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O casamento de 33 anos do ex-traficante de cocaína com a ex-símbolo sexual

O casal no Havaí, em 1987: auge do tráfico - Reprodução/Arquivo Pessoal
O casal no Havaí, em 1987: auge do tráfico Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal
Paulo Sampaio

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.

Colunista do UOL

18/10/2020 04h00

Parece haver uma disputa entre os dois crentes para saber quem pecou mais. Casados há 33 anos, o ex-traficante de cocaína Luiz Carlos Pereira Leite, 64 anos, e a ex-"pantera" e capa da revista "Playboy" Debora Soares, 54, transformaram suas faltas do passado em "testemunho".

Pelo que se depreende na conversa com eles, quanto mais extraordinária é a história que contam, maiores são as chances de atraírem gente para a salvação.

Ao dar uma ideia do quanto andou fora do caminho de Deus, Leite declara, em um linguajar muito próprio, que foi um "traficante internacional". "Eu era ligado ao cartel de Medellín, meu irmão! Cheguei a movimentar U$ 1 milhão em um mês." Conhecido da grãfinada carioca como Luizinho do Pó, Leite diz que durante 8 anos, entre 1980 e 1988, controlou um império que ia da zona sul do Rio à Austrália, com escala no Havaí.

Débora não deixa por menos: "Eu vivia do meu corpo, cheguei a me arriscar para conseguir exposição e ganhar mais com publicidade. Topei fazer uma matéria em que posava nua nos principais pontos turísticos do Rio, Cristo Redentor, Pão de Açúcar, praia de Ipanema, enquanto o repórter anotava a reação das pessoas. Fui parar em todos os programas de TV!"

Diz ela que aproveitou "todas as oportunidades, cada telefonema que tocou". Namorou muito, mas era "romântica". "Claro que houve muitas propostas de michê, mas eu não conseguia entregar o meu corpo por dinheiro. Queria minha independência financeira, sem precisar esconder nada dos outros."

Na sala da casa em que moram hoje, em Piratininga, região oceânica de Niterói - Paulo Sampaio/UOL - Paulo Sampaio/UOL
Na sala da casa em que moram hoje, em Piratininga, região oceânica de Niterói
Imagem: Paulo Sampaio/UOL

Quitinete emprestada

O casal se entregou a Jesus num momento em que a alternativa era se entregar à polícia. Depois de 4 anos de cadeia, Leite estava em liberdade condicional e se tornou foragido quando descobriram que ele pretendia deixar o Brasil em um veleiro carregado de cocaína.

Para conseguir a liberdade, ele comprou a polícia ("eles pediram um arrego de U$ 100 mil"), mas outras facções permaneceram em seu encalço. Na ocasião, Luiz, Débora e uma filha de quatro anos do casal se esconderam em uma quitinete emprestada na Avenida Princesa Isabel, entre Copacabana e o Leme, enquanto esperavam que seus credores esquecessem dele.

Foi então que, no Dia das Mães de 1992, o encontro milagroso com uma senhora evangélica os levou à redenção por tudo que haviam feito de errado até ali.

Copacabana, 1980

Filha de um funcionário da Petrobrás e de uma dona de casa, Débora Soares morava com os pais e os três irmãos na Rua Duvivier, em Copacabana, e era uma típica adolescente de classe média do bairro. Divida seus dias entre a escola, a praia e os namoros.

Um dia, aos 14 anos, ela voltava de uma animada partida de peteca na areia, quando foi abordada por um jovem moreno, bem aparentado, que caminhava com o cachorro pelo calçadão. Bom de pregação desde sempre, Luiz Carlos soltou um gracejo, ela sorriu, e os dois começaram a sair.

Dez anos mais velho, ele nasceu em Realengo, no subúrbio carioca, vinha de uma família de oito irmãos e tinha saído de casa brigado. Àquela altura, "já controlava uma boca de fumo na rua Prado Júnior", a poucas quadras da casa de Débora. "A cocaína ainda não era a droga do momento", lembra ele.

