metropolitana. O projeto potencializa duas vocações: a de um bairro residencial de alto padrão e a de uma região comercial. Ele harmoniza bem o trabalhar e o morar", disse o arquiteto Pablo Slemenson, envolvido no empreendimento da JHSF.

APENAS O COMEÇO

Depois de cuidar da instalação dos dois templos do consumo de luxo, o mercado imobiliário deve seguir rio acima. Quem passa pela Marginal do Pinheiros percebe as demolições de antigas fábricas.

Só a WTorre tem oito projetos de construção de prédios comerciais às margens do Pinheiros, na altura do Morumbi.

"Nós compramos o terreno em frente ao Shopping Morumbi. E depois nós temos a torre Nações Unidas que é muito próxima à estação (de trem) Pinheiros. A gente acredita que o grande desenvolvimento vai ocorrer neste pedaço, do Shopping Morumbi até a Avenida Eusébio Matoso", acrescentou Walter Torre.

A construtora WTorre já adquiriu cerca de 370 mil metros de área útil para a construção de edifícios comerciais na Marginal do Pinheiros e começou a levantar as primeiras paredes de dois edifícios.

LIMITE VIÁRIO

A visão de novo centro comercial não é a mesma para o trecho da Marginal do Pinheiros que abrange a região de Interlagos. O presidente da WTorre avalia que o maior empecilho para a construção de novos centros comerciais na área são as limitações do sistema viário. Mas o empresário, sem mostrar interesse, considera o local bom para o tipo adequado de empreendimento imobiliário.

"Eu acredito muito naquela região como área residencial. Mas nosso negócio é corporativo", disse ele.

Para urbanistas, a promoção da Marginal do Pinheiros a um status de zona VIP da cidade pode causar problemas típicos de congestionamento.

"O fato de ser de luxo significa que os usuários vão de automóvel. Na região temos a opção do trem, mas é evidente que esse tipo de consumidor não vai usar esse transporte. Isso significa um aumento maior do tráfego de veículos na Marginal, que já é congestionada", observou o urbanista Cândido Malta Campos, professor da USP.

Mesmo assim, pelo que indicam os planos dos grande agentes imobiliários de São Paulo, o progresso da cidade seguirá via Marginal do Pinheiros.

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