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Veja o raio-x do Complexo do Alemão, região mais pobre e uma das mais violentas do Rio

Homem armado aparece em uma das entradas do Complexo do Alemão; veja mais imagens - Júlio César Guimarães/UOL
Homem armado aparece em uma das entradas do Complexo do Alemão; veja mais imagens Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Guilherme Balza<BR>Do UOL Notícias<BR>Em São Paulo

26/11/2010 14h38

O Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, amanheceu nesta sexta-feira (26) vigiado por policiais militares, civis e federais. As forças de segurança permanecem de prontidão nas principais entradas do complexo após cerca de 200 traficantes da vizinha favela Vila Cruzeiro, ocupada na quinta-feira pela polícia, fugirem para o local.

Você concorda com a estratégia do Estado no combate ao tráfico?

Um dos maiores conjuntos de favelas do Rio, o Complexo do Alemão possui uma população de 65 mil habitantes –segundo o Censo 2000–, distribuídos por cerca de 18 mil domicílios que estão em mais de dez favelas. O complexo possui o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de todo o município (0,711), inferior ao registrado na região metropolitana do Rio (0,816) e no Estado (0,807).

Elevado ao status de bairro em 1993, o Complexo do Alemão sempre foi um dos quartéis-generais do Comando Vermelho, maior facção criminosa do Rio, e tem um histórico de violência. O local foi cenário de disputas entre grupos de traficantes rivais e palco de um massacre em junho de 2007.

História do Complexo do Alemão

A área começou a ser ocupada na década de 40, depois que um imigrante polonês, conhecido como Alemão, vendeu suas terras a famílias pobres. Na década de 60, a área recebeu grande fluxo de imigrantes nordestinos. Vinte anos depois, na primeira metade dos anos 80, durante o governo de Leonel Brizola, o Alemão sofreu uma grande explosão demográfica. Na mesma década, o crime ganhou força nas comunidades.

Em 1994, Orlando Jogador, maior traficante do Complexo do Alemão e uma das principais lideranças do Comando Vermelho, foi morto por um afilhado, o traficante Ernaldo Pinto de Medeiros (o Uê). Com isso, o Comando Vermelho perdeu o controle do complexo para o Terceiro Comando, liderado pelo dissidente Uê.

A partir daí iniciou-se uma guerra violenta pelo controle do tráfico no local. Alguns meses depois da morte de Orlando Jogador, o Comando Vermelho conseguiu recuperar a maior parte do complexo, exceto o Morro do Adeus, que continuou com o Terceiro Comando, mas depois foi tomado pela facção Amigo dos Amigos (ADA). Em 2004, o Comando Vermelho conseguiu retomar o Morro do Adeus, após dez anos de confrontos entre as facções que resultaram em várias mortes.

Em maio de 2007, às vésperas da realização dos Jogos Panamericanos no Rio de Janeiro, cerca de 1.300 policiais civis, militares e soldados da Força Nacional de Segurança realizaram a maior ocupação da favela até então, após dois policiais terem sido assassinados por traficantes da comunidade.

Houve confronto, 19 pessoas foram mortas e 13 ficaram feridas –sete vítimas de balas perdidas. Na época, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nota na qual afirmou que 11 dos mortos não tinham relação com o tráfico de drogas.

Relatório elaborado por três peritos da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República apontou que seis dos mortos foram baleados no rosto. Em dois casos, os peritos afirmaram haver evidências de morte por execução sumária e arbitrária.

Em dezembro de 2008, a Força Nacional de Segurança voltou ao Complexo do Alemão para acompanhar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros. Na época, Lula lançou o projeto Territórios da Paz, pelo qual são implementadas políticas publicas de segurança e inclusão social.

O Complexo do Alemão também é alvo de um dos projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que prevê a construção de uma rede de transportes –inclusive de um teleférico– e a inauguração de habitações populares.

Veja os locais onde veículos foram incendiados no Rio de Janeiro*

Total de mortos: 34 Locais em que veículos foram incendiados
  • Fonte: Relatório divulgado pela PMERJ 

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