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Mortes em decorrência das chuvas chegam a 102 no Rio

Jovens brincam em ônibus coberto pela água no bairro do Jacaré, no Rio - Marcos Tristão/Agência O Globo
Jovens brincam em ônibus coberto pela água no bairro do Jacaré, no Rio Imagem: Marcos Tristão/Agência O Globo

Do UOL Notícias<br> Em São Paulo

07/04/2010 09h07

Atualizada às 11h10

O número de mortos devido às chuvas que atingem o Rio de Janeiro desde o final da tarde desta segunda-feira (05) chegou a 102 na manhã desta quarta-feira (07), segundo levantamento do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil Estadual. Mais dois corpos foram localizados no morro dos Macacos e no morro do Turano, na cidade do Rio, e outros dois em São Gonçalo, onde 11 pessoas já foram achadas em meio aos deslizamentos que aconteceram na região. Até o momento foram registradas 39 vítimas no Rio de Janeiro, 49 em Niterói, 11 em São Gonçalo, uma em Nilópolis, uma em Paracambi e uma em Petrópolis. Os feridos somam 104.

Na cidade do Rio, foram 14 mortes no morro dos Prazeres, seis no morro dos Macacos, quatro no bairro Taquara, quatro no morro do Turano, três no morro do Borel, uma no morro do Andaraí, três na ladeira dos Guararapes, uma no Recreio dos Bandeirantes, uma na Ilha do Governador, uma em Olaria e uma em São Cristóvão.

Os bombeiros ainda procuram desaparecidos no morro dos Prazeres (em Santa Teresa), no bairro Taquara, na Rocinha, na Vila Kosmos e no Andaraí. Em Niterói, as equipes de resgate estão em dez pontos, sendo que os principais deles são o morro do Estado e a Cova da Onça, onde 10 pessoas estão desaparecidas. O trabalho foi retomado por volta de 6h de hoje.

Desabrigados
As chuvas deixaram até agora 2.134 pessoas desabrigadas na capital fluminense, segundo o último balanço da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil.

O balanço do órgão mostra que entre 17h de segunda até as 7h desta quarta, 786 chamados foram computados pelas autoridades de emergência da cidade. A maioria dos chamados refere-se a desabamentos de imóveis, rachaduras, deslizamentos de barreiras e quedas de muros. Nesse mesmo período o órgão da prefeitura interditou 180 imóveis.

Em caso de emergência, a população deve ligar para a Defesa Civil no telefone 199, que funciona 24 horas, priorizando os casos de deslizamentos e desabamentos.

Mais chuva
A previsão é de mais chuva na região nesta quarta-feira. A prefeitura afirma que, devido ao acumulado dos últimos dias, há possibilidade de novos deslizamentos de terra no Rio. O sistema AlertaRio chegou a colocar toda a cidade, no final da tarde, em alerta máximo para novos deslizamentos e alagamentos. À noite, contudo, o alerta foi cancelado e a cidade entrou apenas em estado de atenção, representa possibilidade de chuva moderada, ocasionalmente forte, nas próximas horas.

Segundo os meteorologistas da Somar, nessa quarta-feira os volumes de chuva no Rio de Janeiro não devem ser tão elevados como nos últimos dias, mas a chuva constante mantém o risco de novos transtornos, principalmente queda de barreiras em rodovias e deslizamento de encostas

Escolas fechadas
Em entrevista coletiva no começo da noite desta terça-feira (6), o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), anunciou que as escolas continuarão fechadas nesta quarta-feira (7) devido aos estragos causados pela chuva. O intuito do cancelamento é evitar o deslocamento de pessoas pelas ruas.

Paes, no entanto, eximiu a responsabilidade da prefeitura e culpou exclusivamente o excesso de chuva pelo caos instalado na capital fluminense. De acordo com ele, na história recente da cidade nunca houve uma chuva como a das últimas 24 horas.

O prefeito do Rio afirmou que a chuva foi a maior já registrada na cidade. Em menos de 24 horas, foram 288 milímetros de precipitação (cada milímetro equivale a um litro de água por metro quadrado). Em 1966, choveu 245 milímetros em 24 horas --na ocasião, a chuva histórica destruiu a cidade.

"Foi o maior volume de chuvas relacionadas a enchentes já registrado em nossa cidade. Tivemos a chuva forte somada à maré alta e ressaca, o que agravou a situação. Para se ter uma ideia, o nível da lagoa Rodrigo de Freitas que normalmente é de 50 centímetros foi a 1,40 metro. É claro que ninguém nega que existam deficiências e problemas estruturais, mas não há galeria pluvial limpa que segure este volume de água", disse Paes.

Já o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), culpou a ocupação irregular de favelas pelo tragédia. Ele confirmou que vai decretar estado de emergência no Estado devido ao temporal.

Ajuda federal
O ministro da Integração Nacional, João Reis Santana Filho, e a secretária nacional da Defesa Civil, Ivone Maria Valente, seguirão na manhã desta quarta-feira para o Rio para avaliar, junto com o governo estadual, a ajuda necessária para os municípios atingidos.

O ministro das Cidades, Marcio Fortes, afirmou que esteve reunido com o governador do Rio e com o prefeito da capital, Eduardo Paes, nesta terça e disse que aguarda uma avaliação mais completa da situação do Estado para uma “eventual liberação de verbas”.

Veja no mapa as cidades que enfrentaram problemas por conta da chuva:

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*Com informações de André Naddeo, no Rio de Janeiro, e da Agência Brasil.

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