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07/04/2006 - 19h01
"Queremos sempre um Messias e um Judas", diz teólogo

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

"O manuscrito deve ser colocado no seu contexto. É de uma comunidade que não segue os princípios cristãos, uma corrente gnóstica importante, mas que não se pode canonizar dizendo que mudou tudo", pontua o teólogo Fernando Altemeyer, sobre a divulgação do Evangelho de Judas, que mostra o apóstolo não como um traidor, mas como um amigo que teria recebido ordens de Jesus para sacrificá-lo. "Ela contradiz todo o pensamento cristão, que não permite pensar em Jesus como um suicida."

"Todos os outros relatos, João, Lucas, Mateus, e até mesmo o Evangelho não canônico, de Madalena, mostram Jesus como alguém que defende a vida, está disposto a dar a vida pelos outros, e não está chamando alguém para 'dar uma ajudinha para eu morrer mais rápido para salvar a humanidade'. É um pouco sarcástico. Mas tem sentido na lógica gnóstica, porque eles estão preocupados com o grande conflito entre trevas e luz, o mundo material e imaterial, que não é a visão cristã", completa o professor.

Sinônimo de traidor, com verbete até no dicionário, Judas, esclarece o teólogo, não foi o único a abandonar Jesus. "Pior que ele foi Pedro, que negou três vezes que era amigo e companheiro do mestre. Dizer que Judas é o maior dos traidores dos apóstolos não é verdade histórica. Na hora da morte de Jesus, todos os 12 foram embora, então, nenhum é mais culpado, pior ou maldito que o outro. Todos, por conta da pressão romana, ficaram com medo", lembra Altemeyer, que cita alguns fatores para explicar o estigma. "O mundo da arte queria mostrar de maneira bela as cenas da paixão de Jesus e, com isso, era preciso indicar quem teria sido o culpado de um inocente morrer. Outra justificativa é que a civilização ocidental gosta de colocar alguém para ser o bode expiatório, não gosta de ver o processo de maneira global, tem que encontrar um culpado. Vivemos em uma nuance: de um lado, a gente quer um Judas e de outro, um Messias. Essa é a patologia. O dia que a gente não tiver nem Judas nem Messias, cada um assumir a sua cidadania, tudo melhora, também, em termos religiosos."

O teólogo também analisou o primeiro ano de papado de Bento XVI. "Não mudou muito, ele segue o projeto de cristandade de João Paulo II, de emancipação do cristianismo, especialmente na Europa. O que mudou, talvez, seja uma amplitude cada vez maior do papel da igreja católica no Oriente Médio, na guerra do Iraque, a sensibilidade do papa nas grandes questões internacionais. Bento XVI escreveu uma bela carta pastoral, intitulada "Deus é amor", que chega até ser enigmática, ao retrabalhar a questão do amor, amor erótico. Isso é novo."

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