UOL Notícias Cotidiano
 

02/06/2009 - 14h55

Navios mercantes chegam ao local onde Aeronáutica encontrou destroços de avião

Claudia Andrade e Guilherme Balza*
Do UOL Notícias
Em Brasília e em São Paulo

Dois navios mercantes estão no local onde foram avistados objetos que poderiam ser destroços do A330 da Air France que desapareceu durante voo entre o Rio de Janeiro e Paris. Um terceiro navio mercante também foi desviado para o local. As três embarcações são de bandeira estrangeira (duas da Holanda e uma da França), e o desvio foi possível devido a acordos internacionais.

A Marinha enviou cinco navios para o local, sendo um deles um navio tanque que dará apoio aos demais, mas que deve chegar ao local somente no sábado (6). O primeiro navio enviado pela Marinha, o Patrulha, deve chegar à região dos destroços por volta das 9h desta quarta-feira (3), de acordo com a assessoria da Marinha. Os navios mercantes estão no local exclusivamente para encontrar possíveis vítimas. O manuseamento dos destroços será feito somente pelos navios da Marinha.

Caso encontre algum dos objetos que foram visualizados pelos aviões da Aeronáutica, os navios mercantes podem identificar o tipo de material e passar a informação para os órgãos oficiais. A entrega dos objetos, no entanto, será feita apenas quando o navio da Marinha chegar ao local.

Um navio francês equipado com dois mini-submarinos capazes de realizar buscas em grandes profundidades foi enviado à região do oceano Atlântico em que o Airbus da Air France com 228 pessoas a bordo teria desaparecido, de acordo com fontes do ministério dos Transportes da França. As informações são da agência de notícias francesa AFP.

Batizado de "Pourquoi Pas" (em português, "Porque não"), os mini-submarinos auxiliarão nas buscas realizadas pelas forças aéreas e marinhas francesa e brasileira para tentar localizar as caixas-pretas do Airbus. Os equipamentos conseguem trabalhar em uma profundidade de até 6.000 m. Segundo peritos navais franceses, a profundidade máxima da área onde o avião teria desaparecido é de 4.700 m.

Condições climáticas e marítimas são favoráveis
De acordo com Henrique Afonso, tenente do Comando do 3º Distrito Naval da Marinha de Natal, o navio mercante francês passou informações sobre as condições marítimas e climáticas da região por volta de 1h de hoje. "Eles informaram que a temperatura da água é de aproximadamente 30ºC, a visibilidade e o tempo são bons, as ondas não estão altas - em torno de 1,5 m e 2 m - e o vento, de aproximadamente 15 nós, não é forte".

Essas condições, segundo o tenente, são bem favoráveis à permanência de pessoas no mar. Ele não descarta a possibilidade de encontrar sobreviventes do voo AF 447. "É possível que existam sobreviventes. Não podemos abandonar a possibilidade", diz.

Henrique afirma, ainda, que há casos de pessoas que foram resgatadas após ficarem mais de 30 horas no mar. "Aqui no Rio Grande do Norte mesmo temos dois casos recentes de pessoas que estavam em um naufrágio e foram resgatadas. Se a pessoa conseguir algo para se apoiar, sua chance de sobreviver aumenta muito".



Um navio da Marinha saiu de Natal, mas só deve chegar à região onde as partes foram localizadas amanhã pela manhã. De acordo com o tenente, nesse tipo de ocorrência o resgate é feito com barcos menores que ficam no navio. "Uma embarcação menor vai até o local com um mergulhador a bordo para fazer o resgate", diz.

A Aeronáutica confirmou ter encontrado uma poltrona de avião, pequenos pedaços brancos, uma boia laranja, um tambor e vestígios de óleo e querosene boiando a 650 km a nordeste de Fernando de Noronha. Segundo o coronel Jorge Amaral, o material foi encontrado pela aeronave C-130 em dois pontos diferentes distantes 60 km um do outro, às 6h49 desta terça-feira.

O coronel não confirma que os objetos pertencem ao Airbus A330 da Air France que desapareceu na segunda-feira sobre o Atlântico com 228 pessoas a bordo, quando viajava do Rio de Janeiro para Paris. Segundo Amaral, as peças precisam conter o número de série relativo ao Airbus desaparecido.

"Ainda não dá para confirmar se o que foi encontrado pertence à aeronave desaparecida. A prioridade agora é resgatar alguns desses resquícios que foram encontrados para saber se são ou não do avião da Air France", disse Amaral.

