UOL Notícias Cotidiano
 

09/06/2009 - 13h45

Resgate de corpos é feito em quatro etapas e envolve cuidados minuciosos, dizem Forças Armadas

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Recife
O resgate dos corpos das vítimas do Airbus A-330 é feito de forma lenta e cuidadosa. Toda operação de recolhimento no mar é feita por oficiais da Marinha, treinados para este tipo de operação. Alem disso, peritos do IML (Instituto Médico Legal) deram orientações sobre manipulação dos corpos, com preservação de pontos cruciais para a identificação, como a manutenção intacta dos dentes.

Etapas do resgate

1º - Durante a madrugada, o avião R-99 sai da base aérea de Fernando de Noronha para fazer um mapeamento noturno dos objetos na superfície do oceano
2º - Quando o sol nasce, aeronaves partem para uma localização visual e identificação dos objetos rastreados pelo R-99
3º - Ao ser confirmado um corpo no mar, os navios brasileiros são informados e seguem até o local especificado pela Aeronáutica
4º - Ao aproximar-se dos corpos, embarcações motorizadas pequenas são lançadas ao oceano para recolhê-los


A informação foi repassada pelos oficiais das Forças Armadas brasileiras, que integram as equipes de buscas de destroços e corpos do acidente que envolveu os 228 passageiros do voo AF 447.

Desde o primeiro dia em que foram encontrados corpos, na manhã de sábado (6), o procedimento adotado por Marinha e Aeronáutica tem sido igual e envolve quatro etapas. A primeira acontece durante a madrugada: a aeronave R-99, equipada com um radar para localização noturna de objetos, faz um voo pela região, tendo como base um ponto a 69,5 km distante de onde o piloto fez o último contato com o Cindacta 3, em Recife, no domingo (31). A corrente marinha nesse período também é levada em conta e área de buscas já ultrapassa 200 mil km².

Ao nascer do sol, começa a segunda etapa. Com as informações da área rastreada, as outras 11 aeronaves brasileiras e duas francesas saem para localização visual dos materiais na superfície do mar, que podem ser destroços da aeronave, corpos das vítimas ou mesmo "lixo marinho".

Na terceira etapa, a cada vítima localizada, o navio mais próximo é informado sobre a localização e segue para o resgate.

Ao saber a posição dos corpos, os navios passam a ter outro cuidado: não bater em nenhuma das vítimas. Entra em cena a quarta etapa. As embarcações motorizadas menores, acopladas aos navios, são enviadas até o local exato para o resgate desses corpos.

"Elas são baixadas dos navios maiores, vão até o local e fazem esse resgate. Toda operação é feita por oficiais especializados nesse tipo de resgate", afirma o capitão-de-fragata da Marinha, Giucemar Tabosa.

Segundo a Aeronáutica, o trabalho de resgate é demorado. "Nós temos um avião que faz esse voo de visualização a 350 km/h, por exemplo, enquanto as embarcações estão a 30km/h, 35 km/h. É uma diferença grande, por isso entre o avistamento e o resgate às vezes existe uma demora", disse nesta terça-feira (9) o tenente-coronel Henry Munhoz, da Aeronáutica.

Desde ontem, por conta do erro de divulgação no número de corpos, o comando decidiu apenas informar a contagem de corpos quando eles estiverem em navios da Marinha brasileira.

Primeiros corpos chegam a Noronha

  • Evaristo Sá/AFP

    Integrantes da Aeronáutica carregam corpo de vítima do voo AF 447 da Air France, após retirá-lo de helicóptero, em Fernando de Noronha (PE)



Outra atenção especial é dada à manipulação dos corpos. "Eles estão no mar a sete, oito dias. Se você puxar um braço, por exemplo, você pode até arrancá-lo. Então é preciso um grande cuidado nessa conservação, especialmente com os dentes. Tivemos um orientação do IML com esse cuidado com a arcada dentária. Ou seja, há todo um cuidado minucioso", afirmou Munhoz.

Ainda segundo a Aeronáutica, o transporte dos corpos de Fernando de Noronha até Recife será feito por um avião Hércules C-130. Ao pousar na base aérea do Recife, a responsabilidade do transporte ficará a cargo do IML do Recife, que vai periciar os corpos.

Segundo a SDS-PE (Secretaria de Defesa Social de Pernambuco), o número de profissionais e equipamentos utilizados só será divulgado após a chegada e análise inicial dos corpos. De acordo com a major Paula, assessora de imprensa da SDS-PE, uma coletiva deve ser marcada após as perícias.

Decomposição
Segundo uma especialista em medicina legal, que pediu para não ser identificada, os corpos encontrados no oceano devem estar chegando ao fim da segunda fase de decomposição. "É a fase gasosa. Depois da primeira fase, o corpo começa a inchar e aumenta muito o volume. Isso pode ser agravado, por exemplo, em caso de morte por afogamento", disse.

Caso o resgate não seja feito em um período médio de 15 dias, esses corpos passam a entrar na terceira fase, de putrefação. "Esse processo faz com partes do corpo se soltem até ficarem só os ossos", afirmou.

Para a especialista, a necropsia que será feita no IML do Recife será fundamental para saber se os passageiros do voo AF 447 morreram na hora do acidente ou permaneceram vivos no oceano. "Isso pode ser identificado pelos peritos com a definição do dia e hora estimada do óbito. Além disso, com os corpos aqui, os peritos têm como definir qual a causa da morte, se foi uma pancada, um afogamento, falta de oxigênio ou mesmo (se morreu) queimado. Há várias possibilidades", disse.

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