UOL Notícias Cotidiano
 

08/06/2009 - 16h28

População reclama de lentidão na liberação de corpos e falta de informações no IML do Recife

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Recife
O esquema montado pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) para receber os corpos das vítimas do Airbus A330 da Air France, que caiu no oceano Atlântico no último dia 31, está causando transtorno às pessoas que precisam dos serviços do IML (Instituto de Medicina Legal) do Recife. Segundo familiares, existe demora na liberação dos corpos que chegam para perícia no local - há casos de até dois dias de espera. Além disso, quem procurou informações no fim de semana teve o acesso negado, o que gerou protestos da população. Desde o último sábado, as duas ruas que dão acesso ao prédio do IML estão fechadas. Nesta terça-feira (9), quando devem chegar os corpos de passageiros resgatados no mar, o acesso ao local deve ser novamente limitado.
  • Carlos Madeiro/UOL

    Familiares aguardam liberação de corpo na tarde desta segunda-feira no IML do Recife. Desde o último sábado, as duas ruas que dão acesso ao prédio do IML estão fechadas


Adilson Muniz teve o filho assassinado na noite de sábado e até a tarde desta segunda-feira ainda esperava a liberação do corpo. Chateado com a demora, ele citou que existe uma diferença no tratamento entre ricos e pobres. "Estamos batalhando, mas está muito devagar. Tudo por causa desses passageiros [do voo AF 447]. Se fosse um morto desse avião já teria liberado, tenho certeza", informou.

Outra senhora que não quis se identificar também reclamava na tarde de hoje da demora na liberação de um corpo. "Meu sobrinho veio para cá nesta madrugada e ainda não foi liberado. Não sei dizer se é por causa desse avião, mas está demorando muito", disse ao UOL Notícias.

Quem buscou informações durante o fim de semana também enfrentou problemas, já que o acesso ao IML foi negado pelos policiais que faziam a barreira no local. Neste domingo a estudante Carla de Souza afirma que foi mal atendida pelos policiais. "O IML é um órgão público e eu tenho direito a usar o serviço. Não chegou nenhum corpo desse voo e já estamos sofrendo as consequências", lamentou a jovem, em entrevista a um jornal local.

Atendimento "normal"
Segundo a SDS-PE, "o atendimento no IML está normal". Porém, as autoridades afirmam que pode investigar possíveis "excessos" de policiais envolvidos na operação. "Qualquer pessoa que se sinta prejudicada pode fazer sua queixa à ouvidoria da SDS, que repassará a Corregedoria para as providências cabíveis", diz nota da SDS-PE.

Por conta das críticas da população, a Supervisão Operacional do Gerenciamento de Crises da SDS decidiu recuar o perímetro de segurança da área externa do IML. Em nota, a SDS diz que a ação "visa atender à população que trafega no local. Entretanto, a qualquer momento, com a chegada dos corpos, a via poderá volta ser bloqueada".

O gerente geral de Polícia Científica, Francisco Sarmento, afirma que o único local que passa por adequação é a sala de necropsias específica para o recebimento dos corpos em estado de putrefação. "Esta é uma operação dinâmica, por isso a necessidade da adequação para o atendimento", revelou.

Ainda segundo a SDS-PE, não há previsão exata para a chegada dos corpos no Recife. A operação nas ruas ao lado do IML conta com oito viaturas da Polícia Militar, dois veículos dos Bombeiros, quatro carros e 35 homens da Companhia de Trânsito do Recife.

Queda no movimento
As funerárias localizadas perto do IML reclamam da queda no movimento por conta do esquema montado pela SDS-PE, e confirmam que os corpos estão demorando mais do que o normal para liberação. "A gente ouve que está havendo uma 'operação tartaruga'. E nós aqui tivemos uma queda muito grande. Pessoas que vêm comprar aqui na porta, não vieram. Nem entra carro aqui", reclamou Edson Teixeira, proprietário da funerária Santa Marta, que pretende enviar e-mail aos órgãos de imprensa e autoridades para reclamar da situação.

Na rua interditada existem quatro funerárias. Outro funcionário de uma funerária - que pediu para não ser identificado - acredita que, se a interdição continuar, a funerária terá um grande prejuízo. "Esses corpos só chegam terça e desde sábado está fechado. Se isso continuar, a gente 'quebra', pois não tem movimento nenhum por aqui. Sem contar que eles [do IML] estão ajeitando tudo para receber esses corpos do avião, e não atendem direito ao pessoal daqui", disse.

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