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Polícia toma Complexo do Alemão, faz varredura e encontra mansão do tráfico

Soldados do Exército se posicionam nas principais entradas do Complexo do Alemão. Cerca de 2,6 mil homens participam da operação - Antonio Scorz/AFP
Soldados do Exército se posicionam nas principais entradas do Complexo do Alemão. Cerca de 2,6 mil homens participam da operação Imagem: Antonio Scorz/AFP

Arthur Guimarães<br>Enviado especial do UOL Notícias ao Rio de Janeiro<br>Daniel Milazzo<br>Especial para o UOL Notícias

28/11/2010 08h56

Atualizado às 13h30

As forças de segurança que entraram no Complexo do Alemão, dominado por criminosos ligados ao tráfico, fincaram uma bandeira do Brasil neste domingo (28) no topo de um dos principais redutos do crime na capital fluminense. Houve pouca resistência e os policiais começam a varredura casa a casa. Várias pessoas foram detidas e um arsenal, apreendido.

No topo do morro, os policiais encontraram uma casa luxuosa onde viveria um dos chefes do tráfico da região. Banheira de hidromassagem, televisão de 40 polegadas e ar condicionado estavam à disposição dos criminosos em uma residência de dois andares. Antes deixarem o local, os bandidos balearam aparelhos domésticos e reviraram móveis.

O comandante geral Polícia Militar do Rio de Janeiro, Mario Sergio Duarte, afirmou neste domingo (28) que a fase "mais cuidadosa" se inicia na ação localizada. Cerca de 600 criminosos podem estar escondidos nas casas de moradores inocentes, que terão de abrir a porta para os agentes. A ação começou por volta das 8h e a ocupação foi concluída menos de duas horas depois.

"Vencemos. Trouxemos liberdade para o povo do Alemão", disse o comandante a jornalistas. "Não tivemos dificuldade. Tivemos cobertura dos helicópteros e os blindados fizeram o seu papel", disse Duarte. No topo do morro do Areal, uma das dez favelas que compõem o Complexo do Alemão, outros policiais também celebraram a tomada.

Mais de 200 homens do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar fluminense) seguiam em operação de busca e apreensão na favela da Fazendinha, dentro do Complexo do Alemão. Ronaldo Oliveira, chefe das delegacias especializadas da Polícia Civil, foi ao topo do Largo do Coqueiro e fincou uma bandeira do Brasil. Para ele, a missão de domínio do território está concluída.

O policial civil classifica de excelente a operação deste domingo e elogia a cooperação das tropas do estado. “Todos os policiais estão muito entusiasmados com as operações", disse. De acordo com ele, a maioria das apreensões até agora aconteceu em casas abandonadas. Os moradores têm colaborado com os policiais, aplaudindo, oferecendo água e permitindo entrada em suas residências.

Cerco continua

Nem todas as posições de criminosos dentro da favela foram ocupadas. O cerco continua e até agora nenhum criminoso foi morto ou ferido, segundo as forças de segurança. Os policiais trabalham com suspeita de que eles estejam armados de dinamite. Há barricadas e buracos de óleo diesel, para fazer cortina de fumaça contra as forças de segurança.

Moradoras reclamaram da postura de alguns policiais, que teriam se excedido ao dar comandos. O clima na região é de tensão, mas sem confrontos. Policiais envolvidos na operação estranham o ar de calmaria na região conflagrada. Até as galerias pluviais estão sendo vasculhadas na busca por criminosos em fuga.

“A situação está preocupantemente tranquila demais”, afirmou o delegado Marcos Vinicius Braga. “Não é normal um estado de tranquilidade desse no Complexo do Alemão”, disse, sem especular o que teria acontecido para a falta de embate. No sábado (27), a polícia deu ultimato aos criminosos para que se rendessem na rua Joaquim de Queiroz, dentro do complexo de dez favelas. Nenhum deles o fez.

Arsenal

A comunidade do Complexo do Alemão amanheceu cercada por homens das polícias Militar, Civil e Federal e também por homens do Exército. Tanques das Forças Armadas, principal reforço para a operação de segurança pública, subiram as ladeiras de um dos morros. Um dos helicópteros que acompanha a operação já disparou contra alvos na comunidade. Ambos estão distantes do foco da ação neste momento.

A polícia não calculou tudo que apreendeu até o momento. Mas já estão sob o poder das forças de segurança uma grande quantidade de drogas, fuzis, submetralhadoras, granadas e material de laboratório para narcotráfico. Pelo menos dez suspeitos já foram detidos e encaminhados para identificação. Uma oficina para conserto de armas também foi encontrada.

No alto do morro do Areal, integrante do complexo de dez favelas, a polícia apreendeu ao menos uma submetralhadora, munição, mira laser, carregador de fuzil, colete balístico, e maconha e cocaína já embaladas. Também foram trazidos baldes e lâmpadas usadas em laboratório de refino de cocaína. Entre as apreensões, há balas de metralhadora ponto 50, que é usada pela Marinha.

O sinal verde para a operação veio depois de uma noite cercada de tensão, com tiroteios eventuais e ameaças das tropas de segurança de fazerem a incursão mesmo no escuro. Os criminosos ligados ao tráfico receberam ultimato da polícia para se entregarem até o fim da tarde de sábado, mas poucos deles o fizeram. Entre os que se renderam, estava o número dois do tráfico no complexo, conhecido como Mister M.

“É hoje, vamos invadir”

O helicóptero blindado sobrevoou a área fazendo voos rasantes. As mais de 40 entradas do Complexo do Alemão permaneceram cercadas e vigiadas pelas forças de segurança. O comércio continua fechado. Alguns moradores começam a retornar a suas casas, na base do morro do Areal. A maioria, ao que parece, prefere ficar dentro de casa.

Veículos que obstruíam a entrada na favela estão sendo rebocados. Depois do fim do ultimato concedido pela polícia, moradores receberam ordens para não saírem de suas casas. Os que estavam fora, foram proibidos de entrar. Fontes de segurança afirmaram que os criminosos estão ficando sem munição e sem mantimentos.

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