Secretário de segurança descarta mudança no planejamento após invasão de hotel no RJ

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

  • Bruno Domingos/Reuters

    Polícia cerca hotel Intercontinental, em São Conrado, zona sul do Rio, após criminosos invadirem o local

    Polícia cerca hotel Intercontinental, em São Conrado, zona sul do Rio, após criminosos invadirem o local

O secretário de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou neste sábado (21) que não haverá mudanças no planejamento de combate à criminalidade na capital fluminense após os acontecimentos ocorridos na manhã de hoje, quando bandidos da favela da Rocinha invadiram o hotel Intercontinental em São Conrado, na zona sul, e fizeram 35 reféns.

“Esse fato a gente lamenta. A gente vai agir, mas nós não vamos nos afastar daquilo que nós estamos propondo. Porque entendemos que o que nós propomos é uma solução (...). O que nós estamos fazendo é não mudar um planejamento por causa de uma crise, o que, para mim, sempre foi o erro do Rio de Janeiro”, disse aos jornalistas.

Beltrame se refere às Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), que mantêm um efetivo permanente de policiais nas comunidades. A primeira UPP foi instalada no morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul do Rio, em dezembro de 2008. Até agora, são 12 unidades já instaladas ou com inauguração prevista para as próximas semanas.

Testemunhas relatam pânico durante tiroteio

“O que tem que se acabar aqui no Rio de Janeiro é território imposto por arma de guerra. Essa é a nossa proposta”, afirmou o secretário. “Nós não colocamos policiamento massificado em determinadas áreas sem termos uma informação com garantia. Porque nós não vamos desocupar outras regiões da cidade com base em ‘achismos’”, disse Beltrame evitando qualquer previsão de instalação de uma UPP na Rocinha “para não criar expectativas nas pessoas”.

De acordo com o secretário de Segurança Pública, todas as dez pessoas que invadiram o hotel e acabaram presas são da Rocinha, a maior favela da América Latina, onde moram mais de 100 mil pessoas. Das dez, nove já tinham passagem pela polícia. Entre elas estão o traficante conhecido como “Perna”, número dois na hierarquia do tráfico de drogas da favela e o irmão de “Zidane”. Em 2008, a polícia matou Zidane, que também era um dos líderes do tráfico na favela.

A polícia investiga ainda se Francisco Bonfim Lopes, conhecido como “Nem” e comandante do tráfico na favela, estava no comboio de bandidos que entrou em confronto com policiais hoje cedo. Na troca de tiros, Adriana Duarte Oliveira dos Santos, 41, a responsável pela contabilidade do tráfico na favela, segundo a polícia, foi baleada e morta. Ela tinha um mandado de prisão.

Veja a localização do hotel Intercontinental

“É burrice”, grita bandido ao invadir o hotel
De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Henrique Lima Castro, eram cerca de 60 os bandidos que faziam parte do comboio encurralado pela polícia, divididos entre cerca de cinco vans e muitas motocicletas. A polícia ainda não sabe de onde vinha o comboio e trabalha com diversas hipóteses, desde a chegada de alguma festa até a organização de alguma operação criminosa.

Segundo testemunhas, pouco antes das 9h, durante o tiroteio, dez bandidos estavam encurralados e procuraram refúgio no Hotel Intercontinental. O publicitário Daniel Andrade, morador de São Conrado, diz ter visto vários criminosos fortemente armados pularem o muro de seu condomínio para chegarem até o hotel.

Michel Chertouh, gerente do Intercontinental, conta como foi a invasão: “No momento a gente ouvia um tiroteio que estava acontecendo fora. De repente, [houve] gritos de que eles estavam entrando armados dentro do hotel. Acredito que fosse a única opção que tinham no momento. Tanto que um deles falou ‘É burrice, é burrice’”, disse Chertouh, que é francês e está trabalhando no Rio de Janeiro há dois anos e meio.

Segundo ele, o hotel conta com seguranças no elevador e no saguão, mas nenhum na porta do prédio. O gerente descarta a possibilidade de aumentar a segurança do hotel colocando seguranças armados na parte externa, pois isso causaria uma impressão “antipática”. Entre hóspedes, funcionários e participantes de um congresso de odontologia, havia cerca de 1.500 pessoas no hotel no momento da invasão.

Mãe de traficante ajuda na negociação
Dos 35 reféns, cinco eram hóspedes e trinta eram funcionários. Nenhum deles saiu ferido. De acordo com o tenente-coronel Paulo Henrique, comandante do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope), as negociações para a liberação dos reféns e rendição dos criminosos durou pouco mais de 1h. Paulo Henrique confirma que a mãe de um dos traficantes chegou até a entrada do hotel e ajudou a polícia dando informações sobre o filho, que foi informado sobre a presença da mãe pelo sargento Henrique, mediador das negociações.

“A negociação foi rápida. Até porque não é o nosso padrão demorar muito”, afirmou o comandante do Bope. Num primeiro momento, seis pessoas foram liberadas. Em seguida, por volta das 11h30, os bandidos se entregaram e os demais vinte e nove reféns foram soltos. Não houve troca de tiro dentro do hotel. A polícia apreendeu um total de oito fuzis, cinco pistolas, três granadas, rádios de comunicação e muita munição. Os detidos foram levados até a 15ª DP (Gávea), que dará prosseguimento às investigações sobre os acontecimentos deste sábado.

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