Secretário diz que fraudes são "fatos isolados" e continuará a comprar carne

Do UOL, em São Paulo

  • TONY OLIVEIRA/TRILUX/ESTADÃO CONTEÚDO

    O scretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, concede entrevista

    O scretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, concede entrevista

Numa tentativa de tranquilizar os consumidores brasileiros sobre a qualidade de carne e embutidos consumidos no país, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, afirmou que ele vai continuar adquirindo o alimento nos supermercados. "Eu vou comprar carne. E [na hora da compra] vou ver se tem alguma irregularidade", disse o Novacki, sugerindo que o consumidor fique atento a cor, cheiro e textura do alimento.

A afirmação foi feita durante entrevista coletiva concedida na tarde desta quinta-feira, após a deflagração da Operação Carne Fraca. A ação da Polícia Federal revelou um esquema de pagamento de propina a fiscais agropecuários por parte de frigoríficos para liberar alimentos podres.

O secretário repetiu por diversas vezes que as fraudes encontradas pela Polícia Federal são "fatos isolados". Novacki afirma, porém, que "ouviu histórias" de que essas irregularidades na pasta ocorrem há sete anos. "Ouvi histórias de empresas chegavam a indicar posições dentro do ministro da Agricultura."

Após a operação da Polícia Federal, o ministério iniciará na segunda-feira (20) uma força-tarefa para investigar os 21 frigoríficos e 4 grupos empresariais suspeitos de adulterar os produtos. Novacki afirma que será informado no site do ministério da Agricultura quais os lotes que deverão ser retirados das lojas e supermercados.

Três empresas já tiveram suas atividades suspensas: uma unidade da BRF em Mineiros (BRF) e duas da Peccin, em Jaraguá do Sul (SC) e Curitiba. 

Novacki disse que a pasta está indignada e contrariada com as revelações da Operação Carne Fraca. "Situações como essa causam um dano à imagem", afirmou. "O ministério vem realizando um belíssimo trabalho, voltado aos interesses do País. Somos referência no mundo."

O secretário-executivo afirmou que o ministério já havia determinado mudanças em uma série de procedimentos. Na área de inspeção, ele mencionou a portaria 257, de novembro do ano passado, que proibiu a interferência de superintendentes regionais na remoção de fiscais de uma empresa para outra.

"Esse foi um dos fatos elencados na Operação", afirmou. "Para se mudar um fiscal de um estabelecimento para outro, o pedido deve vir até Brasília. A secretaria-executiva é que executa as mudanças."

Também segundo ele, o ministério criou um setor responsável por uma auditoria nos estabelecimentos para verificar se a fiscalização foi realizada de forma correta. "Não aceitamos esse tipo de conduta. Vamos tomar todas as providências para punir os que cometeram desvios de conduta e vamos trabalhar para não voltar a acontecer."

O secretário-executivo disse ainda que a pasta apresentou à Casa Civil um novo regulamento de inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. "Fizemos uma atualização e trouxemos um capítulo com procedimentos e penalidades. Vamos dar cada vez mais transparência às ações."

Novacki reconheceu que novas operações e investigações podem vir no futuro. "Estamos tomando providências administrativas e encaminhando informações ao Ministério Público e à Polícia Federal. Essa parceria vai existir e vamos trabalhar firmemente para evitar que isso se repita no futuro."

Produto para exportação

O secretário não soube afirmar se as carnes fraudadas também eram exportadas para o exterior. De acordo com Novacki, o ministro Blairo Maggi estará de volta na segunda-feira e tem reunião marcada com embaixadores da Comunidade Europeia para discutir a operação Carne Franca. Ele estimou que 150 países recebem os produtos brasileiros.

(Com informações de Estadão Conteúdo)

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