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Violência em São Paulo

Corregedoria investiga participação de PM em morte de jovem apedrejado em SP

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo Pessoal

    Ewerton Caique dos Santos Silva, 22 anos, morto por quatro homens em uma quadra de futebol na zona norte de SP

    Ewerton Caique dos Santos Silva, 22 anos, morto por quatro homens em uma quadra de futebol na zona norte de SP

Um soldado da PM (Polícia Militar) é suspeito de ter participado do linchamento de um jovem de 22 anos, por volta das 14h30 desta quinta-feira (20), na Parada de Taipas, zona norte de São Paulo. O corregedor da PM, Marcelino Fernandes, confirmou ao UOL o início das investigações.

Ewerton Caique dos Santos Silva foi morto apedrejado dentro de uma quadra de futebol por quatro homens. Uma das principais hipóteses da polícia é que o crime tenha sido motivado por vingança.

Segundo familiares, que pediram ao UOL para não serem identificados, o jovem estava comendo na beira da quadra quando foi atacado. A família diz desconhecer os motivos da agressão. O jovem chegou a ser levado ao Hospital de Taipas, onde morreu.

Durante o linchamento, uma testemunha anotou a placa do carro que os agressores usaram para chegar até a quadra e denunciou à PM. Os policiais apuraram a placa e constataram que o veículo seria de um policial militar. Na sequência, acionaram a Corregedoria.

Além disso, testemunhas disseram ter visto o soldado - e suposto dono do carro - no hospital onde a vítima foi socorrida momentos após o crime. Familiares disseram suspeitar que o policial tentava se informar sobre o estado de saúde de Silva.

Segundo o corregedor Marcelino Fernandes, o PM suspeito se apresentou na Corregedoria, onde foi instaurado um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar o caso. A reportagem não conseguiu localizar o soldado, de 22 anos, nem sua defesa.

Arquivo Pessoal
Ewerton Caique dos Santos Silva estava comendo à beira da quadra quando foi agredido, segundo a família

Após depoimento na Corregedoria, o policial foi levado até o 74º DP (Distrito Policial), em Parada de Taipas, para o processo de reconhecimento. Segundo a Polícia Civil, quatro testemunhas não reconheceram o PM por participação no crime.

No entanto, elas teriam afirmado que viram o policial no hospital após o linchamento. A família diz que as testemunhas ficaram com medo de reconhecer o policial na delegacia e sofrer represálias, mas essa versão não foi confirmada pela polícia.

Para ajudar nas investigações, a Polícia Civil pediu imagens de câmeras de segurança ao hospital onde Silva morreu e a um comércio que fica próximo da quadra onde o jovem foi apedrejado. As imagens do hospital ainda não chegaram ao 74º DP. Já o dono do comércio afirmou que a câmera não estava funcionando no momento da agressão.

A polícia apura "várias hipóteses" para o crime. Entre elas, a testemunha chave ter anotado a placa errada, o veículo ter sido clonado ou o policial ter emprestado o carro para o crime. As investigações, via Corregedoria da PM e via Polícia Civil, devem esclarecer se houve ou não participação do policial militar. Também é investigado se o jovem tinha inimigos.

Procurada, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou, em nota, que "a Polícia Civil informa que o 74º Distrito Policial instaurou inquérito para investigar o homicídio qualificado ocorrido na tarde de quinta-feira (20), na Rua São Miguel dos Milagres, Parada de Taipas. Como havia suspeita de participação de um policial militar no crime ele foi levado para averiguação, porém não foi reconhecido pelas testemunhas e foi liberado. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha a investigação, que segue em andamento."

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