"Sabe quando os olhares se cruzam, que rola aquela energia?", pergunta Débora, na sala da casa em que mora hoje com Luiz, em Piratininga, na região oceânica de Niterói.

Riviera e Mercedes

Copacabana toda sabia da atividade de Luiz Carlos, incluindo os pais dela, que se opuseram terminantemente ao namoro. Os dois jovens acabaram se afastando.

Medindo 1,70m, alta para a idade, Débora ouvia o tempo todo que deveria tentar a carreira de modelo. Por aquela ocasião, seu pai saiu de casa para viver com a secretária, e sua mãe começou a trabalhar como corretora de imóveis.

Logo, dona Wani mudou-se com os filhos para o condomínio de classe média alta Riviera dei Fiori, na Barra da Tijuca, na zona oeste. Pouco tempo depois, começou a se relacionar com um vizinho advogado "que tinha uma Mercedes", e houve um upgrade para a cobertura do prédio.

"Esse companheiro da minha mãe me deu muita força para fazer o curso de modelo, eu entrei para a Socila (famosa 'escola de etiqueta' que ensinava meninas bem nascidas a andar, se maquiar, se vestir, receber para jantar etc)."

Modelo precoce, aos 12 anos - Arquivo Pessoal/Reprodução  - Arquivo Pessoal/Reprodução
Modelo precoce, aos 12 anos
Imagem: Arquivo Pessoal/Reprodução

Pantera, aos 19

Apesar do investimento na carreira de modelo de passarela, logo Débora estourou em um festejado concurso de "panteras" promovido durante o Carnaval. "Foi uma surpresa, porque eu mal sabia fazer a coreografia [de felina]. Meu rosto era angelical, e ali só tinha mulherão. Acho que por isso me elegeram."

A vencedora do concurso naturalmente se tornava capa da "Playboy". De acordo com Jackson Bezerra, na época diretor da sucursal carioca da revista, "o diferencial da Débora era que ela reunia corpo e rosto bonitos". "Foi a primeira vez em que a minha opinião coincidiu com a do Ricardo Amaral [empresário da noite, dono do Hippopotamius], que comandava o concurso e decidia o resultado. O júri tinha Boni, Zózimo Barrozo do Amaral, José Hugo Celidônio, Antenor Mayrink Veiga e tudo o que você imaginar de alta sociedade. Em geral, eles elegiam a pantera pelo 'corpão', mas em uma capa de 'Playboy' o rosto contava muito."

Segundo Jackson Bezerra, da "Playboy", "o diferencial da Débora era que ela não tinha só o corpo bonito, mas o rosto também" - Reprodução/Arquivo Pessoal - Reprodução/Arquivo Pessoal
Segundo Jackson Bezerra, da "Playboy", "o diferencial da Débora era que ela não tinha só o corpo bonito, mas o rosto também"
Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Pela televisão

Dona Wani só soube que a filha havia se sagrado "pantera" porque o concurso era televisionado. Débora também não comunicou a ninguém da família que posaria nua na "Playboy". "Meu irmão mais velho me mataria se soubesse. Eu disse ao Walthinho (Guimarães, produtor de concursos ligado à revista) que faria as fotos, mas precisaria sair de casa."

Ricardo Amaral então a instalou em um flat no Leblon. Disse: "Pode ficar, até arranjar outro lugar. Pelo menos, não vai apanhar do seu irmão".

Ela conta isso rindo. Diz que Denílson chegou a raspar a cabeça para não ser reconhecido como o irmão da capa da "Playboy".

A "pantera" de 1986, na capa da "Playboy" - Reprodução - Reprodução
A "pantera" de 1986, na capa da "Playboy"
Imagem: Reprodução

Corpo em evidência

Segundo Débora, a "pantera" e a "coelhinha" solaparam de vez a almejada carreira de "modelo de passarela". Ela passou a ser requisitada para participar de uma série de concursos de beleza ("Musa do Verão", "Garota Bumbum" , "Garota do Fantástico") e a desfilar muito à vontade no Carnaval da Sapucaí.

