Após declaração de Jungmann, Correios dizem desconhecer desvio de munições da PF

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Leo Correa/AP Photo

    14.mar.2018 - Perito apreende itens ao lado de carro onde vereadora foi assassinada

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Os Correios negaram, por meio de nota divulgada neste sábado (17), haver registro de desvio de carga pertencente à Polícia Federal "no passado recente".

Na tentativa de explicar como munição da Polícia Federal foi encontrada no local onde a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados, o ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse na sexta-feira (16) que um lote de munições pertencentes à PF teria sido desviado "anos atrás". Um desses desvios, disse Jungmann, teria ocorrido na sede dos Correios na Paraíba.

Os Correios informaram ainda que estão apurando internamente as informações e que somente aceitam postagem de remessas com armas e munições em casos autorizados pela legislação.

O UOL entrou em contato com a Polícia Federal e com o Ministério Extraordinário da Segurança Pública sobre a resposta dos Correios. Até agora, não obteve a resposta.

As munições encontradas pela polícia no local onde Marielle foi morta são do mesmo lote das balas usadas na maior chacina de São Paulo. Em agosto de 2015, 23 pessoas foram mortas a tiros na Região Metropolitana de São Paulo. Investigações da polícia paulista apontaram que as balas eram do lote UZZ-18, extraviado da Polícia Federal. A corporação informou nesta sexta que investiga se as munições desse lote foram usadas para matar Marielle e Anderson.

Segundo informações da TV Globo, as balas calibre 9 mm encontradas ao lado dos corpos na região central do Rio são do lote UZZ-18, vendido à PF de Brasília em 2006. Uma fonte ligada à investigação confirmou o fato ao UOL.

"Essa munição foi roubada na sede dos Correios, pela informação que eu tenho, anos atrás, na Paraíba", afirmou Jungmann, que não soube explicar como o lote, comprado pela Polícia Federal de Brasília, passou por desvios no estado nordestino.

"Na Paraíba, veja bem... uma parte veio para cá [Brasília]. E ela foi desviada nos Correios. E uma outra parte foi identificada como tendo sido desviada, se eu não me engano, é bom corrigir, na Superintendência... um escrivão, tá certo, na Superintendência do Rio de Janeiro, que também foi objeto de um inquérito. Então você tem a referência daqui [de Brasília], da Paraíba e do próprio Rio de Janeiro", completou Jungmann.

O ministro também disse que a Polícia Federal já abriu mais de 50 inquéritos devido a munições desviadas. Ele informou acreditar que as cápsulas encontradas na cena do crime que matou Marielle e Gomes foram roubadas.

A munição usada no assassinato não pode ser vendida à população em geral. Balas desse calibre só podem ser adquiridas legalmente por colecionadores, atiradores esportivos e forças de segurança. No entanto, elas são vendidas com poucas restrições no Paraguai e entram no Brasil ilegalmente.

Leia a íntegra da nota dos Correios:

"Em resposta às recentes notícias sobre suposto desvio de carga pertencente à Polícia Federal ocorrido nos Correios, a empresa esclarece que, no passado recente, não há nenhum registro de qualquer incidente dessa natureza e que está apurando internamente as informações.

A empresa não aceita postagem de remessas contendo armas ou munição, exceto quando autorizado por legislação específica. Neste caso, o tráfego, via Correios, de produtos controlados pelo Exército, submete-se às disposições estabelecidas no Regulamento para a Fiscalização de Produtos Controlados, conforme a Portaria nº 015/2009 – Colog/Ministério da Defesa.

Por serem os Correios uma empresa pública, situações envolvendo armas, munições, drogas e outros itens proibidos no tráfego postal são encaminhadas à Polícia Federal, para investigação. No caso do Rio de Janeiro, já foi instaurado inquérito pela PF, que é o órgão competente para prestar mais esclarecimentos sobre a matéria."

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