Apesar de grande profundidade, caixa-preta deve estar intacta, diz especialista


O Airbus A330 que fazia o voo AF 447 Rio de Janeiro-Paris decolou no domingo à noite do aeroporto Tom Jobim e deveria ter pousado no fim da manhã de segunda-feira (hora de Paris) no aeroporto Charles de Gaulle de Paris, com 216 passageiros e 12 tripulantes a bordo. A diretora da Air France no Brasil, Isabelle Birem, afirmou que a lista dos passageiros do voo AF 447 deverá ser divulgada nesta quarta-feira (3).

O Breguet Atlantique 2, um aparelho da patrulha marítima francesa, opera em uma área onde um piloto da TAM afirmou ter visto manchas de cor laranja na superfície do mar, explicou o capitão Christophe Prazuck.

Em nota divulgada na madrugada de hoje (2), o Comando da Aeronáutica informou ter checado as informações passadas pela TAM sobre indícios de "pontos luminosos" sobre o mar na rota inversa do voo AF 447.

Possíveis causas do acidente
O exame dos dados enviados automaticamente pelo Airbus revelou, segundo Gourgeon, uma "sucessão de dez mensagens técnicas" por volta das 4h15, hora de Paris (23h15 de Brasília), indicando que "vários equipamentos tinham entrado em pane", o que provocou "uma situação totalmente inédita no avião". Segundo ele, "é provável que logo após essas mensagens tenha ocorrido o impacto no Atlântico".

O diretor-geral da Air France acrescentou que, "pouco antes dessas mensagens, a aeronave enfrentou turbulências significativas", mas não quis estabelecer uma "ligação direta" entre as condições meteorológicas e as mensagens técnicas. Segundo ele, "o avião está equipado com balizas de socorro que podem emitir sinais por vários dias e permitir que seja localizado".



Providências no Brasil
Segundo a Air France, dos 228 que estavam no avião, 216 eram passageiros, incluindo um bebê, além de sete crianças, 82 mulheres e 126 homens. Entre os brasileiros estavam o príncipe Pedro Luis de Orleans e Bragança, o chefe de gabinete da Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Parente, e o presidente da Michelin - multinacional francesa do ramo de pneus - para a América do Sul, Luís Roberto Anastácio.

De acordo com a companhia, o comandante da aeronave é francês e possui 58 anos. Entrou na Air France em 1988 e possui 11.000 horas de voo, das quais 1.700 em Airbus A330/A340. Os dois oficiais pilotos (co-pilotos) são franceses, possuem 37 e 32 anos e entraram na companhia entre 1999 e 2004, respectivamente. Um deles possui 6.600 horas de voo (2.600 em Airbus A330/340) e o outro 3.000 horas (800 em Airbus A330/340). Entre os comissários de bordo, 5 são franceses e um brasileiro.

No Rio de Janeiro, o presidente em exercício, José Alencar, encontrou-se com familiares de passageiros e afirmou que o governo brasileiro está à disposição. Em San Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou o desaparecimento. "Nessas horas não existe outra coisa, a não ser lamentar profundamente e desejar pra família muita força. Porque nessa hora não existe palavra."

Em nota, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que a partir de hoje a central da Air France de atendimento aos familiares dos passageiros funcionará somente no hotel Windsor, na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro). As famílias dos passageiros continuam chegando ao hotel Windsor na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. Um ônibus com 23 voluntários franceses chegou hoje ao hotel para amparar e prestar solidariedade aos parentes e amigos dos passageiros e tripulantes

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que as esperanças de encontrar sobreviventes são "muito fracas" e que não se sabe o que aconteceu com o voo. A Air France possui a lista dos passageiros, mas informou que só a divulgará após a checagem das nacionalidades. Alguns dos passageiros optaram por não informar telefones no cartão de embarque, o que dificulta o contato com as famílias, segundo a Anac.

A França pediu ajuda ao Pentágono para tentar localizar o Airbus. Segundo a agência France Presse, o Ministério da Defesa solicitou que o governo norte-americano utilize seus satélites de observação que cobrem a área em que a aeronave desapareceu.

Mensagem apontou falha elétrica
O voo AF 447 da Air France decolou do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, com destino ao aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Às 23h14 (horário de Brasília) uma mensagem automática indicou problemas no circuito elétrico.

Segundo o diretor de comunicação da Air France, François Brousse, a aeronave "foi provavelmente atingida por um raio". Especialistas divergem sobre as causas do acidente. O último contato feito pelo avião com o controle ocorreu às 22h33.

De acordo com a nota divulgada pela companhia, a última manutenção da aeronave no hangar aconteceu no dia 16 de abril deste ano. O aparelho está equipado com motores General Electric CF6-80E.



*Com informações da AFP, EFE, AP e Agência Estado

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