UOL Notícias Cotidiano
 

09/06/2009 - 18h15

Equipe francesa especialista em identificação de vítimas de catástrofes chega ao Recife

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Recife
A perícia dos corpos das vítimas do Airbus A330 terá o apoio de sete técnicos franceses. A equipe, composta por peritos, dentistas e médicos legistas, chegou ao Recife nesta terça-feira (9) e deve ficar na capital pernambucana até o fim do resgate dos corpos - pelo menos das vítimas francesas.

A equipe que está em Recife faz parte do Instituto de Pesquisas Criminais da Polícia da França (IRCGN), que há 17 anos possui uma unidade específica para identificação de vítimas de catástrofes. Entre os 25 casos em que já atuaram estão tragédias como o tsunami, que arrasou a Ásia no final de 2004, e o acidente com o avião concorde em 2000. Segundo o instituto francês, em todos os casos atuados até hoje foi possível identificar as vítimas.

Entre os especialistas estão técnicos em recomposição de impressões digitais, caso os corpos encontrados no oceano apresentem danos, e de engenharia genética. Na França, 72 famílias de vítimas já tiveram o material genético recolhido a fim de um possível reconhecimento por meio de DNA.

Antes de chegarem a Recife, o chefe da chefe da expedição, Gil Deelehaie, conversou com o Jornal "O Povo", em Fortaleza, durante uma escala do voo. Segundo ele, a equipe deve trabalhar em conjunto com as autoridades brasileiras. Assim, o perito francês espera tornar a identificação dos corpos mais eficiente. "Nós ficaremos quantos dias forem necessários para a identificação das vítimas. Nós esperamos que seja o mais rápido possível, pois muitas famílias estão sofrendo", disse Deelehaie, que não concedeu entrevistas em Recife.

Segundo a Polícia Científica do Recife, os peritos franceses vêm para auxiliar, mas não foram convocados pelas autoridades pernambucanas. "Porém não vejo problemas em eles virem. Vamos analisar situações novas", afirmou o gerente de Polícia Científica, Francisco Sarmento.

Como o acidente envolve pessoas de 32 países diferentes, sendo a maioria francesa e brasileira, a identificação só será feita após reuniões das equipes dos dois países.

O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Luiz Fernando Corrêa, também chegou hoje à capital pernambucana. Ele veio conferir o andamento do trabalho de identificação dos corpos. Pela manhã, Corrêa se reuniu com peritos que vão participar da operação.

Estrutura
Para receber os 16 primeiros corpos, que chegam de Fernando de Noronha, o IML (Instituto de Medicina Legal) do Recife recebeu nesta manhã um contêiner que vai funcionar como uma espécie de escritório móvel.

Segundo os peritos da Polícia Federal, haverá uma tentativa de identificação ainda no Recife, sem a necessidade de exames de DNA. A ideia é identificar tatuagens, cicatrizes e piercings citados pelas famílias. Como Pernambuco não possui laboratório específico, caso as marcas não identifiquem os passageiros, o material genético será levado para o laboratório da PF em Brasília.

Desde o último sábado, quando foram encontrados os dois primeiros corpos, o IML do Recife decidiu fechar as duas ruas de acesso ao local. O instituto recebe em média 20 corpos para necropsia por dia e passou por algumas adaptações para receber as vítimas do voo da Air France.

GRÁFICO DA AERONÁUTICA MOSTRA DISTÂNCIAS NO TRANSPORTE DOS CORPOS

  • FAB/Divulgação

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