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Um terço dos assassinatos em SP em 2012 e 2013 foi por "motivos fúteis", diz SSP

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

27/05/2013 13h25

Ao menos um terço dos homicídios registrados no Estado de São Paulo durante 2012 e nos quatro primeiros meses de 2013 foram causados por motivos fúteis –assim classificadas brigas de trânsito, brigas domésticas e discussões entre pessoas alcoolizadas e munidas de armas.

O último episódio de grande repercussão de um crime deste tipo foi a morte de um casal em um condomínio de luxo de São Paulo, semana passada, assassinado a tiros por um vizinho supostamente irritado com o barulho do apartamento das vítimas.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (27) em São Paulo pela Secretaria de Segurança Pública e pelo Conselho Nacional do Ministério Público, durante o lançamento de uma campanha de mídia focada na prevenção à violência que resulta nesses tipos de homicídio.

Batizada de “Conte até 10!”, a campanha terá cartazes em estações do metrô paulistano e anúncios em jornais e rádios com garotos-propaganda do esporte –entre eles, os lutadores de UFC Anderson Silva e Junior Cigano.

A partir da análise de boletins de ocorrência, a SSP-SP constatou que, só entre janeiro e abril deste ano, foram 490 assassinatos por razões fúteis e outros cerca de 1.500 em 2012.

De acordo com a conselheira Thaís Ferraz, a campanha, lançada efetivamente pelo CNMP no final do ano passado, começou agora a ter adesões dos Estados.

“Tenho ouvido sistematicamente que o crime de homicídio talvez seja o mais comum –em algum momento perdemos a paciência e tomamos uma atitude impensada. Qualquer um de nós podemos cometer um crime de homicídio”, alertou.


Além dos anúncios de mídia, a campanha prevê ações também nas escolas, por meio de uma cartilha que ainda será distribuída, no trânsito e em estádios de futebol.

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“Não é uma ação que se direciona a quem escolheu o crime como meio de vida, mas a quem, em um momento irrefletido, possa vir a cometer um crime –aí orientamos que a pessoa reflita, respire, conte mesmo até dez”, sugeriu.

Segundo a conselheira, os autores de homicídios pelos chamados motivos fúteis são também os que mais rapidamente acabam respondendo pelos crimes. “Essa autoria não é difícil de detectar, em geral --diferentemente da criminalidade organizada. E acontece com todos os públicos, não escolhe idade, sexo: simplesmente acontece porque é da natureza do homem sofrer o influxo das emoções”, acrescentou.

Por outro lado, tanto a representante do CNMP no evento, que é juíza, quanto o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella Vieira, concordaram em um aspecto que não diz respeito diretamente às razões fúteis desses homicídios abrangidos pela campanha: a impunidade da maioria restante dos homicídios é fator que ainda influencia na criminalidade e maneira geral.

“A impunidade estimula a violência, por isso, além de campanhas de prevenção, precisamos investir também no aparelhamento das polícias e em um melhor sistema de persecução penal para punir quem tem que ser punido –aí a sociedade se sentirá reparada”, disse o secretário.

Já a conselheira destacou que “o quadro da impunidade é muito grave” e citou trabalho do CNMP que verifica quantos inquéritos policiais, no país, efetivamente resultaram em denúncias contra os autores de crimes. De pouco mais de 136 mil inquéritos analisados de anos passados, havia denúncias em apenas 8% deles. O percentual subiu para 27% e definirá metas a todos os Estados.

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