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Após morar um mês em aeroporto no Rio, idoso ganha passagem e volta para os EUA

Seu Adauto, como é conhecido nos corredores do aeroporto, morou por quase toda sua vida no Alaska - Ricardo Leal/UOL
Seu Adauto, como é conhecido nos corredores do aeroporto, morou por quase toda sua vida no Alaska Imagem: Ricardo Leal/UOL

Rodrigo Teixeira

Do UOL, no Rio de Janeiro

05/12/2012 14h01

Natural de Surubim (PE), Adauto Luis de Souza, 80, foi ficou famoso depois que resolveu morar no Aeroporto Internacional  Antônio Carlos Jobim (Galeão), na Ilha do Governador, no Rio. Após frustrada peregrinação pelo país em busca de seus familiares diretos, ele queria voltar para os Estados Unidos, onde morou por 60 anos, mas não tinha como comprar a passagem. Graças à fama, na terça-feira (4) o idoso teve seu bilhete custeado por uma pessoa que optou por não se identificar e conseguiu voltar aos EUA.

De acordo com o setor de serviço social da Delegacia do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, Adauto permaneceu no local por aproximadamente um mês. Ele não se lembrava como chegou até lá, mas acreditava ter sido de ônibus.

A Polícia Federal do Rio de Janeiro o novo passaporte ao idoso no dia 29 de novembro –o antigo estava vencido havia anos.

Roberto Luiz de Souza, 53, sobrinho de Adauto, disse à reportagem do UOL que seu tio embarcou por volta das 23h, pela United Airlines, rumo a Houston. Em seguida, o idoso pegará um voo de Seattle a Anchorage, no Estado americano do Alasca, onde reside.

Idoso mora no aeroporto Antonio Carlos Jobim, no Rio
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Roberto contou ainda que, apesar de chegado ao aeroporto por volta das 21h, não conseguiu se despedir do tio, que já havia entrado para o check-in. “Nem me avisaram, fiquei chateado. Perdi a viagem, vim de Saquarema”, disse ele. “Queria ter dado um abraço de despedida. Não sei se algum dia vou voltar a vê-lo.”

Um casal que optou por não se identificar custeava as despesas do idoso em um hotel localizado no terminal havia cerca de uma semana, onde ele recebia as refeições diárias regularmente e dormia em um quarto com acomodações adequadas.

Abrigo municipal

A prefeitura do Rio mantém um posto no terminal, com a Guarda Municipal e agentes da Secretaria de Ordem Pública. Deportados recém-chegados e não admitidos no país recebem atendimento no local. Mesmo Souza não se enquadrando nesses dois casos, o idoso recebeu atendimento, mas optou pelo não auxílio do órgão.

Ele foi encaminhado para o abrigo municipal Stela Maris, na Ilha do Governador, por duas vezes, mas também não quis permanecer lá. Por causa da proximidade com o terminal, o trajeto de volta ao aeroporto pôde ser feito a pé. “Lá não é lugar para mim”, disse o aposentado.

O abrigo oferecia alimentação, pouso e local apropriado para higiene pessoal. “Na cabeça dele, facilitaria voltar para casa mais facilmente se permanecesse no aeroporto”, contou um agente municipal, que não se identificou.

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Cotidiano