No Carnaval, com o pai da atriz Marina Ruy Barbosa  - Reprodução/Arquivo Pessoal - Reprodução/Arquivo Pessoal
No Carnaval, com o pai da atriz Marina Ruy Barbosa
Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Famosa agora pelo corpo ("eles só queriam explorar isso"), ela começou a fazer pontas em humorísticos da TV Globo, circulava com galãs de novela ("nós desfilávamos pelo Brasil todo, eu, Alexandre Frota, Maurício Mattar, Paulo César Grande, era uma galera que estava começando, a gente andava muito junto") e saía em colunas sociais. Só então, ela diz, "caiu a ficha".

"Muitas marcas não queriam atrelar a capa da 'Playboy' ao produto que vendiam, e, por isso, perdi muito comercial."

1987: capa da revista "Manchete" (primeira à esq.), na edição de Carnaval - Reprodução - Reprodução
1987: capa da revista "Manchete" (primeira à esq.), na edição de Carnaval
Imagem: Reprodução

Recaída inapelável

Isso não a impediu de conquistar a tão desejada independência e se mudar para um apartamento de frente para o mar, na Barra. A mãe foi junto, para "tomar conta" da filha. Não adiantou.

"Um dia, estou eu na barraca do Pepê [posto 2 da praia], e quem aparece? Essa peça." Ela aponta para Luiz Carlos. O traficante agora era dono de restaurante e de salão de beleza. "Tudo fachada, para lavar o dinheiro da droga", ela diz.

A recaída foi inevitável. Luiz estava indo para o Havaí, e queria que Débora fosse junto. Mas ela aguardava o "retorno" da matéria da nudez nos pontos turísticos do Rio. "Sabia que atrairia muita publicidade."

Ele disse que não dava para esperar, precisava ir imediatamente. Sem saber exatamente onde estava se metendo, imbuída apenas de amor, Débora Soares esqueceu o trabalho, brigou com a família e embarcou na primeira classe de um voo para Los Angeles.

Mala cheia

Assim que se instalaram no hotel nos EUA, Luiz recebeu a visita de um atleta que trazia uma mala carregada de cocaína. Indignada, Débora pediu seu passaporte a ele e disse que embarcaria de volta para o Brasil. Mas, como sempre aconteceria, acabou ficando.

Luiz Carlos usava esportistas como "mula" para levar a droga: "Na época, não havia esses patrocínios milionários, e os atletas topavam fazer o transporte, em troca de investimento financeiro no esporte. Até gente da CBF", lembra ele.

Para que a operação não vazasse, ele mantinha o "mula" isolado antes da viagem. Levava-o para a mansão onde morava e mandava vigiá-lo, "sem tolher a liberdade dele em nada".

Segundo Luiz Carlos, não havia risco de dar errado. "O esquema montado nos aeroportos era muito forte, tanto para a droga sair, como para o dinheiro entrar. Muita gente envolvida. Eu controlava 45 pessoas."

Método hi-tech

Apesar de seguir os caminhos de Deus há 28 anos, Luiz Carlos Leite não se furta de conjeturar como faria se tivesse de traficar hoje: "Eu não usaria o mesmo método. Tudo agora é tecnológico."

Pergunto se ele recebe propostas para voltar para o tráfico: "Amigo, eu prego muito em comunidade. O que você acha que eu encontro ali?"

Deus?

Ele forja uma expressão que transita entre o infantil e o cafajeste. E ri.

Havaí 87

No Havaí, a vida de Débora "passou a ser a vida dele [Luiz]". "Ele ficava o dia todo no telefone, ligando para o mula, para o cara que ia buscar, para o que ia comprar, um estresse!"

