UOL Notícias Cotidiano
 

01/06/2009 - 19h53

Aeronáutica trabalha com possibilidade de encontrar sobreviventes; piloto da TAM disse ter visto 'pontos laranja' sobre o mar

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília*
Atualizada às 21h03

Fernando de Noronha recebe
280 homens da Marinha

O vice-chefe do Centro de Comunicação da Aeronáutica, Jorge Amaral, afirmou no início da noite desta segunda-feira (1º) que os trabalhos de busca da aeronave que desapareceu durante um voo entre o Rio de Janeiro e Paris estão sendo feitos com a hipótese de encontrar sobreviventes. A área da busca tem cerca de 120 km², segundo a FAB.

"Temos que trabalhar com a possibilidade de sobreviventes sempre. Não podemos desistir, medir qualquer esforço de encontrar qualquer pessoa que seja, agarrada a algum pedaço de algo que flutue", disse. "Dependendo do que encontrarmos, podemos lançar boias, botes, ou alguma coisa que possa contribuir. O principal agora é encontrar." Questionado sobre a possibilidade de o avião ter conseguido pousar, o coronel considerou "difícil" fazer a afirmação neste momento.

A rota do voo AF 447

  • Imagem: Força Aérea Brasileira

O coronel Amaral também comentou a informação de que o comandante de uma aeronave teria avistado destroços na região em que o avião da Air France desapareceu. "Houve a informação de uma aeronave da TAM, ao voar aquela região, viu vários pontos laranja sobre o mar, o que ele achou muito estranho. Ao chegar ao Brasil, sabendo o que estava acontecendo, ele acha que podem ser pequenos focos de incêndio sobre o mar."

O vice-chefe de comunicação ressaltou, no entanto, que a informação não pôde ser confirmada pela Aeronáutica do Brasil, porque a visualização ocorreu no espaço aéreo de Dakar e não houve confirmação das autoridades daquela localidade. O avião fazia um voo para o Brasil, e os supostos focos de incêndio teriam sido visualizados cerca de 10 minutos antes da entrada no espaço aéreo brasileiro.

No Rio de Janeiro, o presidente em exercício, José Alencar, afirmou ter recebido informações "muito vagas" sobre esse relato.


Busca noturna
A Aeronáutica decidiu realizar durante o período noturno buscas para encontrar o Airbus A 330. Duas aeronaves realizarão as buscas durante a noite. Um avião Hércules (C-130) decolou de Natal (RN) e já seguiu para a área de busca, para fazer a varredura eletrônica, com o uso de radar, na mesma rota seguida pela aeronave francesa.

O trabalho desta aeronave será feito com a equipe do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (Parasar), unidade de elite para operações de busca e resgate.


Outra aeronave, um R-99, versão de busca e reconhecimento do jato EMB 145, fabricado pela Embraer, realizará buscas usando radar e também infravermelho, caso as condições de tempo permitam. O infravermelho detecta diferença de temperatura entre objetos, mas fatores como a ocorrência de neblina podem interferir neste trabalho.

"Vamos ficar a madrugada inteira fazendo buscas e continuar amanhã. Já estão planejadas decolagens de madrugada para chegar ao local no nascer do sol", afirmou o vice-chefe do centro de comunicação social da Aeronáutica.

Chegam agora a oito o número de equipamentos brasileiros disponibilizados para tentar encontrar o Airbus desaparecido. A ilha de Fernando de Noronha está sendo usada como base para os trabalhos de busca.

Um avião Hércules C-130, que estava em Las Palmas, com destino à Europa, e havia sido acionada para ajudar nos trabalhos, teve sua missão suspensa, depois que a França enviou duas aeronaves de reconhecimento em direção à área onde supostamente o Airbus teria desaparecido. Eles não atuarão durante a noite. A Espanha também deslocou dois aviões para colaborarem com as buscas.

A Força Aérea norte-americana, de acordo com Amaral, também enviou uma aeronave para Fernando de Noronha. O governo norte-americano disponibilizou pessoal e equipamentos do Comando Sul, sediado no Panamá.

  • AP

    Airbus A330-200 saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris

A Marinha enviou três navios para auxiliar a Força Aérea Brasileira. As três embarcações são o navio-patrulha Grajaú, que partiu de Natal, a fragata Constituição, que saiu de Salvador, e a corveta Caboclo, que saiu de Maceió. Os navios são normalmente utilizados em operação de busca e salvamento.

Segundo o Centro de Comunicação da Marinha, os navios devem demorar para chegar à região do último contato do avião, que ocorreu a cerca de 770 km de Fernando de Noronha, a região informada pela Aeronáutica para o início das buscas, segundo a Marinha. O primeiro navio deve chegar à área na quarta-feira (3/6), às 7h.

As aeronaves
Segundo a FAB, as aeronaves envolvidas na busca são:

- 1 avião Bandeirante de patrulha marítima (P-95 7100), que realiza busca na rota do voo AFR 447;

- 1 helicóptero Blackhawk (H-60 8906), disponibilizado para resgate;

- 1 aeronave Bandeirante SAR (SC-95 6545), em deslocamento para Natal (RN);

- 1 aeronave Amazonas (SC-105 2810), em deslocamento para Recife (PE);

- 1 helicóptero Super Puma (H-34 8731), em deslocamento para Natal (RN);

- 1 aeronave Hércules (C-130 2474), que decolou de Natal (RN) e prosseguiu para a área de busca, com a equipe do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (Parasar), unidade de elite para operações de busca e resgate. Essa aeronave realizará voos no período noturno, realizando busca eletrônica e visual;

- 1 aeronave R-99, versão militar de do jato EMB 145, que realizará buscas com radar no período noturno e, caso as condições sejam favoráveis, com equipamento infravermelho

- 1 aeronave Hércules (KC-130 2462), que decolará do Rio de Janeiro na madrugada e chegará ao local para iniciar as buscas no nascer do sol0

O acidente
A aeronave da Air France decolou do aeroporto do Galeão às 19h30 (horário de Brasília). Às 22h33, o avião realizou o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta 3), quando estava a cerca de 565 km de Natal (RN), informando que ingressaria no espaço aéreo de Dakar, no Senegal (a 1.228 km de Natal RN), às 23h20.

Às 22h48, quando a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta 3, as informações indicavam que a aeronave voava normalmente a 35.000 pés (11 km de altitude) e a uma velocidade de 840 km/h.

Às 23h20, a aeronave da Air France não efetuou o contato via rádio previsto com o comando de voo de Dakar, segundo nota divulgada pelo Ministério da Defesa brasileiro.

De acordo com a Air France, a aeronave atravessou uma zona de tempestade com fortes turbulências às 23 horas (horário do Brasil). Uma mensagem automática foi recebida às 23h14 indicando uma pane do circuito elétrico numa zona afastada da costa.

* Colaborou a redação do UOL Notícias, em São Paulo. Com informações da Agência Brasil

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