UOL Notícias Cotidiano
 

02/07/2009 - 10h45

Airbus da Air France que caiu com 228 a bordo não se partiu no ar, diz relatório

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Atualizado às 19h07

O relatório preliminar sobre o acidente com o voo AF 447, que caiu no último dia 31 de maio com 228 pessoas a bordo, afirma que o avião da Air France não foi destruído no ar, mas quando caiu no Oceano Atlântico.

"O avião parece ter impactado a superfície da água em linha de voo, com forte aceleração vertical", afirmou Alain Bouillard, investigador-chefe da agência reguladora francesa BEA (Escritório de Investigação e Análise), ao apresentar o relatório nesta quinta-feira, em Le Bourget, cidade próxima a Paris.


Bouillard explicou que o Airbus bateu na água com a parte inferior da fuselagem. O leme da aeronave ainda fixado na sua estrutura. A BEA analisou 640 elementos do avião.

Segundo o relatório, não foi possível determinar a velocidade do impacto do Airbus no mar.

Buscas pelas caixas-pretas
Pouco mais de um mês após o acidente, as caixas-pretas ainda não foram encontradas. Segundo Bouillard, as buscas pelos equipamentos vão continuar até 10 de julho.

"Nos aproximamos do fim da emissão acústica das balizas. Esta primeira fase de busca irá terminar no dia 10 de julho", disse Bouillard.

Depois desta data, a segunda fase de busca terá início. Durante esta etapa, que durará um mês, as buscas serão feitas por meio de uma sonda.

O navio de exploração submarina 'Porquoi pas?' irá liderar as buscas. A tarefa é complexa, já que a procura pelas caixas-pretas é feita entre 3.000 e 3.500 metros de profundidade, no Oceano Atlântico.

Tubos de Pitot não são a única causa
Apesar do relatório e das análises, a BEA ainda está longe de descobrir as causas do acidente, segundo Bouillard.

De acordo com os investigadores franceses, os sensores de velocidade foram um fator, mas não a causa do acidente com o avião da Air France.

Bouillard disse que os sensores, chamados de tubos de Pitot, não podem ser considerados o único fator que levou à queda do Airbus.

Uma das mensagens automáticas emitidas pela aeronave indicou que o avião estava recebendo informação incorreta de velocidade dos instrumentos de monitoramento externos, e isso poderia desestabilizar os sistemas de controle.

Alguns especialistas dizem que os tubos de Pitot podem ter se congelado em pleno ar.

Tentativa de contato com Dacar
Os pilotos do voo AF 447 tentaram contato com Dacar, capital do Senegal, por três vezes, todas sem sucesso. A falha pode ter ocorrido porque Dacar não recebeu o plano de voo.

"Isto não é normal", disse Bouillard, explicando que o controle do voo deveria ser passado dos controladores do Brasil para os do Senegal.

O investigador também afirmou que a França ainda não conseguiu acesso às necropsias dos corpos levados ao Brasil.

A Força Aérea Brasileira (FAB) garantiu que a transferência Brasil-Dacar foi realizada e que as transcrições do procedimento foram inclusive enviadas ao BEA. "O BEA fez uma interpretação preliminar de que talvez o Brasil não tivesse feito a passagem do controle aéreo para Dacar, mas isso foi feito sim", disse à agência Reuters o tenente-coronel Henry Munhoz, porta-voz da FAB.

"Temos a transcrição disso, que inclusive foi mandada ao BEA. Temos a informação de que Dacar recebeu essa transferência", acrescentou.

Air France se manifesta
Por meio de nota, a Air France afirma que "acompanhou com especial atenção o primeiro relatório da BEA (...), que constitui uma importante etapa das investigações". A companhia disse que, assim como os familiares das vítimas, está ansiosa "em entender melhor as circunstâncias desta tragédia".

A Air France reiterou a importância de se encontrar as caixas pretas do avião para que as causas do acidente sejam de fato conhecidas. "Para a companhia não devem ser poupados esforços para este fim, e a Air France agradece as autoridades francesas por continuarem as buscas, nesta operação sem precedentes". A companhia aérea também agradeceu as Forças Armadas brasileiras. "Da mesma maneira, a companhia agradece as autoridades brasileiras pelas buscas realizadas no local do acidente", escreveu, com destaque.

Sobre o possível congelamento dos tubos de Pitot, a Air France afirma que "na recomendação da Airbus, de novembro de 2008, que substituía outra, de setembro de 2007, a solução para o problema de congelamento não figurava mais como motivo de troca do pitot Thalès AA pelo pitot Thalès BA". Entretanto, a empresa diz que "em 15 de abril de 2009, a Airbus propôs à Air France uma avaliação, em situação real, dos resultados de uma série de testes de laboratórios do pitot Thalès BA" e que "em 27 de abril de 2009, sem esperar esta avaliação, a Air France decidiu equipar toda sua frota de Airbus A330 e A340 com os pitots Thalès BA".

Nesta quinta, familiares da Associação para a Verdade, Ajuda e Defesa das Vítimas do AF447 exigiram respostas da Air France sobre mensagens automáticas que teriam sido emitidas pela aeronave antes do acidente. O site Eurocockpit (www.eurocockpit.com) diz ter tido acesso às mensagens e afirma que elas evidenciam o fato de o congelamento dos tubos Pitot ter tido responsabilidade pelo acidente.



* Com agências internacionais

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