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14/10/2005 - 19h46
"Pandemia de gripe aviária deve chegar ao Brasil", diz médico

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

O Brasil não deve ficar livre de uma possível pandemia de gripe aviária, a doença que matou mais de 60 pessoas na Ásia, em 2003, e que voltou a assustar os países europeus esta semana, com novos focos confirmados na Turquia e na Romênia. O alerta é do geriatra João Toniolo Neto, especialista em gripe da Unifesp.

"Não tem jeito de [uma pandemia da doença] não chegar. Em 1918, quando houve a gripe espanhola, o vírus influenza dava a volta ao mundo em cerca de quatro meses devido aos meios de transporte da época. Hoje, isso acontece em quatro dias", disse o médico.

Segundo ele, a OMS (Organização Mundial de Saúde) previa um surto da doença entre 2008 e 2017, mas as previsões estão sendo revistas devido à velocidade de propagação. "Historicamente, se analisarmos desde 2500, se consegue localizar a cada 20 ou 40 anos alguns surtos provavelmente vindos de pandemias de gripes. O último, em 1969, matou 1 milhão de pessoas em Hong Kong", observa.

Na opinião de Toniolo, a melhor estratégia para proteger a população seria o governo adquirir grandes quantidades dos antivirais que combatem a gripe. O Brasil fez parte das pesquisas que desenvolveram o Tamiflu, o medicamento mais conhecido no combate à gripe aviária. Mas segundo o médico, o laboratório Roche, responsável pelo medicamento, não está produzindo em quantidade suficiente para atender à demanda.

"A medicação não foi trazida para o Brasil em quantidade. No momento, em algumas drogarias tem. Mas a quantidade que Roche está produzindo está sendo usada por alguns países. Quem chega antes, garante seu estoque. Tem país que está comprando para cobrir 30% da população, outros só 1% da população", disse.

De acordo com o professor, que disse manter sempre uma quantidade de anti-virais em casa, "não vai ser um estoque de farmácia que vai ser possível conter uma possível pandemia".

Transmissão

O vírus da gripe aviária ainda não é transmitido de homem para homem, apenas da ave para o homem. Mas segundo João Toniolo Neto, mutações genéticas podem tornar possível essa transmissão. "Na hora que isto acontecer, teremos praticamente deflagrada uma pandemia porque o organismo humano não possui forma de combater o vírus nem há vacina que o reconheça", afirma o médico.

Uma vez no corpo humano, segundo o especialista, o vírus invade o núcleo das células, se replica e passa a invadir outras células. A droga age impedindo que o vírus saia da célula, que é destruída. Quanto mais cedo for administrada, menos tempo o vírus terá para se replicar. O tratamento eficaz tem que ser feito em 24 horas.

De acordo com o especialista, o H5N1, variedade mais devastadora do vírus que já foi confirmada nas aves contaminadas da Romênia e Turquia, mata cerca de 50% das pessoas que contraem a doença.

Os atuais anti-virais que combatem a doença, segundo Toniolo Neto, tem validade de apenas 5 anos, mas já estão sendo estudadas novas drogas com validade de até 10 anos. Segundo o especialista, o Brasil não tem o hábito de gastar com pesquisa em novas vacinas.

"Não se gasta com vacina. Vacina é investimento. Não podemos ser o país mais inteligente do mundo e acharmos que não precisamos de estoque", disse.

Algumas redes de distribuidores de medicamentos, segundo o médico, podem importar medicamentos de outros países, como SAR, Medic Vip e Ultrafarma.

Na opinião de Toniolo, deve-se ter antivirais em casa não apenas pela possibilidade de uma pandemia, mas para se proteger de vírus de gripe mais comuns durante o inverno. "A vacina protege 70%. Uma vez nos Estados Unidos peguei uma influenza que nossa vacina não cobria. Com os antivirais fiquei de pé depois de 12 horas", contou.

Gripe x resfriado

Mas é preciso saber diferenciar gripe de um simples resfriado, o que faz que muitas pessoas recorram aos medicamentos errados. Segundo o médico da Unifesp, gripe é um quadro agudo, com febre alta, acompanhada de mal estar e três tipos de sintoma: tosse, dores musculares e cansaço. Já o resfriado comum, segundo médico, se manifesta apenas com pigarro, corisa e eventualmente dor de cabeça.

Alarmistas ou realistas?

O especialista, que participou em 2001 de um evento da OMS que marcou os 50 anos de vigilância da gripe, disse que todos os participantes saíram convencidos, na ocasião, "de que nada vai impedir que uma pandemia de gripe apareça".

"Desde 97 já mataram 120 milhões de frangos na Ásia. Mas sempre pode ter algum lugar que não se sabe onde o vírus pode estar fazendo as mutações. A vigilância epidemiológica matando a fonte está conseguindo apenas conter. Não precisamos ser alarmistas, mas realistas", alertou.

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