UOL Notícias Cotidiano
 

03/06/2009 - 18h07

Nelson Jobim diz que óleo no mar pode indicar que não houve explosão da aeronave da Air France

Do UOL Notícias*
Em São Paulo e Brasília
Atualizada às 20h52

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou em entrevista coletiva em Brasília que a presença de óleo no mar onde foram encontrados destroços do avião que fazia o voo AF 447 da Air France e desapareceu dos radares na noite de domingo (31) pode indicar que não houve explosão antes da queda. "Se temos mancha de óleo é porque o óleo não foi queimado", afirmou o ministro. "A existência de mancha de óleo pode eventualmente excluir explosão".
  • AP

    Airbus A330-200 saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris


Jobim disse que não há dúvidas de que a região da queda da aeronave - que transportava 228 pessoas - foi onde a Força Aérea Brasileira (FAB) encontrou os destroços. O ministro, no entanto, afirmou que nenhum sobrevivente ou corpo foi encontrado no local das buscas.

O ministro lembrou que corpos que ficam no mar podem sofrer duas ações: se o abdômen estiver rompido, o corpo afunda e não retorna mais à superfície; se o corpo estiver com o "abdômen íntegro" pode retornar à superfície após 48 horas do acidente. "Mas há casos de corpos que voltam à superfície apenas seis dias depois", disse Jobim. O ministro afirmou que apenas os corpos que boiarem serão recolhidos. "É muito difícil encontrar corpos que afundam no mar". O ministro lembrou ainda que a região onde os destroços foram encontrados está perto da costa de Pernambuco, região conhecida pela presença de tubarões.

O ministro disse também que a busca por sobreviventes, ou por "restos" - em suas palavras -, continua e que o resgate ficará no local "o tempo que for necessário". "Isso (o prazo de permanência do local) não será decidido pelo ministro da Defesa, mas pelos técnicos da equipe de salvamento da Aeronáutica e da Marinha."
  • Divulgação

    Mapa divulgado pelo ministério da Defesa mostra os locais de busca no ocenao Atlântico. Segundo Nelson Jobim, os destroços estão espalhados e o rastro com as partes formam uma linha de aproximadamente 230 km, considerando as partes que estão mais distantes


Em nota, a Aeronáutica informou que nesta quarta-feira os aviões de busca "completaram uma área de cobertura equivalente a 176.984,37 km2, o que corresponde a cerca de duas vezes o Estado de Pernambuco". Nesta área, continuaram a ser localizados destroços isolados e manchas de óleo. As buscas prosseguirão durante a noite, inicialmente com o avião R-99 e, posteriormente, com aeronaves brasileiras (três C-130 Hércules), uma avião norte-americano (P-3 Orion) e um avião francês (Falcon 50).

Durante a coletiva, o ministro mostrou imagens de satélite em tempo real das aeronaves da FAB e dos navios da Marinha que estão fazendo as buscas de destroços. Jobim também apontou detalhadamente os locais onde foram localizados as partes do avião.

Segundo o ministro, os destroços estão espalhados e o rastro com as partes formam uma linha de aproximadamente 230 km, considerando as partes que estão mais distantes. O trabalho de recolhimento dos destroços será feito somente amanhã, de acordo com o Jobim. A profundidade na região, também de acordo com ele, varia de 2.000 m a 3.000 m.

O ministro reafirmou que as investigações sobre a causa do acidente serão feitas pela França e que as partes do Airbus serão encaminhadas ao governo francês. E disse que o Brasil não irá procurar a caixa-preta do avião. "Não estamos fazendo a busca pela caixa-preta. Isso é de responsabilidade dos franceses".

Air France deve confirmar pane elétrica
Uma falha grave na parte elétrica do Airbus da Air France ou na manutenção de equipamentos, somadas à turbulência, devem ser confirmadas em breve pela companhia aérea como as causas da queda do avião no oceano Atlântico. A análise foi feita com exclusividade à rádio BandNews FM pelo integrante do comitê de segurança de aeronaves da Agência Federal de Aviação norte-americana, Hans Weber.

Ouça a reportagem de Sheila Magalhães:


Ele investigou as causas dos incidentes envolvendo dois Airbus da companhia aérea australiana Qantas, de modelo idêntico ao que desapareceu dos radares de controle quando fazia o trajeto Rio de Janeiro - Paris no último domingo (31). No total, 228 pessoas estavam a bordo, sendo 216 passageiros e 12 tripulantes.