Até então, segundo conta, ela "cheirava apenas para animar", antes de entrar na avenida (Marquês de Sapucaí), ou em uma festa. Mas então, passou a consumir cocaína "por falta do que fazer".

"Eu me sentia infeliz, queria trabalhar, ter minha vida, e ao mesmo tempo a droga estava ali, disponível em quantidade."

No Havaí, em 1987: a pantera e o traficante internacional - Arquivo Pessoal/Reprodução - Arquivo Pessoal/Reprodução
No Havaí, em 1987: a pantera e o traficante internacional
Imagem: Arquivo Pessoal/Reprodução

Dólares na bota

Um dia, "virada de cocaína", Débora pegou sua prancha de morey-boogie e se embrenhou no mar de corais de Diamond Head, disposta a por fim a própria vida. "Hoje, vejo que foi a primeira vez que Deus agiu em mim. Não me deixou fazer aquela besteira. Eu voltei para o flat e disse ao Luiz que queria mesmo vir para o Brasil. Dessa vez, ele concordou."

Débora Soares desembarcou no Galeão com cerca de 20 mil dólares distribuídos no cano da bota, no short, na jaqueta.

Ao passar pela Polícia Federal, a luz vermelha acendeu, em sinal de que ela teria de mostrar o que estava trazendo. Enquanto isso, a porta automática da saída abria e fechava, e sua mãe acenava para ela, do lado de fora. "Eu dizia que já, já, sairia, e pedi ao policial para me liberar logo. Então ele disse: "Ok, então vai! Tá liberada!"

Muita coisa envolvida

Pouco depois, Luiz Carlos voltou ao Brasil. O namoro continuava. Ela engravidou. O nascimento do bebê estava marcado para 30 de julho de 1988. No dia 18, Luiz Carlos é preso. Débora custa a crer. "Na véspera, a gente tinha caminhado pela orla, feito fotos da minha barriga, filmamos..."

O pai da criança passou quatro anos e meio na cadeia, período em que Débora o visitava regularmente, com a filha. A condição para que o relacionamento continuasse era que Luiz Carlos largasse o tráfico. Porém, diz ele, "eu controlava tudo de dentro da cadeia".

Débora não tinha conhecimento de que a operação do veleiro já estava armada antes da soltura dele. Apesar da resistência que impôs quando soube, ela se viu tendo aulas para aprender a velejar. "Eu estava muito envolvida, não conseguia sair daquilo", lembra.

Luiz Carlos e Débora na manchete dos jornais, quando ele foi preso  - Reprodução/Arquivo Pessoal - Reprodução/Arquivo Pessoal
Luiz Carlos e Débora na manchete dos jornais, quando ele foi preso
Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Brasília amarela

No Dia das Mães de 1992, mesmo foragido, Luiz Carlos conseguiu trocar um lote da droga por um carro para levá-los até a casa das respectivas famílias dos dois. Débora lembra, rindo: "Era uma Brasília amarela que só por Deus! Fedia a óleo e chamava muita atenção."

A senhora crente que os fez orar naquele dia chamou-os para um culto uma semana depois. "A gente naquela quitinete, e o Luiz dizendo: 'Você está louca de sair de casa para ir à igreja?!', mas eu coloquei meu shortinho, o top e a bota, e o convenci a ir comigo."

Logo à entrada do templo, havia uma placa que informava que ali não era permitido "minissaia" nem "shortinho". "Eu disse: 'Quero ver quem vai me impedir de entrar'."

Jesus x pagodinho

Foi então que ela e Luiz sentiram pela primeira vez a presença de Deus; os dois choraram muito e decidiram deixar que Ele agisse em sua vida. Naquele dia, segundo contam, eles abandonaram o tráfico, a concupiscência da carne e a ambição financeira.

Ao mesmo tempo?

"Você tem de colocar a confiança em Deus de uma vez. Não dá para ficar em cima do muro. Por que a Monique Evans não se firmou (na religião)? Por que a Gretchen não se firmou, nem a Simony? O pessoal quer Jesus e quer continuar no pagodinho. Não dá!"

