Nasa acredita que lua de Júpiter emite vapor de água para o espaço

Do UOL, em São Paulo

A Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) anunciou nesta segunda-feira (26) que Europa, uma das mais interessantes luas de Júpiter, pode emitir vapores de pluma de água (uma espécie de gêiser). A descoberta foi feita por astrônomos a partir de observações do telescópio Hubble e aumenta a possibilidade de encontrarmos formas de vida no corpo celeste.

O anúncio confirma observações anteriores feitas em Europa. A descoberta dá início à possibilidade de futuras missões serem capazes de colher amostras da água do planeta sem a necessidade de pousar e perfurar o gelo da superfície desta lua --que chegaria a 100 km de espessura.

"O oceano de Europa é considerado um dos lugares mais promissores para encontrar vida em nosso Sistema Solar. Estas plumas, se realmente existirem, podem fornecer uma nova maneira de colher amostras da superfície da Europa", afirmou Geoff Yoder, administrador associado da diretoria de missões científicas da Nasa em Washington. 

Estima-se que as plumas de água alcancem até 200 km de altura. As observações dos vapores foram feitas em três oportunidades distintas e por métodos diferentes, mas não foram feitas simultaneamente. Há a possibilidade de que os vapores sejam intermitentes - as plumas foram vistas em três das dez observações ao longo de 15 meses feitas pelos cientistas.

Europa é a segunda lua em nosso sistema a ter confirmada a presença de vapor de plumas de água, que são uma espécie de gêiser. Enceladus, lua de Saturno, também tem a ocorrência do fenômeno. Para Gustavo Rojas, astrônomo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), o anúncio reforça a ideia de Europa como um alvo para a exploração espacial para as próximas décadas. 

O pessoal estava esperando algo deste naipe, já tinham indícios há muito tempo. Só serve para fortalecer a ideia que depois de Marte o principal alvo de exploração espacial é a lua Europa"  Gustavo Rojas

Europa e sua água

A lua Europa é apontada pelos cientistas como o lugar mais provável para haver vida fora da Terra, porque o balanço químico dos oceanos do satélite é muito parecido com os do nosso planeta. O corpo celeste teria um oceano duas vezes maior que a Terra, mas ele está sob uma dura camada de gelo.

Em maio deste ano, pesquisadores confirmaram que existe hidrogênio e oxigênio suficientes para a formação de vida por ali, além de outros elementos favoráveis à vida, como gás carbônico, água oxigenada e enxofre.

O estudo, publicado pelo periódico Geophysical Research Letters, descobriu que a produção de oxigênio tanto na Terra quanto em Europa é cerca de dez vezes maior do que a produção de hidrogênio.

Na Terra, os oceanos produzem hidrogênio e calor quando a água salgada do mar penetra nas fissuras da crosta terrestre e reage com os minerais. O objetivo dos cientistas é saber se essa reação também acontece no satélite de Júpiter.

A ESA (Agência Espacial Europeia) já assinou um contrato de 350 milhões de euros com a Airbus Defence and Space para construir Juice, uma sonda que vai estudar Júpiter e suas luas congeladas em 2020. 

Mas existem desafios importantes para este projeto: o ambiente de Júpiter é muito radioativo e o planeta fica muito distante da Terra. 

Nem só de água

A presença de água na Europa já era um fato reconhecido pelos cientistas, mas essa não é a única condição necessária para que haja vida em outro planeta.

Segundo os astrobiólogos (cientistas que estudam possibilidades de vida no Universo), seres vivos podem surgir em diversos tipos de ambientes, sem que seja necessária uma atmosfera parecida com a da Terra.

"A gente tem uma corrida de onde vai achar vida primeiro, aqui no nosso Sistema Solar ou em outras estrelas. Com certeza quando ficar pronta a próxima geração de telescópios, os astrônomos vão ter a capacidade de procurar indícios de oxigênio e água em planetas extrassolares"  Gustavo Rojas

Por enquanto, a tecnologia que temos não permite uma busca detalhada na atmosfera de outros planetas. Por isso, a busca por vida fora da Terra se limita a encontrar água.

Em 2015, os pesquisadores confirmaram a presença de água em Marte, o que indica que bactérias poderiam viver no planeta. O oceano da Lua Europa também pode estar cheio de microorganismos.

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