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Pnad: saneamento avança, mas 23,8 milhões dos lares não têm rede de esgoto

Carlos Madeiro

Do UOL, em Maceió

18/09/2014 10h00Atualizada em 22/09/2014 17h06

O Brasil conseguiu interligar 700 mil domicílios à rede coletora de esgoto em 2013, mas o número de lares sem o serviço ainda é de 23,8 milhões, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2013. O material foi divulgado na quinta-feira (18) e corrigido no dia seguinte após reconhecimento de erro do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

De acordo com o levantamento, a proporção de domicílios com acesso à rede coletora de esgoto passou de 63,3%, em 2012, para 63,5%, em 2013, chegando a 41,2 milhões de unidades. O número de lares com acesso é 700 mil menor que a primeira versão da PNAD, que apontava 41,9 milhões de domicílios ligados.

Entre os moradores que não têm acesso à rede de esgoto, 12,7% têm fossa séptica regular sem ligação à rede. Outros 18,6% dos domicílios têm fossa rudimentar, e 2,8% usam outro tipo artesanal de esgotamento. Já 1,6 milhão dos domicílios –2,4% do total-- não possuem nenhum tipo de esgotamento, sendo 1,1 milhão apenas na região Nordeste.

O crescimento chegou, em 2013, a todas as regiões do país. "Destaca-se a evolução das regiões Sul, Norte e Centro-Oeste, que assinalaram crescimentos de 8,4%, 8,3% e 7,1%, respectivamente, no conjunto de domicílios atendidos pela rede coletora de esgoto”, diz o levantamento.

Apesar do crescimento, o país apresenta grandes desigualdades regionais. Norte, Nordeste e Centro-Oeste se mantiveram com médias inferiores ao percentual do país. A região Norte tem a menor proporção de domicílios atendidos, com 19,3%, enquanto o Sudeste continuou com a maior cobertura, quatro vezes mais que os nortistas: 88,6% dos domicílios.

A pensionista Maria Raquel, 61, mora no bairro de Cruz das Almas desde sua fundação, há meio século, e diz que o problema é histórico - Beto Macário/UOL
A pensionista Maria Raquel, 61, mora no bairro de Cruz das Almas desde sua fundação, há meio século, e diz que o problema é histórico
Imagem: Beto Macário/UOL

Esgoto no mar em Maceió

No Nordeste, apenas 41,2% dos lares são ligados a fossas sépticas, segundo a estimativa da Pnad. Na capital de Alagoas, Maceió, o problema é exposto não só em bairros pobres, mas também em áreas nobres, como a orla. Na parte alta da cidade, nenhum bairro tem imóveis interligados à rede coletora, embora as novas construções estejam já adaptadas.

Na praia de Pajuçara, a reportagem do UOL flagrou uma língua negra em um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade, próximo à balança de peixe. 

No bairro de Cruz das Almas, além de língua negra na praia, o bairro já teve rede coletora quase toda instalada, mas que ainda não funciona porque a estação elevatória de tratamento não foi concluída. Sem esgoto, a água utilizada é jogada na rua e vai direto para as galerias fluviais, sendo jogado depois no mar.

"Faz dois anos que concluíram a rede, mas não funciona. A água está nas ruas. Tem vezes que transborda e sai da fossa, contaminando tudo", disse o militar Cláudio Pereira, 53.

Já a pensionista Maria Raquel, 61, mora no bairro desde sua fundação, há meio século, e diz que o problema é histórico. "Construí um batente mais alto porque quando transbordava, entrava água", conta, mostrando a obra pronta para ligação à rede coletora, mas que ainda não funciona.

Condições de habitação

Outras condições de habitação também apresentaram melhora no ano passado, segundo a Pnad. O número de domicílios atendidos pela rede de abastecimento de água cresceu menos que os 2% apontados na primeira versão do levantamento. Hoje, 85% dos lares têm o serviço --900 mil de domicílios a mais que em 2012.

Já o número de residências atendidas por coleta de lixo cresceu de 56,6 milhões para 58,1 milhões --alcançando 89,4% do total de lares. Também cresceu 2% o número de casas atendidas pelo serviço de iluminação elétrica, chegando a 99,6% dos domicílios no país.

Intervalo de confiança

Por ser uma pesquisa por amostra, as variáveis divulgadas pela Pnad estão dentro de um intervalo numérico, que é o chamado "erro amostral". Segundo o IBGE, não há uma margem de erro específica para toda a amostra. Para a Pnad 2013, foram ouvidas 362.555 pessoas em 148.697 domicílios pelo país.

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