E assim foi que, como diz a própria Débora, ela se desligou "totalmente" do seu eu, tornou-se dependente de Deus e submissa e Ele.

Com que dinheiro?

Sem o provento da cocaína e da carreira de modelo, eles viveriam de quê? Aparentemente, de milagres.

"Esse é o grande barato que Jesus faz. Os irmãos nos abençoaram com cestas básicas, com ofertas maravilhosas. Quando a gente se casou, na igreja (até então, para Deus, nós vivíamos em fornicação), eu não tinha nada. Sempre sonhei com aquele momento, e agora, como seria? Você acredita que Deus me deu o vestido, a festa, providenciou tudo? A filha do pastor se casou algumas horas antes, deixou toda a decoração pra gente; o Luiz chegou em uma irmã boleira, e falou: 'Tô vivendo uma vida nova, a senhora podia fazer um bolo?' Ela respondeu: 'Eu vou fazer o bolo de vocês.' Minha primeira saia evangélica quem me deu foi a [cantora] Rose Nascimento."

No casamento, em 1992, Deus providenciou tudo - Arquivo Pessoal/Reprodução - Arquivo Pessoal/Reprodução
No casamento, em 1992, Deus providenciou tudo
Imagem: Arquivo Pessoal/Reprodução

Salvo pelo traveco

Usando os pecados do passado como capital, eles passaram a viver da pregação. "A igreja tinha um testemunho bomba! Um traficante internacional e uma capa de "Playboy"! Caramba! Isso é poder de Deus!", diz Débora.

Luiz Carlos, que é falante, divertido, carismático, conta as dificuldades que enfrentou em tentativas de conversão que terminariam com final feliz:

"Uma vez, fui pregar em uma igreja chiquérrima de São Paulo, metodista, só para milionários. Era aquela coisa gelada, eu tentando arrancar uma lágrima, nada. No final, eu disse: 'Gostaria de chamar aqui na frente você, que está precisando que Deus trabalhe em sua vida'...Cara, não foi ninguém. Eu pensei: 'Que roubada!'"

"De repente, entra um traveco na igreja, tipo todo desconjuntado, chorando, eu resolvo ir na direção dele, agarro o traveco, começo a chorar, a igreja toda começa a chorar, aquelas mulheres milionárias borradas da maquiagem, o pastor pega o microfone da minha mão e diz: 'Gente, há quanto tempo a gente não chora assim?'"

Pastora de gay, não

Muito séria, Débora diz que não está preparada para pregar para homossexuais. "Amo os gays, amo, amo. Mas não seria pastora deles. Eu amo o pecador, não pecado."

Heterossexuais, suas três filhas são evangélicas. Além de Louise Katherine, hoje com 32 anos, o casal teve mais duas meninas; Rebeca, 25 e Jennifer, 23. Deus os abençoou com escolas particulares para todas. Louise, que tinha 4 anos quando o pai saiu da prisão, é empresária, casada e tem um filho de 8 anos.

Ela lembra: "O momento mais difícil foi quando eles estavam fugindo da polícia. Eu tinha entre 3 e 5 anos. Lembro de minha mãe triste, chorando e brigas intensas entre eles. A partir dos 5, tenho recordações mais concretas, a rotina de irmos à igreja e a proximidade dos familiares."

A família posa para matéria de jornal: "Final feliz para o pecado" - Reprodução/Arquivo Pessoal - Reprodução/Arquivo Pessoal
A família posa para matéria de jornal: "Final feliz para o pecado"
Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Casa com piscina

Hoje, nenhuma das três mora mais com os pais. Na sala da casa com piscina e gramado à frente, dois carros na garagem, pergunto qual o tamanho da área construída. Luiz Carlos responde à outra pergunta, que eu não fiz: "Não cobro nada para pregar. Essa casa foi comprada com financiamento da caixa econômica."

Louvado seja Deus.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL