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06/06/2006 - 20h04
MLST é grupo pequeno e não tem tradição de agir com violência, diz especialista

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

O MLST (Movimento de Libertação dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) é um grupo pequeno, com atuação em apenas três Estados e não tem tradição de agir de forma violenta como fez hoje, quando provocou destruição e deixou 24 pessoas feridas numa invasão à Câmara dos Deputados. A descrição é do professor de geografia agrária Bernardo Mançano, especialista em movimentos sociais.

"O MLST nunca age desta forma. Não sei se está mudando a sua forma de luta ou se aconteceu alguma coisa que fez com que resolveram agir com violência. Mas a atitude é reprovável, não há dúvida. Precisavam conversar com os deputados e agir como agem outros movimentos", afirma.

"Há no país hoje 73 movimentos de sem-terra. O MST é o mais famoso deles porque dos 73, com um total de 100 mil famílias, 50 mil fazem parte do MST, que atua em 23 Estados. Já o MLST é um movimento regional, pequeno, que atua em no Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo", continua.

Questionado pelo fato de o movimento ser o mesmo que invadiu o prédio do Ministério da Fazenda, em abril do ano passado, o professor não descarta a hipótese de o MLST, uma dissidência do MST, querer "sair na mídia".

"Lá [no Ministério da Fazenda] eles foram tentar fazer uma reunião, a segurança reprimiu, eles cortaram a barra e entraram. Não tem necessidade. Não sei se é erro tático de relacionamento entre o governo e o MLST. Os demais [movimentos] marcam reuniões com ministros e comissões são atendidas. Não sei se o MLST quer sair na mídia. É um erro político enorme. Mancha a imagem do movimento", disse.

Já o fato de um dos líderes do movimento, Bruno Maranhão, ser da executiva nacional do PT é, para Mançano, uma "contradição que existe em todos os partidos".

"Várias forças políticas apoiaram o atual governo. Mas isso não garante que vão conseguir políticas públicas que atendam as populações com as quais trabalham. O Estado e o governo não implantam uma política pública se os movimentos populares não fizerem pressão. Esta contradição existe em todos os partidos. Há partidos que são mais ligados ao empresariado e fazem lobby, outro tipo de pressão dentro do Congresso e ministérios", afirma.

Reforma agrária

Segundo Mançano, o número de famílias sem-terra assentadas cresceu sob o governo Lula, mas ainda não atende à demanda do Brasil, que tem cerca de 100 mil famílias nesta situação.

Durante os oito anos do governo Fernando Henrique, ele diz, foram assentadas cerca de 500 mil famílias. Até o final do ano o governo Lula pode atingir a marca de 400 mil famílias assentadas (uma média de 100 mil por ano). Entretanto, o número é crescente.

Na avaliação do pesquisador, no entanto, o governo precisa manter melhor informada a população da realização de políticas nesta área. "Historicamente, o que nós identificamos não só com o MST é que se faz uma reunião, determina-se uma política e o governo volta atrás porque recebe pressão de outros setores. É preciso duas ou três reuniões para conseguir manter o que foi decidido na primeira."

"Uma coisa é ficar num hotel cinco estrelas e pressionar deputados, ministros, fazer táticas para conseguir linhas de financiamento do BNDES etc. Outra é isso que se viu: com quebra-quebra, violência, muitas vezes por tentar marcar uma reunião pela terceira vez. É parte da realidade do país", compara.


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