UOL Notícias Cotidiano
 

03/06/2009 - 15h47

Air France deve confirmar que pane elétrica causou acidente com Airbus, diz especialista

Do UOL Notícias
Em São Paulo (*)
Uma falha grave na parte elétrica do Airbus da Air France ou na manutenção de equipamentos, somadas à turbulência, devem ser confirmadas em breve pela companhia aérea como as causas da queda do avião no oceano Atlântico. A análise foi feita com exclusividade à rádio BandNews FM pelo integrante do comitê de segurança de aeronaves da Agência Federal de Aviação norte-americana, Hans Weber.

Ouça a reportagem de Sheila Magalhães:


Ele investigou as causas dos incidentes envolvendo dois Airbus da companhia aérea australiana Qantas, de modelo idêntico ao que desapareceu dos radares de controle quando fazia o trajeto Rio de Janeiro - Paris no último domingo (31). No total, 228 pessoas estavam a bordo, sendo 216 passageiros e 12 tripulantes.
  • AP

    Airbus A330-200 saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris



Hans Weber explica que esse modelo de Airbus tem a capacidade de conduzir manobras automaticamente a fim de evitar uma queda iminente, e alguns dos aparelhos não permitem que um piloto cancele a atuação desse mecanismo de autoproteção.

Nos dois casos da Qantas, os sensores enviaram informações incorretas aos computadores de voo, o que fez com que o avião automaticamente acionasse medidas de emergência também erradas.

O mesmo deve ter ocorrido com o Airbus da Air France, diz o especialista, com base no que a Airbus e a companhia aérea já têm de informações obtidas em tempo real da hora do voo.

Assim como outros especialistas, Hans Weber afirma que a turbulência sozinha não é capaz de derrubar um avião.

Aeronáutica encontra novos destroços
O vice-chefe do Centro de Comunicação Social da Força Aérea Brasileira (FAB), coronel Jorge Amaral, afirmou na manhã desta quarta-feira que a aeronave R-99 (da FAB) identificou, às 3h40 (horário de Brasília), mais quatro pontos de destroços do Airbus.

Segundo Amaral, foram localizados vários objetos espalhados numa área circular de 5 km de raio, entre eles um de 7 metros de diâmetro e dez objetos metálicos. O avião da Aeronáutica identificou também uma mancha de óleo de 20 km de extensão.

"Ainda não temos essa confirmação de nome da aeronave [da Air France nos destroços encontrados]. Sobre essa peça de 7 metros, pode ser da lateral do avião, um pedaço de asa, qualquer parte de fuselagem, parte da cauda, não sabemos ainda. Porém, um pedaço de 7 metros, aparentemente metálico, é um pedaço considerável."

BUSCAS EM ALTO MAR E FAMILIARES


O coronel afirmou ainda que a Aeronáutica continua trabalhando com a possibilidade de sobreviventes. "Nossa filosofia é continuar. Temos que continuar. Até que a aeronave seja identificada e que a forma de se encontrar destroços indique que é tecnicamente impossível ter sobreviventes, nós vamos sustentar filosoficamente em termos de salvamento que há a possibilidade", afirmou. Já quando questionado sobre a localização de corpos, o coronel disse que "não foram encontrados ainda".

Durante a madrugada, outras cinco aeronaves militares decolaram de Natal (RN) com destino à área de buscas: três C-130 Hércules da FAB, um P-3 Orion da Força Aérea dos Estados Unidos e um Falcon 50 francês. As aeronaves sobrevoarão cada ponto identificado pelo R-99 da FAB, a fim de obter maiores informações dos objetos detectados. Outras 11 aeronaves estão mobilizadas em Natal e em Fernando de Noronha.

Navio da Marinha chega à região dos destroços
O navio patrulha Grajaú, da Marinha do Brasil, chegou antes das 10h na região onde a Força Aérea Brasileira (FAB) localizou os destroços do Airbus, de acordo com informações da FAB. A embarcação está sendo monitorada por aviões da Aeronáutica e até agora não localizou partes da aeronave da Air France. Outros quatro navios da Marinha partiram em direção à região. Além deles, três navios mercantes - dois holandeses e um francês - auxiliam na busca de destroços, segundo o coronel Jorge Amaral.

O navio Grajaú saiu de Natal na manhã de segunda-feira (1º). Já a fragata Caboclo zarpou de Maceió e deve chegar ao ponto indicado por volta de meio-dia de quinta-feira (4). Um terceiro navio, a fragata Constituição, partiu de Salvador e também deve chegar amanhã (4). Ontem, mais dois navios militares foram deslocados para os locais das buscas. Mais uma fragata e um navio-tanque com capacidade para cerca de 4 milhões de toneladas de óleo vão se somar às outras três embarcações.

Cada fragata leva dois mergulhadores preparados para buscas e trabalhos em águas profundas. De acordo com o contra-almirante Domingos Savio Nogueira, o navio-tanque Gastão Mota vai permitir que os navios permaneçam em alto-mar por tempo indeterminado. "Não se sabe ainda quanto tempo esses navios precisarão permanecer numa distância tão longa. E uma hora eles vão precisar ser reabastecidos", disse Nogueira.

  • FAB

    Foto mostra mancha de óleo de 20 km de extensão identificada pela Aeronáutica próximo da região em que caiu o Airbus da Air France com 228 pessoas a bordo


Airbus não cumpriu plano de altitude
Reportagem de Alan Gripp e Igor Gielow na edição desta quarta-feira da Folha afirma que os pilotos do AF 447 não seguiam a altitude prevista em seu plano de voo quando a aeronave foi registrada pela última vez pelo radar de Fernando de Noronha, às 22h48 (horário de Brasília) do domingo.

Para o coronel Jorge Amaral, não é possível afirmar que isso tenha sido a causa do acidente. "Como piloto que sou - e quem é piloto sabe disso - sei que a modificação de nível de voo é comum em qualquer rota. Quando vou ao Rio de Janeiro e encontro pequenas turbulências, por exemplo, eu solicito ao controle subir ou descer de acordo com a minha capacidade (do avião). Isso é normal", disse.

"Essa mudança de nível não acarreta em nada. Uma aeronave como essa, de longas distâncias, faz um procedimento de subida por degraus. Ao sair da origem ela está muito pesada, com muito combustível, e o perfil da aeronave não permite que ela vá para os níveis ideais mais altos de voo. À medida que vai consumindo combustível, ela pode ir subindo para níveis superiores. Isso é perfeitamente normal", acrescentou o coronel.

As famílias dos passageiros que estão hospedadas no hotel Windsor, no Rio de Janeiro, já se mobilizaram para formar uma comissão que acompanhará de perto as buscas e investigações sobre o desaparecimento da aeronave. Elas, no entanto, ainda não falam em pedir indenização à empresa aérea francesa.



(*) Com informações da Agência Brasil

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