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03/04/2006 - 19h35
"Candidatura própria do PMDB foi enfraquecida pela verticalização", diz Michel Temer

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

O PMDB aparece cada vez mais como o "fiel da balança" do ano eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condicionou a oferta do Ministério da Saúde ao partido à escolha de uma liderança da Câmara considerada "confiável" pelo governo. O novo líder do PMDB na Câmara vai ser escolhido depois de amanhã. Enquanto isso, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, segue pedindo apoio do partido.

Em entrevista ao UOL News, o presidente do partido, deputado Michel Temer (PMDB-SP), disse que enquanto persistir a tese da candidatura própria, o PMDB não iniciará nenhuma negociação de aliança.

"Há duas semanas, cerca de 14 mil eleitores ativos do PMDB responderam a uma consulta informal e escolheram Anthony Garotinho como candidato a presidente. De modo que, enquanto estiver presente a candidatura própria, não dá para fazer aliança", disse.

Temer admitiu que a tese da candidatura própria ficou "enfraquecida" com a hipótese da emenda da verticalização, que impediria o partido de fazer as coligações partidárias que achar convenientes nos Estados, mas disse que a possibilidade "subsiste".

"Na quarta, vamos fazer reunião da Comissão Executiva nacional, e talvez nasça uma convenção nacional antes de junho, quando vamos decidir nosso caminho. Está enfraquecida a tese, mas ainda subsiste a idéia da candidatura própria."

Caso a emenda da verticalização seja rejeitada, ele diz, os principais aliados do PMDB nas eleições serão PSDB e PFL. Segundo Temer, um levantamento feio pelo partido mostrou que há alianças já "esboçadas" na maior parte dos Estados com os dois partidos.

Se a hipótese da candidatura própria for afastada, as exigências do partido serão não apenas de compor a chapa [na eleição para presidente], como também fazer composições regionais em que o PSDB e o PFL abram mão de uma parte de seus candidatos nos Estados em favor do PMDB.

Ele cita como exemplo o Estado do Rio Grande do Sul, governado pelo peemedebista Germano Rigotto. "No Rio Grande do Sul há grande aproximação do PSDB com PMDB. Lá seria o tipo de conversa em que o PSDB poderia abrir mão para apoiar o PMDB."

Para Temer, deverá haver um equilíbrio de forças entre PMDB, PSDB e PFL para que os três partidos caminhem juntos para vencer a eleição.

Alckmin

Temer confirmou que se encontrou com Geraldo Alckmin na noite de domingo em São Paulo. O presidente do PMDB disse ter tido uma conversa "útil e franca" com o candidato tucano à Presidência. "Disse a ele que estamos com a candidatura própria praticamente na rua. Só podemos pensar em aliança formal se cair a tese da verticalização. Ele compreendeu perfeitamente, mas disse que apreciaria fazer aliança formal com PMDB."

"Alckmin fala em fazer governo que chama de consertação, como no Chile, que eu chamo de coalizão. Seria algo mais forte, que elegeria um maior número de governadores, senadores, deputados", disse.

A emenda da verticalização é também o que impede a inclusão de um peemedebista no lugar de vice de José Serra para o Estado de São Paulo. "Não fui procurado por Serra, mas somos amigos, não haveria dificuldade de conversa. Eu ou o [ex-governador paulista Orestes] Quércia somos hipóteses aventadas", afirma Temer.

Lula

Para o presidente do PMDB, o presidente Lula errou ao não fazer um governo de coalizão com os partidos da base, o que deve dificultar sua administração num eventual segundo mandato.

"Lula não tem um apoio parlamentar sólido porque cometeu um equívoco: a história de que um partido é vencedor e os outros são aderentes. Não é politicamente civilizado. Quando um partido ganha a eleição, ele faz uma espécie de coalizão governamental", afirma.

"Eu alertei para isso. Agora passou a época [de fazer uma coalizão]. Insisti nesta tese durante muito tempo e verifiquei que não havia esta tendência. Em relação ao PMDB, o que o governo fez? Ele trouxe algumas figuras proeminentes do partido, mas não a instituição PMDB", completa.

Na opinião de Michel Temer, caciques como os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), da ala governista do PMDB, "não dão orientação ao partido, mas uma parcela dele."

O presidente disse não estar acompanhando o processo para a escolha do ministro da Saúde, que pode sair do partido. "Minha posição e a da maior parte do PMDB é de que não estejamos no governo. Acho um pouco fora de hora essa discussão sobre ocupar o Ministério da Saúde ou não", disse.

Temer disse lamentar a divisão interna do partido. "Este é um hábito que eu tenho combatido muito e espero conseguir vencer. No instante em que seja definida uma candidatura própria, ou aliança que não seja com o PT, é evidente que o sujeito que permanecer [na base], fará por conta própria e não em nome do partido."

Líder na Câmara

Segundo o presidente do PMDB, a reunião desta quarta deve pôr fim também à indefinição do partido quanto ao líder na Câmara, cujo espaço no site da Casa continua em branco.

"Os desejosos de ocupar o cargo vinham fazendo listas. Eu reuni os dois principais candidatos e disse que não seria mais possível. Fizemos acordo em que será escolhido em voto secreto pela bancada. Firmamos um documento convocando eleições para quarta-feira. A partir de quarta, já não estará mais em branco", disse.

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