UOL Notícias Cotidiano
 

05/06/2009 - 15h24

Jornalistas franceses criticam "informações imprecisas" e "preconceito" com imprensa estrangeira

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Recife
A operação de buscas dos destroços e corpos dos passageiros do voo AF 447, da Air France, trouxe ao Recife (PE) um batalhão de jornalistas brasileiros e franceses. Nesta sexta-feira (5), pelo menos 20 veículos de comunicação faziam a cobertura da tragédia - desses, três órgãos de imprensa são da França e vieram acompanhar de perto as ações da Aeronáutica e Marinha do Brasil, além de agências internacionais.

  • Carlos Madeiro/UOL

    A equipe francesa que reclama de "informações imprecisas" tem três pessoas e está instalada no Cindacta 3, em Recife (Pernambuco)

Embora o assunto interesse diretamente aos dois países, os jornalistas franceses que estão no Brasil reclamam do que classificam como "preconceito" contra repórteres estrangeiros e divulgação de informações imprecisas.

O repórter francês Benoit Petit, da BFM TV, chegou ao Recife dois dias após o acidente, ocorrido no domingo (31), e citou como exemplo de uma possível discriminação o veto da Aeronáutica à inclusão da TV Francesa na comitiva de jornalistas que foi até o aeroporto Internacional Gilberto Freyre conhecer a aeronave R-99, que utiliza radar para realizar buscas noturnas.

"Não dá para entender o porquê disso. Eles viram aqui [apontando para o crachá, que tinha o nome 'estrangeiro'] e nos proibiram de ir. Essa catástrofe tem grande interesse fora do Brasil também. Tem franceses mortos, o avião era francês. Todos querem informações. Temos outros jornalistas aqui com problemas também de limitações", afirmou o francês.

O tenente-coronel Henry, da Aeronáutica, coordenou a formação da comitiva de imprensa e também vetou a presença de outros jornalistas que estavam sem um crachá de identificação dos respectivos meios de comunicação - o que não era o caso da equipe estrangeira. Mesmo questionado pelos franceses, o tenente-coronel permitiu que o ônibus partisse sem conceder maiores explicações à dupla da BFM TV. "Não culpo esses militares que estão aqui. Mas foi estranho, porque a França passa todas as informações. E nós temos dificuldades em conseguir informações no Brasil", explicou Petit, que vai ficar no Brasil por tempo indeterminado.

A equipe francesa tem três pessoas e está instalada no Cindacta 3 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), em Recife, mas nenhum deles fala português. Apenas Petit fala inglês e espanhol, mas confessa que tem dificuldade de se comunicar com militares e colegas de imprensa.

Grande comoção e falta de cuidado
O jornalista francês questiona também a "falta de cuidado" na liberação de informações pela Aeronáutica. "Primeiro disseram que os elementos encontrados no mar eram do avião. Depois, disseram que não eram. Há uma grande dificuldade nossa em saber no que confiar. Temos versões do acidente muito diferentes", questionou o francês.

Para Petit, os franceses ainda estão muito comovidos com o maior acidente aéreo da história da empresa Air France. "Participamos cinco vezes ao vivo por dia da programação da emissora para dar notícias sobre as buscas dos destroços. Todos querem notícias", disse.

Movimentação intensa no Cindacta
Enquanto recebe dezenas de jornalistas, o Cindacta 3 vive dias atípicos, bem diferentes da rotineira tranquilidade. Por ser o centro de controle aéreo mais próximo do possível local do acidente, a base militar do Recife foi escolhida como centro de divulgação e tem movimentação de jornalistas quase 24 horas por dia.

Único centro de controle aéreo do Nordeste, a ordem no Cindacta 3 é não passar detalhes a nenhum jornalista do que acontece no interior do prédio - que fica ao lado do aeroporto. No local, foi montada uma base militar para receber todas as informações de aviões e navios que participam das buscas, além de fragmentos da aeronave e corpos de passageiros. A movimentação de militares é intensa durante todo o dia, com a presença de dezenas de oficiais do alto comando da Aeronáutica e Marinha.

Um sargento - que pediu para não ser identificado - foi o único que aceitou conversar com a reportagem do UOL Notícias e afirmou que a movimentação é intensa, mas os trabalhos acontecem sob um clima de tranquilidade. "O pessoal do resgate está tendo muito trabalho, e a movimentação é sem dúvida a maior que já vi por aqui. Afinal, nunca tivemos um acidente deste porte no Nordeste. O trabalho está sendo muito difícil, mas todos estão empenhados em conseguir resultados o mais rápido possível", destacou o militar, lembrando, a cada pergunta, que não tinha autorização para conversar com os jornalistas.

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