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14/09/2006 - 18h45
Saiba como está a disputa pelo governo de Rondônia

Veja a entrevista em vídeo

Da redação

Terra de Mad Maria, história recontada em ficção pela TV sobre os homens que contruíram a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Rondônia fica na chamada Amazônia Ocidental. Roteiro dos adeptos do turismo ecológico, o Estado faz divisa com a Bolívia. Na economia, destaque para a produção de café, cacau, arroz, mandioca e milho, além da extração de madeira, minérios e borracha.

O Estado de Rondônia fica na região Norte do país e tem 1.534.594 habitantes, distribuídos em 52 municípios. São 988.631 eleitores.

No comando do Estado está Ivo Cassol, do PPS, que disputa a reeleição. Também concorrem ao Palácio Presidente Vargas Amir Lando, do PMDB; Carlos Camurça, pelo PSB; Fátima Cleide, do PT; Adilson Siqueira, pelo PSOL; e Edgar Nilo, do PSDC.

Pesquisa Ibope divulgada em 30 de agosto apontava a vitória, ainda no primeiro turno, do atual governador Ivo Cassol, do PPS, com 57% das intenções de votos. Fátima Cleide, do PT, está em segundo lugar com 10%. Em Brasília, a bancada rondoniense tem atualmente 8 deputados federais (PT e PMDB têm 2; e PP, PL, PTB e PSDB aparecem com um parlamentar cada). Os deputados estaduais em Rondônia somam 24 (4 são do PT; PTB, PP, PMDB e PDT têm 3 cada; PL, PSDB e PSL aparecem com 2; e PFL e PSB têm um cada).

O UOL News entrevistou o cientista político João Paulo Saraiva Leão Viana (autor do livro "Reforma Política: Cláusula de Barreira na Alemanha e no Brasil") sobre as eleições em Rondônia.

A eleição está praticamente decidida aí no Estado ou há possibilidade de mudança no atual quadro?

João Paulo Saraiva Leão Viana - É complicado, há possibilidade. Se as eleições fossem hoje, já estariam decididas, segundo as pesquisas. Mas há uma possibilidade ainda de segundo turno, nessas semanas que antecedem, com uma briga pela segunda colocação entre a senadora Fátima Cleide, o ex-prefeito Carlinhos Camurça e o senador Amir Lando. Contudo, o governador Ivo Cassol, ainda segundo as pesquisas de opinião, estaria reeleito, o que é algo inédito, pois nunca se reelegeu um governador desde 1998. E antes de 1998, um governador nunca elegeu um sucessor.

O atual governo é bem avaliado pela população?

João Paulo Saraiva Leão Viana - Rondônia está vivendo um momento histórico, no que diz respeito a isso porque o governador Ivo Cassol governa só. Há uma crise nos Poderes e o governo anda praticamente só. O governador não tem um parlamentar na Assembléia nem na Câmara dos Deputados, e os próprios senadores são candidatos. A capital tem 27% do eleitorado, então, a força política do governador Ivo Cassol está no interior, ele é muito forte no interior.

O governador Ivo Cassol se elegeu pelo PSDB e no ano passado migrou para o atual partido, o PPS. O que aconteceu?

João Paulo Saraiva Leão Viana - No primeiro ano do governo do Ivo Cassol, houve uma crise na Assembléia Legislativa. Com a crise política que se instalou após as gravações no ano de 2005, investigações sobre a conduta do governador, ao ver a possibilidade de ser expulso do PSDB, antes que isso pudesse ocorrer o governador se retirou do partido, indo com seus aliados para o PPS.

O país assistiu há um mês a Polícia Federal desbaratar uma quadrilha na Assembléia Legislativa do Estado que desviou quase 70 milhões de reais em dinheiro público, a chamada Operação Dominó. 30 pessoas foram presas, entre elas o presidente da Assembléia e um juiz. A Polícia Federal divulgou na ocasião que quase todos os deputados estaduais estavam envolvidos no esquema. Como a população reagiu a isso?

João Paulo Saraiva Leão Viana - É a questão do momento histórico que eu já citei. Aqui no Estado, há um descrédito muito grande hoje em dia em relação à política, mas parece que a ética não vem em primeiro lugar para a população. Até porque entre 40% e 50% dessa Assembléia que está aí, com todas as acusações, com certeza deve ser reeleita. É uma questão até um pouco estranha. Nós ficamos meio sem saber o que há no eleitorado, mas com certeza esses critérios de ética não estão em primeiro plano na hora do voto.

O senador Amir Lando, relator da CPI dos Sanguessugas, não pontua bem nas pesquisas. Qual a explicação para isso?

João Paulo Saraiva Leão Viana - Também é estranho porque o senador Amir Lando, com certeza, é um candidato muito preparado para o cargo. Ele é parlamentar desde a década de 80, foi deputado estadual, a partir de 90 assumiu o Senado com a morte de Olavo Pires, e retornou ao Senado em 1998. Talvez uma fatia grande seja por causa da campanha. A perspectiva era de que ele chegasse ao segundo colocado, a crescer nas pesquisas, mas não se teve o resultado esperado a candidatura do senador Amir Lando.

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