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Criança levada em carrinho de mão a posto de saúde morre em MG

Maria Eduarda foi levada de carrinho de mão para o hospital no mês passado - Arquivo pessoal
Maria Eduarda foi levada de carrinho de mão para o hospital no mês passado Imagem: Arquivo pessoal

Daniel Leite

Colaboração para o UOL, em Juiz de Fora (MG)

14/08/2020 13h31

Maria Eduarda, a criança de 9 anos que no mês passado precisou ser carregada em um carrinho de mão até o posto de saúde em Januária (MG) por falta de transporte da prefeitura, morreu ontem depois de ficar quatro dias internada.

Segundo a mãe, Gilvânia Carmo de Souza, a menina teve de ser levada com urgência ao hospital após sentir fortes dores na região do peito. O corpo de Maria Eduarda, de nove anos, foi enterrado hoje pela manhã.

A garota sofria da síndrome nefrótica, que causa perda da capacidade dos rins em reter proteínas filtradas na urina. Maria Eduarda já havia ficado internada antes, por várias vezes, segundo a mãe, mas com outros sintomas.

Gilvânia disse ao UOL que levou a filha para um hospital de Januária (a 596 km de Belo Horizonte) após a menina reclamar, no domingo de madrugada, de dores. "Essa dor é a primeira dor que ela sentiu desde quando ela vem fazendo o tratamento, em cima do peito esquerdo. Ela não sentia dor. A gente vinha tratando dela, ela inchava, mas ela nunca tinha dor".

Como não havia estrutura de UTI, foi feita a transferência para a Santa Casa de Montes Claros, nas primeiras horas de segunda-feira. Depois de quatro dias internada, os dois rins pararam de funcionar e a criança teve uma parada cardiorrespiratória, no final da madrugada de ontem.

Carrinho de mão

No início do mês passado, Gilvânia tentou um carro da prefeitura para transportar a filha até a unidade de saúde mas foi informada na associação do bairro Pandeiros, responsável pelo serviço oferecido pela prefeitura, de que não haveria como utilizar o veículo pois não agendou. Segundo a dona de casa, como a menina pesava quase 40 quilos, não teria como levar no colo.

Ela, então, decidiu forrar um carrinho de mão com um cobertor, pegou um travesseiro e carregou a criança até a unidade de atendimento. Na volta para casa, já na companhia do marido, ela gravou um vídeo.

"Eduarda vindo do posto de saúde de Pandeiros no carrinho de mão, porque tem um carro da saúde em Pandeiros, mas na hora que a gente precisa, não é socorrido".

O presidente da associação comunitária disse na ocasião que, na realidade, não havia carro disponível na hora em que Gilvânia precisou, e que ela nunca teve pedidos negados antes. A prefeitura informou que disponibilizaria um funcionária para cuidar da organização do serviço.

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