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USP desenvolverá banco de células-tronco para pesquisar doenças crônicas e novas drogas

Daniel Mello

Da Agência Brasil, em São Paulo

15/05/2012 09h51

Uma equipe de 17 pesquisadores desenvolverá na Universidade de São Paulo (USP) um banco de células-tronco de pluripotência induzida. São células adultas que são induzidas artificialmente para reproduzir a capacidade de formar qualquer tecido do corpo. Segundo a coordenadora do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (Lance) da USP, Lygia Vieira Pereira, as primeiras pesquisas com o banco poderão começar a ser desenvolvidas em dois ou três anos. O sistema só deverá funcionar plenamente em aproximadamente cinco anos.

O banco será formado a partir de amostras de sangue coletadas pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa). A iniciativa do Ministério da Saúde vai monitorar, com entrevistas e exames clínicos, a saúde de 15 mil pessoas ao longo de 30 anos para avaliar os fatores de risco de doenças crônicas.

Com isso, além das células de uma amostra significativa da população, estarão disponíveis dados clínicos relativos ao material. “Isso vai acabar servindo, em um futuro bem próximo, como uma população brasileira in vitro”, diz Lygia. “Então, no caso de uma nova droga, antes dela ser lançada, tem que ser testada na população brasileira para ver se ela é tóxica. A gente poderia antes de ir para as pessoas, testar nas células, na população brasileira in vitro”, exemplifica a pesquisadora.

Outra utilização, prevista por Lygia, diz respeito ao próprio estudo de como se desenvolvem as doenças crônicas. “A gente pega os dados clínicos dessas pessoas e vemos quantas têm depressão. Será que a gente consegue enxergar isso nas células delas? A gente conseguiria prever que essas pessoas teriam depressão?”diz.

Entre as dificuldades para a realização do projeto está a necessidade de se aperfeiçoar o processo para induzir a pluripotência nas células. “Isto é uma técnica que se você está pensando em fazer para poucas células é uma coisa tranquila, mas agora a gente tem que pensar em uma forma de fazer isso em um número grande de células. Então ai você tem que adaptar protocolos para trabalhar com um número grande de células”.