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19/01/2009 - 17h19

Prédio da Renascer já foi interditado por causa de telhado, diz MP

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Atualizada às 20h50

O Ministério Público (MP) de São Paulo recebeu reclamações de vizinhos e frequentadores da igreja Renascer sobre o prédio que já havia sido interditado por causa do teto que desabou na noite deste domingo (18). Nove pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas no desabamento na avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci, zona sul de São Paulo.

O inquérito para investigar o caso foi aberto na 1ª Delegacia Seccional de São Paulo para apurar as causas do acidente. Segundo a promotora de Justiça da Habitação e Urbanismo, Mabel Tucunduva, as reclamações datam de 1998 e resultaram na interdição do local. A promotora não especificou quanto tempo durou a interdição.

Segundo ela, o telhado do templo foi reformado e sua qualidade foi atestada por três laudos. "Estou surpresa, houve uma recomendação [do MP] para a troca do telhado e foram apresentados documentos dizendo que estava tudo em ordem. Se todas as obras foram feitas não era para ter desabado, isso é inaceitável", disse a promotora. Ainda conforme Tucunduva, que classificou a situação do teto na época como "desastrosa", o edifício chegou a funcionar sem a licença em 2000 e em 2008, mas hoje, todos os documentos estão em ordem.

Frequentadores já haviam reclamado da presença de rachaduras e goteiras no prédio. Vizinhos do local também reclamavam do barulho excessivo.

As investigações do MP estão divididas em duas partes, uma destinada à Promotoria da Habitação e Urbanismo e outra na esfera criminal para apurar crimes como homicídios culposos, lesões corporais, periclitação à vida e desabamento.

O promotor de Justiça criminal Ricardo Antonio Andreucci aguarda laudos que o Instituto de Criminalística deve fazer no local. "A hipótese de dolo eventual [quando o criminoso assume o risco de cometer o crime] pode ser avaliada no curso das investigações", disse. Segundo o promotor, porém, inicialmente trabalha-se com o crime culposo, sem intenção.

Questionado sobre se a responsabilidade poderia recair sobre os bispos fundadores da igreja, Estevam e Sônia Hernandes, o promotor afirmou que, em tese, sim. "O bispo fez um acordo pessoal comigo", completou a promotora Mabel Tucunduva. "Que ele sabia de tudo isso, não há dúvidas."

Segundo os promotores, todos os envolvidos como engenheiros e responsavéis por laudos que atestaram o teto deverão ser ouvidos durante as investigações. "Há muita reclamação sobre esse templo", finalizou a promotora.

Nota do IPT
Em nota divulgada à imprensa nesta segunda (19), o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) de SP afirma que foi contratado em 1998 para avaliar as condições da estrutura e propor medidas corretivas no local. "O IPT, ao final das obras realizadas pela própria Igreja em fevereiro de 2000, emitiu relatório apontando um conjunto de recomendações que deveriam ser seguidas para a manutenção da segurança da edificação."

Ainda segundo a nota, o IPT informa que, há nove anos, não tem acesso à estrutura.

Veja como era e como ficou a igreja após o desabamento


Mais imagens da igreja original

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