Garoto morre após surra em centro de reabilitação em Belém, acusa família

Aline Brelaz

Colaboração para o UOL, em Belém

  • Reprodução/Youtube

    Fachada do centro terapêutico Força do Querer, na ilha de Mosqueiro, em Belém do Pará

    Fachada do centro terapêutico Força do Querer, na ilha de Mosqueiro, em Belém do Pará

O adolescente Carlos André Pinheiro, 15, teria morrido vítima de espancamento ocorrido em um centro de reabilitação de dependentes químicos no distrito de Mosqueiro, em Belém, segundo denúncia do conselho tutelar e de seus familiares à Polícia Civil e ao Ministério Público do Pará.

O espancamento teria ocorrido dia 24 de outubro, praticado pelo diretor e proprietário da Comunidade Terapêutica Força do Querer, Luciano Queiroz Santos Júnior, que acusou o garoto de roubo de um celular. O empresário nega o fato, mas afirma que houve realmente o roubo do aparelho celular. "O que houve foi um desentendimento do adolescente com outro rapaz dependente. Mas, não houve espancamento. Estou aqui em Fortaleza, mas estou à disposição da Justiça", informa Luciano. Ele também assegura que o desentendimento ocorreu em sua residência e não no centro terapêutico.

O enterro de Carlos André ocorreu hoje pela manhã, em Mosqueiro, sob forte comoção dos familiares.

O Instituto Médico Legal do Pará ainda não divulgou o laudo da perícia no corpo do garoto, mas o atestado de óbito revela três causas da morte, hemorragia interna, politraumatismo e anemia aguda.  "Vamos exigir que o Ministério Público peça a prisão preventiva do Luciano Queiroz", contou o pai do adolescente, José Carlos Pinheiro.  A família e o conselho tutelar de Mosqueiro afirmam Luciano fugiu para não ser preso.

Segundo o delegado da Seccional de Mosqueiro, Magno Costa, o garoto contou que havia conseguido fugir após o espancamento e fez a denúncia à polícia e ao conselho tutelar do distrito. De volta à casa da vó, com quem morava em Caranduba, uma vila de Mosqueiro, o pai levou o filho para Belém, onde ele começou a sentir fortes dores.

"Ele foi levado pra vários postos de saúde, davam remédios e mandavam pra casa. No dia 2 ele voltou pra casa da vó, mas novamente passou mal e levamos  ao hospital. De lá, transferiram meu filho pro Hospital Metropolitano, em Belém, onde ele não resistiu e morreu. Meu filho pediu pra se tratar das drogas e provocaram a morte dele num lugar que era pra salvar a vida dele", disse o pai.

"Instauramos inquérito e vamos chamar todos os envolvidos para depor. Após esse procedimento, se for comprovada a agressão, o empresário poderá ser indiciado por lesão corporal, seguida de morte", explicou o delegado de Mosqueiro.

Denúncia ao conselho tutelar

Ao conselheiro tutelar de Mosqueiro Josenildo Almeida, o adolescente contou que o espancamento teria ocorrido porque Luciano e a esposa Débora acharam que o celular dela teria sumido e o acusaram de ter roubado o aparelho. "O menino contou que recebeu socos, chutes, pisões e teria ficado caído no chão", informou o conselheiro. Porém, Almeida admite que o garoto aparentemente não estava mal na hora em que fora entregue à família, após o boletim de ocorrência.

José Carlos afirma que visitou o filho na comunidade terapêutica no dia anterior ao espancamento. "Ele estava internado lá sim. Me mostrou até o quarto que ele dividia com outros três rapazes. Estamos lidando com pessoas influentes em Mosqueiro, mas não podemos deixar que fiquem impunes", ressaltou.

O pai admite que a família não tinha como pagar o valor de R$ 3 mil pela internação, mas o diretor aceitou ajudar o garoto, que estava consumindo drogas há cerca de um ano. Como a família é pobre, eles apenas ajudavam levando alimentos para ajudar. "Eu não sei que história é essa de que meu filho estava na casa do diretor", assegura José Carlos.

Mas Luciano Queiroz afirma que por se tratar de um menor de idade, a comunidade terapêutica não poderia abrigar junto a outros rapazes maiores em tratamento. Ele afirma que além de psicólogo e assistente social a Força do Querer disponibiliza uma equipe técnica que atua na instituição. Além de acusar o adolescente de roubar o celular, Luciano diz que o garoto também pegou a renda de um restaurante da esposa naquele dia.

Luciano Queiroz é vice-presidente da Federação Paraense de Comunidades Terapêuticas e já foi conselheiro estadual e municipal antidrogas. Ele garante que sua viagem a Fortaleza já estava programada anteriormente e que lá é empresário do setor de hotelaria. "É estranho a morte ocorrer quinze dias após a denúncia na polícia. Não há ligação de um fato com o outro. É isso que a polícia precisa investigar", afirma.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos