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20/03/2007 - 16h18
Redução de rendimento do FGTS "acompanha tendência mundial", diz economista

Veja entrevista em vídeo

Da Redação

O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço poderá ser corroído pela inflação a partir de 2008, caso o governo não mude a fórmula de correção dos recursos. O alerta foi publicado nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S. Paulo. Os depósitos do FGTS tendem a perder para a inflação quando os juros básicos definidos pelo BC caírem abaixo de 11,5%, fato que o mercado financeiro espera que aconteça no final de 2007.

A previsão já para este ano é que, na melhor das hipóteses, a correção do FGTS empate com a inflação ou fique ligeiramente negativa. O Ministério da Fazenda projeta uma correção do Fundo de Garantia acima da inflação neste ano, mas não faz projeções para 2008.

Para o economista e professor de matemática financeira José Dutra Sobrinho, o que acontece no Brasil já é uma realidade mundial; e ele vê esta tendência com naturalidade.

"A taxa real de juros no país é realmente a mais alta do mundo, mas, em contrapartida, o aplicador de recursos no Brasil - fundos de investimentos, caderneta de poupança e aplicações de renda fixa - são aqueles que talvez recebam a maior rentabilidade do mundo também; isso não acontece em nenhum país do mundo", analisou em entrevista ao UOL News.

Para exemplificar, o professor avaliou o rendimento do FGTS e da caderneta de poupança - a aplicação mais popular no país. Segundo ele, no ano passado a caderneta de poupança rendeu em média 8,33%; considerando a inflação de 3,14% medida pelo IPCA em 2006, os aplicadores em caderneta de poupança tiveram um rendimento real e líquido - já que a caderneta de poupança não paga imposto de renda - de 5,03% no ano.

"A projeção para a caderneta de poupança no final deste ano é de 7,08%. Se for descontado daí uma inflação de aproximadamente 4%, o rendimento real em dezembro de 2007 seria da ordem de 3,70%", explicou.

No caso específico do FGTS, o economista também fez os cálculos; no ano passado o rendimento do fundo foi em média de 5,10% - considerando aí o rendimento do juros de 3% mais a TR (Taxa Referencial). Se for descontada a inflação do ano passado que foi de 3,14%, o rendimento do FGTS fica em 1,90% real.

"Se neste ano tivermos uma baixa, e com certeza vamos ter uma redução na TR que compõe o rendimento do fundo, o FGTS que é de 3%, adicionada a TR, vai passar para 4,66% - esta é a projeção para 2007."

E, ainda de acordo com as informações do economista, se for descontada uma inflação prevista para 4%, o rendimento real do FGTS poderá fechar este ano com um rendimento real um pouco superior a 0,5%, que daria em torno de 0,60%.

"No entanto, se por acaso a inflação bater os 4,5%, o rendimento real vai ser próximo de 0%. O que estamos falando é que o rendimento do FGTS poderá proporcionar, ao longo de 2008, uma rentabilidade real negativa - muito provável caso o governo não mude as regras do jogo", avaliou.

Outros países

O professor de matemática financeira lembrou ainda que em outros países desenvolvidos ou em desenvolvimento, se for descontada a inflação do rendimento que eles obtêm, a maior parte vai apresentar um rendimento real negativo.

"Este redimento de 5% ao ano para a caderneta de poupança - já descontado o IR - não existe em lugar nenhum no mundo", alertou. "Na região do Euro, eles pagam entre 3% a 4% e lá também existe uma inflação que oscila de 1 a 3%, mas o rendimento real é de 1%. Por outro lado, os países em desenvolvimento também não pagam mais do que 1,5% real ao ano. Em qualquer país do mundo, uma aplicação que tenha grande liquidez e grande segurança, terá a mais baixa rentabilidade entre todas as modalidades."

O economista avisa que o brasileiro deve estar preparado para esta "tendência natural" de diminuição da rentabilidade real das aplicações, inclusive da caderneta de poupança.

"O comportamento da economia brasileira, na medida em que a inflação vai caindo - e esperamos que ela ainda caia muito mais -, vai se aproximando muito do que ocorre nos mercados dos países desenvolvidos."

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