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Paulo Sampaio


Dona de 500 sapatos, advogada paulista não sabe onde usá-los na quarentena

Posando para o fotógrafo particular, em SP: vestido Carolina Herrera, chapéu Chanel, bolsa Hermès e sapatos Aquazurra; "diamonds"Harry Winston - @holtsman
Posando para o fotógrafo particular, em SP: vestido Carolina Herrera, chapéu Chanel, bolsa Hermès e sapatos Aquazurra; "diamonds"Harry Winston Imagem: @holtsman
Paulo Sampaio

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.

Colunista do UOL

01/04/2020 04h00

Pela primeira vez desde o início da quarentena decorrente da pandemia de covid-19, a advogada paulista Silvia Bonfiglioli encontrou ocasião para usar um dos cerca de 500 pares de sapatos que mantém no armário. A quarentena começou em 24 de março.

Devidamente fotografada por um profissional que abastece seu Instagram, Silvia foi a um laboratório de análises clínicas para fazer a sorologia para novo coronavírus. Calçou um modelo colorido da grife Prada, "made to order" (feito sob encomenda).

"O teste deu negativo, pena. Queria ter o anticorpo, estar imunizada, mas como seria possível, se eu estou seguindo à risca a orientação das autoridades de saúde? Praticamente não saio do meu closet", diz.

A caminho do laboratório onde fez o teste para novo coronavírus; sapato colorido "made to order" da grife Prada - @holtsman - @holtsman
A caminho do laboratório onde fez o teste para novo coronavírus; sapato colorido "made to order" da grife Prada
Imagem: @holtsman

Aconchegada no meio das centenas de peças, ela lamenta a falta de ocasião para usá-las. Só de chapéus, são mais de 300. No dia do teste, usou um modelo masculino Georgio Armani (AMOOOO). "Meu marido não pode reclamar de que eu não tenho nada na cabeça", diz ela, rindo muito. "Ah, sabe, eu acho que a vida tem de ser leve. Está tudo tão feio. Sorrir aumenta a imunidade, sabia? Eu sou positiva, torço pelo meu País. Minha bandeira é o Brasil."

Embora tenha votado em Bolsonaro, ela explica que é lavajatista, não bolsonarista. "Minha primeira opção foi o João Amoedo (Partido Novo). Quando à saída do (ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio) Moro, eu não sei nem o que dizer . Ele é meu herói. O Brasil precisa dele! Mas vida que segue. Casamentos e divórcios acontecem."

De tão fã de Moro, ela conta que fez uma foto com um de seus "looks" em homenagem ao ex-ministro. Vestido Dolce & Gabbana; "A Tiffany (& Co, joalheria) me chamou para um evento em Curitiba, eu fiz essa imagem no Palácio de Cristal (Jardim Botânico)", lembra ela, que costuma levar consigo, onde quer que vá, um fotógrafo para registrá-la. Uma artista-plástica produz ilustrações feitas em cima das fotos. Tudo é postado no aplicativo instagram.

A ilustradora Lulu Aguiar produz desenhos a partir das fotos dos "looks" - @holtsman - @holtsman
A ilustradora Lulu Aguiar produz desenhos a partir das fotos dos "looks"
Imagem: @holtsman

A gente só não poder perder o (ministro da Economia, Paulo) Guedes."

Não à toa, ela é da opinião de que logo, logo a quarentena vai ser "flexibilizada": "Parar a economia é parar o mundo, gente. Não dá!" Silvia afirma que a paralisação atípica no consumo deu a ela um problema de identidade: "Estou sem consumir há mais de 40 dias. Já nem sei quem sou", lamenta. De repente, ela passa a falar em inglês: "Sorry! I'm so nervous about this this vírus! For god sake! What is happening to the world!!"

A última peça que comprou foi uma bolsa modelo Birkin, da grife francesa Hermés, em fevereiro. O nome é uma homenagem à atriz inglesa Jane Birkin, cultuada a partir do fim dos anos 1960 pelo vanguardismo. A bolsa de Sílvia é arroxeada. Ela não diz o valor, mas a média entre os modelos da marca é R$ 60 mil. "Tenho muita coisa, mas faço muita caridade. Entra muita roupa e acessório aqui, e sai muito. Agora mesmo vou organizar um leilão beneficente de uma Birkin chocolate, com renda revertida para uma instituição que acolhe animais."

Silvia faz questão de dizer que jamais compra um ítem fora do Brasil. "A gente tem de prestigiar as vendedoras brasileiras, que são maravilhosas. Dar emprego a essas pessoas que nos atendem tão bem!"" Casada, dois filhos, a advogada vive em um casarão na zona sul de São Paulo. Diz, às gargalhadas, que seu casamento começou a ruir quando ela comprou a primeira Birkin.

Além do sapato Prada, ela completou o look que vestiu para ir ao laboratório com uma camisa masculina da marca norte-americana Brooks Brother, calça Seven e chapéu Giorgio Armani ("AMOOOOO"). Bolsa branca da francesa Goyard.

Se ainda não tem o anticorpo para SARS-CoV-2 (novo coronavírus), ela se diz vacinada contra embusteiros que tentam lhe empurrar bolsas falsas. Diz que se imunizou quando uma "amiga" vendeu para ela um modelo de Birkin fake. "Levei um golpe! A mulher era 171 Plus" (referência ao artigo do Código Penal que versa sobre estelionato).

Paulo Sampaio