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20/04/2006 - 20h16
Tarso sonha com vice de PMDB para Lula

Veja a entrevista em vídeo

Da redação

Véspera de feriado agitada em Brasília. O ministro da Justiça falou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Roberto Teixeira, compadre do presidente, foi ouvido pela CPI dos Bingos, oposição em alerta máximo para novas descobertas contra o governo Lula, que continua firme e forte em primeiríssimo lugar nas pesquisas eleitorais. Em entrevista a Lillian Witte Fibe no UOL News, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, revelou quem gostaria de ver ao lado do presidente Lula na disputa presidencial. "Meu grande desejo, grande expectativa, é que a gente pudesse formar uma força de centro-esquerda estável já no primeiro turno, e que tivesse o PMDB como vice", afirmou o ministro.

Tarso Genro também explicou, "em etapas", a relação que o PT vem tendo com o PMDB. "Primeiro, nós temos que compreender e respeitar a possibilidade de terem um candidato próprio. Segundo, estabelecer uma relação com todos os setores do partido para que, se o candidato deles não for para o segundo turno, possamos ter uma coalizão centrada em uma forte relação com o PMDB, um partido nacional, embora seja diferenciado regionalmente, e com condições de dar estabilidade ao próximo governo. Terceiro, sobre a possibilidade de não terem candidato, evidentemente, queremos que se inclinem para apoiar Lula."

Sobre o depoimento do ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos na CCJ - que negou ter participado da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa mas confirmou ter indicado um advogado para defender o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci -, Tarso reproduziu a orientação de Lula. "A posição do presidente é de que se cumpra a lei, as instituições devem funcionar plenamente, não podem ser partidarizadas nem discriminar pessoas, sejam do governo ou não. Devemos aproveitar a oportunidade para aprofundar as investigações, apurar responsabilidade e fazer com a população compreenda que as instituições estão funcionando plenamente", conta o ministro. "Embora haja negativas que devem ser respeitadas e apuradas no processo judicial, seja quem for o responsável tem que responder penalmente, para que seja um exemplo para a sociedade", continua Tarso, sobre a quebra ilegal do sigilo.

Em agosto do ano passado, em sabatina da Folha de S.Paulo, pouco depois de assumir o ministério das Relações Institucionais, Tarso disse à uma jovem espectadora de 17 anos que não saberia dar, naquele momento, argumentos para convencê-la a votar no PT nas próximas eleições. Hoje, essa visão mudou.
"Os argumentos agora estão dados, até porque se fossemos cotejar qual o partido que no governo mais combateu a corrupção no país, não só em números como oferecendo cabeças, inquéritos feitos pela Polícia Federal, mostraria que é incomparável. Tenho clareza, não só pelos números comparativamente ao governo anterior, mas também por essas atitudes, que o PT merece ser respeitado pela sociedade e retomar uma relação com sua base social eleitoral",afirmou.

Veja a seguir alguns pontos da entrevista:

Sobre a disputa presidencial
"A orientação do presidente é para que eu procure criar, a partir de diálogo com todos os setores da sociedade, partidos, lideranças, um ambiente positivo e qualificado para o processo eleitoral. A pauta da ética pública continua, mas que possamos também discutir o futuro do país, seu passado, projetos representados pelos eventuais candidatos. As tarefas que o PT vai desempenhar daqui para diante ainda estão sendo definidas pelo partido; do ponto de vista do governo, queremos ajudar a criar esse clima positivo até para que a população não se afaste do processo eleitoral, se vingar um ambiente de baixo nível."

Geraldo Alckmin ou Anthony Garotinho no segundo turno?
"Respeito ambos, mas o mais característico para enfrentar o Lula seria o Alckmin porque sintetiza com sua trajetória, ideologia e comportamento, o que foi o governo de Fernando Henrique Cardoso, e essa comparação o povo vai fazer certamente nas eleições."

Desafios do novo presidente
"Ele tem que ter legitimidade e estabilidade política para governar. E isso será difícil se a campanha for de baixo nível. Temos que criar um ambiente de debate de conteúdo e não só de acusações. A oposição sabe disso. Quem quer governar um país partido, onde oposição e situação não dialogam, as classes sociais entram em um conflito irremediável, a sociedade não se identifica com o Estado? Não é bom para ninguém e essa consciência o Brasil já adquiriu nesses últimos 30 anos de democracia, que estamos trabalhando em conjunto, independentemente das posições partidárias. Um país dividido é um país ingovernável."

Sobre o indiciamento de 40 pessoas pelo Ministério Público - algumas bem próximas ao presidente Lula, caso do ex-ministro José Dirceu, cassado pelo escândalo -, envolvidas no pagamento do mensalão
"Nunca tive a ilusão que o partido pudesse ser uma comunidade de anjos. É uma grande conquista criar instituições internas fortes para que os vícios, erros, defeitos e irregularidades sejam diminuídos substancialmente. Portanto, temos que estar vigilantes e atentos quanto às irregularidades desse tipo." O ministro também afirmou que o presidente está tranqüilo em relação a alguns assuntos considerados ainda pendentes pela oposição, como as relações pessoais com Paulo Okamotto e Roberto Teixeira, e a Gamecorp. "Todos os homens públicos que têm relevância têm assuntos a ser discutidos. Nós não tememos nenhum debate."


O PT e a bandeira da ética
"O partido vai mostrar seus erros e também apresentar suas virtudes. O PT vai saber processar seus erros, já está fazendo isso, vários foram reconhecidos. O que coloco é que essa não pode ser a única discussão, porque senão o processo eleitoral se esvazia em um 'denuncismo' que pode beirar a vulgaridade. As autoridades têm que atuar, mas isso não é relevante para definir o futuro do país, o projeto nacional. O relevante é o que os candidatos vão fazer com o país no próximo período."

Sobre as absolvições de deputados condenados no Conselho de Ética
"As cassações são atos soberanos e legítimos. Vejo da mesma forma as absolvições. Estaria impugnando a legitimidade do parlamento para tomar suas decisões. Essas pessoas também vão responder na justiça, terão um julgamento mais técnico e menos político, uma oportunidade de defesa mais regulada. Aí sim, as decisões vão ser importantes."

Impeachment do presidente
"Impeachment é movimento de desgaste eleitoral. Não tem viabilidade política, jurídica, nem tempo para isso. Não tem substância, nem seriedade."

Mais quatro anos de Lula
"Fazer a combinação estrutural da estabilidade econômica e da responsabilidade fiscal com altas taxas de crescimento - para o Brasil, acima de 4,5% -, essa é a síntese do que seria um segundo governo do presidente Lula."

Em São Paulo, Marta Suplicy ou Aloizio Mercadante?
"O presidente Lula ainda não indicou sua preferência. Ambos são capazes, responsáveis e têm muitos méritos, mas vão enfrentar uma parada dura, que é o José Serra, até agora liderando as pesquisas. Nós temos que ver qual o mais adequado para tentar emparelhar no primeiro turno e ganhar no segundo."

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