Hans Weber explica que esse modelo de Airbus tem a capacidade de conduzir manobras automaticamente a fim de evitar uma queda iminente, e alguns dos aparelhos não permitem que um piloto cancele a atuação desse mecanismo de autoproteção.

Nos dois casos da Qantas, os sensores enviaram informações incorretas aos computadores de voo, o que fez com que o avião automaticamente acionasse medidas de emergência também erradas.

O mesmo deve ter ocorrido com o Airbus da Air France, diz o especialista, com base no que a Airbus e a companhia aérea já têm de informações obtidas em tempo real da hora do voo.

Sem Sobreviventes, peças e homenagem


Assim como outros especialistas, Hans Weber afirma que a turbulência sozinha não é capaz de derrubar um avião.

Até o momento sabe-se que, além de uma forte turbulência, o avião sofreu despressurização e problemas no circuito elétrico devido a um alerta automático emitido durante o voo.

Aeronáutica encontra novos destroços
O vice-chefe do Centro de Comunicação Social da Força Aérea Brasileira (FAB), coronel Jorge Amaral, afirmou na manhã desta quarta-feira que a aeronave R-99 (da FAB) identificou, às 3h40 (horário de Brasília), mais quatro pontos de destroços do Airbus.

Segundo Amaral, foram localizados vários objetos espalhados numa área circular de 5 km de raio, entre eles um de 7 metros de diâmetro e dez objetos metálicos. O avião da Aeronáutica identificou também uma mancha de óleo de 20 km de extensão.

"Ainda não temos essa confirmação de nome da aeronave [da Air France nos destroços encontrados]. Sobre essa peça de 7 metros, pode ser da lateral do avião, um pedaço de asa, qualquer parte de fuselagem, parte da cauda, não sabemos ainda. Porém, um pedaço de 7 metros, aparentemente metálico, é um pedaço considerável."

O coronel afirmou ainda que a Aeronáutica continua trabalhando com a possibilidade de sobreviventes. "Nossa filosofia é continuar. Temos que continuar. Até que a aeronave seja identificada e que a forma de se encontrar destroços indique que é tecnicamente impossível ter sobreviventes, nós vamos sustentar filosoficamente em termos de salvamento que há a possibilidade", afirmou. Já quando questionado sobre a localização de corpos, o coronel disse que "não foram encontrados ainda".

O navio patrulha Grajaú, da Marinha do Brasil, chegou antes das 10h na região onde a FAB localizou os destroços do Airbus. Uma segunda embarcação, a corveta Caboclo, também já chegou ao local. Elas são monitoradas por aviões da Aeronáutica e até agora não localizaram partes da aeronave da Air France. Dois navios mercantes ajudam nas buscas, já que o terceiro deles, de bandeira holandesa, solicitou deixar a área às 11h, por falta de combustível.

  • FAB

    Foto mostra mancha de óleo de 20 km de extensão identificada pela Aeronáutica próximo da região em que caiu o Airbus da Air France com 228 pessoas a bordo


Airbus não cumpriu plano de altitude
Reportagem de Alan Gripp e Igor Gielow na edição desta quarta-feira da Folha afirma que os pilotos do AF 447 não seguiam a altitude prevista em seu plano de voo quando a aeronave foi registrada pela última vez pelo radar de Fernando de Noronha, às 22h48 (horário de Brasília) do domingo.

Para o coronel Jorge Amaral, não é possível afirmar que isso tenha sido a causa do acidente. "Como piloto que sou - e quem é piloto sabe disso - sei que a modificação de nível de voo é comum em qualquer rota. Quando vou ao Rio de Janeiro e encontro pequenas turbulências, por exemplo, eu solicito ao controle subir ou descer de acordo com a minha capacidade (do avião). Isso é normal", disse.

"Essa mudança de nível não acarreta em nada. Uma aeronave como essa, de longas distâncias, faz um procedimento de subida por degraus. Ao sair da origem ela está muito pesada, com muito combustível, e o perfil da aeronave não permite que ela vá para os níveis ideais mais altos de voo. À medida que vai consumindo combustível, ela pode ir subindo para níveis superiores. Isso é perfeitamente normal", acrescentou o coronel.



* Com informações da Agência Brasil

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