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Cristian Cravinhos é condenado a 4 anos por tentativa de suborno a policiais

Cristian Cravinhos foi detido em um bar de Sorocaba, enquanto estava no regime aberto - Reprodução/Record TV
Cristian Cravinhos foi detido em um bar de Sorocaba, enquanto estava no regime aberto Imagem: Reprodução/Record TV

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

09/10/2018 09h32Atualizada em 09/10/2018 09h54

A Justiça de São Paulo condenou a quatro anos de prisão, em regime fechado, nesta segunda-feira (8), Cristian Cravinhos de Paula e Silva, 42, por corrupção passiva, ao tentar subornar policiais em abril deste ano, em Sorocaba (interior de São Paulo). Cravinhos ficou conhecido por ter participado do homicídio dos pais de Suzane  Von  Richthofen, em 2002.

Cristian, que já havia sido sentenciado a 38 anos e seis meses de prisão pelo caso Richthofen, deixou a prisão em agosto de 2017, depois de ter sido autorizado pela Justiça a cumprir o restante da pena em liberdade (regime aberto).

Em abril de 2018, no entanto, ele foi detido no interior de São Paulo sob a suspeita de agredir a ex-mulher, de ter tentado subornar policiais e de porte ilegal de arma. Na delegacia, a ex-mulher não registrou boletim de ocorrência pela suposta agressão.

Em depoimento à Justiça, Cravinhos negou a tentativa de suborno (ver mais abaixo). O advogado de Cristian, Ivan Peterson de Camargo, disse que a defesa vai recorrer da sentença.

Anteriormente, a Justiça já havia inocentado Cravinhos pelo crime de posse ilegal de arma de fogo. Ele respondeu pelo crime porque foi levado à delegacia, na ocasião, com uma munição de uso restrito.

Segundo a PM (Polícia Militar), no dia 18 de abril, uma equipe foi acionada para atender uma denúncia de agressão da sua então namorada e, quando abordou o homem, ele se apresentou como "um dos irmãos Cravinhos".

Os policiais disseram ter encontrado com ele uma arma. Cristian negou que portava a arma e disse que apenas discutiu com a ex-companheira. Ambos foram levados à delegacia.

De acordo com o relato dos PMs, apresentado à Polícia Civil, Cravinhos teria entrado em pânico ao saber que seria preso e disse que não queria voltar à prisão. Cristian teria oferecido R$ 1.000 para ser liberado e ainda teria dito que o seu irmão, Daniel Cravinhos, também condenado pelo caso Richthofen, viria de São Paulo com mais R$ 2.000 para entregar aos policiais.

Ele foi preso em flagrante por corrupção ativa e posse ilegal de arma de fogo e levado a uma cela do 4º Distrito Policial de Sorocaba. Depois, foi transferido para a penitenciária de Tremembé, no interior, onde ficam presos envolvidos em casos de repercussão. A Justiça determinou, com a nova condenação, que ele deve permanecer lá.

Segundo a juíza de Direito Margarete Pellizari, da 2ª Vara Criminal de Sorocaba, responsável pela nova condenação de Cravinhos, "é importante observar que Cristian, condenado à pena de trinta e oito anos de reclusão por gravíssimo crime de homicídio triplamente qualificado".

"Diante do que lhes foi oferecido por Cristian, nada menos que a quantia de R$ 1.000 em dinheiro que trazia consigo (...) ofereceu, também, vender sua motocicleta, de alto valor, e dividir o fruto do negócio com os agentes públicos, bem como mais dinheiro que seria trazido por seu irmão, tudo para evitar ser conduzido", escreveu a magistrada na sentença.

"Quanto à personalidade do acusado, com o seu comportamento tanto no desenrolar dos fatos em que foi cometido o crime, como na instrução, especial e especificamente no interrogatório judicial, foi possível inferir egocentrismo exacerbado e pedantismo, embora tentasse muitas vezes dissimular tais atributos com frases previsíveis e eufemismos", complementou a juíza.

O que disse Cravinhos à Justiça

Em depoimento à Justiça, Cristian Cravinhos negou ter oferecido dinheiro a qualquer das partes e que seu irmão traria mais dinheiro aos policiais para que ele não fosse conduzido à delegacia. Para a juíza, no entanto, a versão apresentada por ele "não convenceu" e que as provas o incriminavam. 

Em juízo, Cravinhos disse ter brigado com a namorada porque ela teve ciúmes dele. Disse que havia conhecido uma outra mulher por uma rede social e ido encontrá-la em Sorocaba. A namorada descobriu e foi até o encontro.

Lá, houve uma confusão e a polícia foi chamada. À Justiça, ele afirmou ter abraçado a namorada e a levado até um carro para evitar maior confusão.

Cravinhos afirmou que, quando os policiais chegaram e viram quem ele era, os chamou "para trocar uma ideia". Ele afirmou em juízo ter dito aos PMs que gostaria de ser levado à delegacia e que não queria ser um "troféu" dos policiais.

Ele disse ter sido algemado, jogado contra a parede, colocado dentro da viatura e levado até uma rua desconhecida, onde ocorreu uma discussão e onde ficou por cerca de duas horas e meia antes de ser levado para a delegacia.

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