UOL Notícias Cotidiano
 

24/06/2009 - 19h57

Erro humano é pouco provável, diz tripulante que fez a mesma rota do voo 447 vinte minutos depois da tragédia

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Na noite do último dia 31 de maio, um Airbus 330 da Air France decolou do Rio de Janeiro rumo a Paris, onde estava prevista sua chegada na manhã seguinte, no horário francês. No mesmo dia, também decolou de São Paulo aeronave semelhante, com mesmo destino, mas vinte minutos de diferença. O primeiro era o voo AF 447, que sofreu um acidente fatal no meio do oceano Atlântico, matando 228 pessoas. O segundo, o voo AF 459, cuja tripulação chegou à França sem nenhum incidente.

  • Reprodução/Le Figaro
Hoje, três semanas depois, o jornal francês "Le Figaro" publicou uma entrevista exclusiva, na qual a tripulação do voo AF 459 conta como foi percorrer aproximadamente a mesma rota fatal.

"As informações dos satélites apontavam uma massa de nuvens, mas nada de preocupante, porque estas são condições muito frequentes nesta região", conta o comandante de voo, cuja identidade não foi revelada.

Ele relata que, ao entrar na chamada Zona de Convergência Intertropical, foi aumentada a sensibilidade do radar da aeronave, uma manipulação que pode deixar a tela confusa com a inclusão de muitas informações, mas deixa as leituras sobre as nuvens mais confiáveis. "Essa manipulação nos permitiu evitar uma grande massa de nuvens que não poderíamos ter identificado com o radar em modo automático."

Um dos dois copilotos que estavam no mesmo avião acrescenta que "essa massa nebulosa era difícil de detectar, porque não havia raios". Com essa informação, o voo 459 decidiu por contornar a região incerta com um desvio de 126 quilômetros.

O voo 447 "logicamente" deveria ter passado pela mesma zona 20 minutos antes, acrescenta o copiloto - informação que o comandante de bordo do 459 não confirma.

Não se sabe se a tripulação do voo 447 teria optado pela mesma mudança no radar e em que medida isso comprometeu os movimentos do avião. A esse respeito, o comandante afirma apenas que "nem todos fazem tal manobra".

Na região da tempestade, os instrumentos do AF 459 não detectaram nada de anormal. "Tirando aquela massa nebulosa, as condições de voo estavam normais e não ouvimos nada na frequência de emergência". O comandante de bordo acrescenta que não houve nenhum contato por rádio com o voo AF 447.

Próximo às Ilhas Canárias, o comandante de bordo entrou em contato com os controladores aéreos, que pediu para que eles buscassem contato com o AF 447. "Tentamos em vão contato pela frequência de emergência", conta. "Mas não nos preocupamos muito com isso, sempre pode acontecer problemas com o rádio de um avião. Esperávamos que um outro avião mais próximo conseguisse contato."

A tripulação do AF 459 só ficou sabendo da tragédia ao chegar ao aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, na manhã de segunda-feira. "É terrível receber esse tipo de notícia. Além disso, estivemos próximos do avião. Toda a tripulação ficou abalada".

Para o comandante de bordo, é pouco provável que o acidente com o 447 tenha sido causado por erro humano. "As fotos dos satélites estavam claras na partida e qualquer piloto sabe usar o radar de seu avião".

Em sua chegada, a tripulação do AF 459 escreveu um relatório ao escritório responsável pela segurança dos vôos. Contudo, mais de três semanas depois do acidente, eles ainda não foram ouvidos pela órgão francês responsável pela investigação a respeito do acidente com o AF 447. O jornal francês afirma ter procurado tal órgão, sem obter resposta.

*Com informações do Le Figaro

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