UOL Notícias Cotidiano
 

01/06/2009 - 11h47

Para meteorologista, hipótese de raio é improvável

Daniela Paixão
Do UOL Notícias
Em São Paulo
De acordo com o meteorologista do Tempo Agora, Celso Oliveira, é pouco provável que um raio tenha provocado a queda do avião da Air France. A aeronave desapareceu dos radares quando voava do Rio de Janeiro a Paris, na madrugada desta segunda-feira, 1º de junho.

Segundo Oliveira, se considerarmos as outras regiões do Brasil, as descargas elétricas (raios) não são comuns na costa do nordeste brasileiro.

Ainda de acordo com o meteorologista, a costa do nordeste sofre, desde fevereiro, a ação da chamada Zona de Convergência Intertropical, (ZCTI), responsável por áreas de instabilidade e chuvas.

Entretanto, lembra que as aeronaves voam, na grande maioria das vezes, acima das nuvens, ou seja, fora dessa área de instabilidade, o que dificultaria a possibilidade de o avião ter enfrentado nuvens de tempestade no local.

Para Oliveira, ainda não é possível saber muita coisa, mas a hipótese do raio seria o "azar do azar".

Fenômemo raro

O coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Inpe, Osmar Pinto Júnior, explicou que as descargas elétricas na região de Fernando de Noronha são monitoradas por imagens de satélites e pela Rede Mundial de Monitoramento de Raios (WWLLN - World Wide Lightning Location Network).

Segundo ele, as primeiras informações apontam que por volta das 22h30 e 23h da noite desse domingo, 31 de maio, o avião sobrevoava uma região onde, de acordo com as imagens do satélite e a WWLLN, realmente havia uma situação de tempestade bem caracterizada.

Mesmo assim, o coordenador do Elat acha muito pouco provável que uma descarga elétrica normal provocasse um acidente com a aeronave.

Voo AF- 447 - Rio-Paris

  • Gonzalo Fuentes/Reuters

    Parentes e amigos de passageiros do voo AF-447 chegam a centro de crise montado no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris


Considerando que o avião estivesse voando sobre a área de instabilidade, seria necessário que um raio saísse do topo da nuvem em direção à atmosfera para atingi-lo.

Uma possibilidade, segundo Osmar Pinto Jr, muito pequena: "não é possível precisar isso em números, seria como se fossemos falar, vulgarmente, numa situação de uma chance em um milhão".

"É mais provável que algum problema tenha afetado a aeronave e feito com que ela baixasse a altitude e passasse a voar sobre a área de instabilidade forte, mas aí são só considerações, hipóteses, não dá para falar".

De acordo com o coordenador do Elat, nos últimos 20 anos, em todo o mundo, não existe registro de que uma aeronave tenha caído em decorrência de uma descarga elétrica, "são três ou quatro situações suspeitas, mas nada confirmado".

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