UOL Notícias Cotidiano
 

17/12/2009 - 10h51

Segundo relatório sobre acidente do AF 447 recomenda mudança em sensores

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Os especialistas que investigam o acidente do voo AF 447 da Air France divulgaram nesta quinta-feira (17) o segundo relatório sobre o acidente que matou 228 pessoas enquanto fazia a rota entre o Rio de Janeiro e Paris, no dia 31 de maio deste ano.
  • AP

    Airbus A330-200 saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris


O Bureau Francês de Investigação e Análise para a Segurança da Aviação Civil (BEA, em francês) recomendou trocar os "critérios de certificação" dos sensores de velocidade, os pitots. A agência afirmou que os sensores de velocidade foram um dos fatores do acidente, mas não o único. As causas continuam sem explicação.

"A esta altura, apesar das extensivas análises realizadas pela BEA com base na informação disponível, ainda não é possível entender as causas e as circunstâncias do acidente", disse o relatório.

Os sensores, que a Air France decidiu substituir em 9 de junho, haviam sido objeto de crítica de diferentes sindicatos de pilotos. Especialistas também apontam problemas nos pitots como possíveis causas da tragédia.

Os sensores "não parecem adaptados aos voos de grandes altitudes", diz o informe divulgado em Paris. É a primeira vez que os investigadores colocam em dúvida a eficácia dos sensores, fabricados pela companhia francesa Thales.

A caixa-preta da aeronave não foi encontrada no fundo do mar, e apenas alguns pedaços da fuselagem foram recuperados. Mas uma série de mensagens enviadas automaticamente pouco antes da queda mostra que houve problemas com dados dos sensores de velocidade.

A empresa Airbus, que fabricou o modelo que se acidentou, já havia recomendado a todas as companhias que operam modelos A330/A340 que trocassem os pitots.

Airbus não se partiu no ar, diz relatório preliminar


Segundo os investigadores, as massas de nuvens em alta altitude produzem cristais de gelo de um tamanho indeterminado cujas consequências sobre equipamentos como os pitots são "difíceis de avaliar".

O BEA informou que a Airbus identificou 32 acidentes, entre 12 de novembro de 2003 e junho deste ano, nos quais dois ou mais dos sensores de velocidade haviam acumulado gelo. Quando os pitots são bloqueados pelo gelo, eles enviam falsas medições de velocidade para os computadores do próprio avião, como no caso do voo 447.

A agência fez outras duas recomendações: sobre a melhora na eficácia dos equipamentos destinados a localizar aviões e coletar dados em casos de acidente; e sobre uma melhor caracterização da composição das massas de nuvens em altitudes elevadas e sua relação com a certificação das aeronaves.

"O BEA recomenda a Agência Europeia de Segurança Aérea (AESA) que desenvolva estudos para determinar com precisão a composição das massas nebulosas de grande altitude e, junto com as outras autoridades de regulamentação, avaliar os critérios de certificação a partir dos critérios obtidos", diz o documento.

Retrospectiva: Acidentes aéreos em 2009

  • AFP

    Parte do Airbus A330-200 da companhia aérea francesa Air France que fazia o voo AF 447, do Rio de Janeiro para Paris e caiu no oceano após ter decolado do Rio de Janeiro, no dia 31 de maio. As operações de busca conseguiram recuperar 51 corpos, destroços e bagagens. Todos os 228 ocupantes da aeronave morreram


Parentes reclamam
No último sábado, alguns pontos do documento foram apresentados aos parentes de vítimas do acidente, durante reunião no Rio de Janeiro com o BEA. O encontro foi pedido pelas famílias brasileiras, que se achavam que estavam recebendo menos atenção do as vítimas de outras nacionalidades.

O diretor-executivo da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo AF447, Maarten Van Sluys, disse no último sábado que o BEA não mostrou interesse em acelerar as buscas pela caixa preta e registradores de voo.

Em Paris, Robert Soulas, que faz parte de uma associação que representa familiares de 54 das vítimas, diz que a investigação do BEA está atrasada nas buscas pelos destroços. Jean-Paul Troadec, que substituiu Paul-Louis Arslanian em outubro como chefe do órgão francês, adiantou que haverá a partir de fevereiro uma nova expedição de três meses para buscar as caixas-pretas da aeronave. "Por que estamos esperando tanto?", questionou Soulas. "Quanto mais esperamos, mais provável que as caixas-pretas se deteriorem."

A segunda e mais recente busca pelos materiais foi encerrada em agosto. A nova pesquisa terá o apoio da Marinha dos EUA e da National Transportation Safety Board, organização norte-americana independente que é indicada pelo Congresso para investigar acidentes na aviação civil dos EUA. Também participarão especialistas do Reino Unido, Alemanha, Rússia e Brasil, além de companhias privadas.

John Clemes, que perdeu um irmão no acidente, critica o fato de os investigadores ainda não terem contratado, em novembro, especialistas para determinar qual trecho do mar será vasculhado na próxima busca.

*Com informações das agências Estado, Efe, Reuters

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