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Ritmo de queda do Alto Tietê acelera depois de passar a socorrer Cantareira

Nível de reservas de água nas represas no sistema do Alto Tietê está baixo - Ernesto José Avelino/Folhapress
Nível de reservas de água nas represas no sistema do Alto Tietê está baixo Imagem: Ernesto José Avelino/Folhapress

Fabiana Maranhão

Do UOL, em São Paulo

07/08/2014 06h00Atualizada em 07/08/2014 10h24

O ritmo de queda do nível de armazenamento de água do Sistema Alto Tietê acelerou desde que passou a socorrer o Sistema Cantareira.

No começo de março, cerca de 1 milhão de moradores da Grande São Paulo, antes atendidos pelo Cantareira, o principal da região, passaram a receber água do Alto Tietê.

A medida foi tomada pela Sabesp (Companhia de Abastecimento do Estado de São Paulo) para diminuir o consumo de água do Cantareira, que enfrenta a pior crise da sua história.

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Segundo dados disponíveis no site a Sabesp, nos primeiros três meses do ano --entre 1º de janeiro e 31 de março--, o índice do Alto Tietê caiu nove pontos percentuais. Nos quatro meses seguintes --entre 1º abril e 31 de julho--, esse número quase dobrou, chegando a 16,7 pontos percentuais de queda.

Antes de receber ajuda do Alto Tietê, o Cantareira registrou queda de 13,8 pontos percentuais em seu nível de armazenamento de água nos primeiros três meses do ano. Nos quatro meses seguintes, o índice caiu 16,5 pontos percentuais, menos que a queda anotada pelo Alto Tietê.

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Nesta quinta-feira (7), o Cantareira estava com 14,4% de sua capacidade, e o Alto Tietê, 19,4%.O Alto Tietê abastece atualmente 4,5 milhões de moradores da zona leste da capital paulista e outros municípios da Grande São Paulo. Já o Cantareira é responsável por fornecer água a um terço (6,5 milhões) dos moradores da região.

Procurada pela reportagem do UOL, a Sabesp não se pronunciou até o momento.

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Diante da falta de chuva e da redução constante nos níveis dos reservatórios, a companhia planeja utilizar mais uma cota do volume morto do Cantareira, além da reserva técnica do Alto Tietê. O DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) analisa os dois pedidos da Sabesp. A companhia usa parte do volume morto do Cantareira desde maio.

"Transferência do problema"

Na opinião de Antônio Carlos Zuffo, professor do Departamento de Recursos Hídricos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), aconteceu uma "transferência do problema".

Segundo estimativa de Zuffo, se não chover e as atuais taxas de consumo forem mantidas, o volume morto do Cantareira e a reserva útil do Alto Tietê vão acabar na segunda metade de novembro.

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"Até o dia 15 de novembro toda a primeira parcela do volume morto do Cantareira terá sido consumida. Já a reserva útil o Alto Tietê deve chegar a zero entre 12 e 22 do mesmo mês", calcula.

O professor considera a situação preocupante já que a previsão é que o período de chuvas só comece em novembro, e não em outubro, como em anos anteriores. Ele fala sobre a importância de economizar água.

"É preciso conscientizar a população de que a crise é grave. As pessoas têm de diminuir o consumo porque existe o risco de desabastecimento, de falta de água, como está acontecendo em Itu (101 km de São Paulo)", alerta.

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